quarta-feira, 19 de agosto de 2026

A Hora do Pesadelo (2010)

A Hora do Pesadelo (2010)
Freddy Krueger (Jackie Earle Haley) é um assassino de crianças que retorna para atormentar um grupo de adolescentes em seus sonhos. Baseado no famoso filme da década de 80 dirigido por Wes Craven. Quem foi jovem na década de 80 certamente assistiu algum filme da série original no cinema. Freddy Krueger ao lado de Jason de "Sexta Feira 13" foi um dos personagens mais recorrentes do terror oitentista. Claro que após um certo tempo o personagem perdeu todo o aspecto macabro que um dia possuiu, virando apenas um ícone pop como qualquer outro, o que significa que virou mercadoria e produto comercial como bonequinhos, figurinhas, revistas, camisetas etc. Depois de ser saturado por isso o velho Freddy finalmente virou coisa do passado e sumiu definitivamente... até agora! Eu odeio remakes. E remakes de franquias mortas são especialmente um horror (não no bom sentido da palavra, mas no ruim mesmo). Esse A Hora do Pesadelo é um pesadelo realmente. Péssimos atores, roteiro requentando e sem atrativos e efeitos especiais banais e de rotina. Não gostei de quase nada do filme, que não tem personalidade, brilho ou carisma. Não passa de uma tentativa caça níquel de usar o nome de Freddy Krueger para levantar uma grana fácil nas bilheterias. É tão grotesco quanto a razão de sua existência.

Certas franquias já deram o que tinha que dar. Se não estou enganado foram seis ou sete filmes da saga original, mas uma série de TV que explorava os pesadelos criados por Wes Craven. O último filme trazia um encontro com Jason de Sexta Feira 13, em suma, o personagem e o tema já estavam esgotados. Deveriam ter encerrado por aí. Esse Remake é totalmente desnecessário e gratuito. Nem o ator que interpreta Freddy, Jackie Earle Haley, se salva do abacaxi. Sua maquiagem é mal feita e pouco convincente. O elenco jovem também é feio e esquisito e não sabe atuar. Enfim esse Remake não deveria nunca ter sequer existido, nem nos piores pesadelos dos produtores de Hollywood. Tomare que agora em diante deixem o velho Krueger em paz definitivamente.

A Hora do Pesadelo (A Nightmare on Elm Street, Estados Unidos, 2010) Direção: Samuel Bayer / Roteiro: Wesley Strick, Eric Heisserer / Elenco: Jackie Earle Haley, Rooney Mara, Kyle Gallner / Sinopse: Freddy Krueger (Jackie Earle Haley) é um assassino de crianças que retorna para atormentar um grupo de adolescentes em seus sonhos. Baseado no famoso filme da décade de 80 dirigido por Wes Craven.

Pablo Aluísio.

Caso 39

Caso 39
Emily Jenkins (Renée Zellweger) trabalha como assistente social e em seu trabalho conhece a triste história de garota de apenas dez anos que sofreu abuso em sua família. O que ela não contava era que na realidade a pequena Lillith Sullivan (Jodelle Ferland) tem muitos segredos a esconder. Hollywood quando não faz remakes assumidos consegue reciclar velhas ideias e produzir remakes "disfarçados". Esse é um caso desses. O filme tem nuances de vários e vários filmes de terror do passado, só para se ter uma ideia da situação imediatamente me lembrei de "A Profecia", por exemplo, pois o argumento é idêntico em (quase) tudo. Dos mais recentes impossível não lembrar de "O Orfanato" e até mesmo de "Deixe Ela Entrar" (embora esse último seja posterior a esse filme).

O filme tem alguns bons sustos mas são poucos. A trama demora um pouco a engrenar, a morte do psicólogo me lembrou muito um filme antigo, clássico, de terror dos anos 70 chamado Dr. Phibes. É tão parecida a cena que se quisessem os produtores daquele filme poderiam até pensar em processar o estúdio desse Caso 39. O negócio cheirou a plágio. De bom tem a Zellwegger de camisola molhada correndo pelas ruas (pena que fugindo do capeta também, o que estraga qualquer clima de sensualidade possível :P) No final o filme prova que Hollywood está com uma falta de criatividade dos diabos! (desculpe, não pude dispensar o trocadilho infame). ;)

Caso 39 (Case 39, Estados Unidos, 2009) Direção: Christian Alvart / Roteiro: Ray Wright / Elenco: Renée Zellweger, Jodelle Ferland, Ian McShane, Kerry O'Malley, Callum Keith Rennie, Bradley Cooper / Sinopse: Emily Jenkins (Renée Zellweger) trabalha como assistente social e em seu trabalho conhece a triste história de garota de apenas dez anos que sofreu abuso em sua família. O que ela não contava era que na realidade a pequena Lillith Sullivan (Jodelle Ferland) tem muitos segredos a esconder.

Pablo Aluísio.

Apollo 18

Apollo 18
Uma tremenda bobagem. Poderia resumir esse Apollo 18 assim, dessa maneira simples. De todos os formatos que andaram surgindo nos últimos anos esse que chamo de "falso documentário" (existem outras denominações por aí) é um dos piores. É engraçado porque eles geralmente seguem o mesmo caminho: tentam virar hits na internet, semeiam informações falsas e depois tentam vender tudo como se fosse verdade. Na época de "A Bruxa de Blair" isso ainda era uma novidade e tanto (e deu muito certo como demonstra sua bilheteria) mas hoje em dia tentar servir um prato requentado tantas vezes soa desnecessário. 

Além desse aspecto "Apollo 18" tem um sério problema: é muito bobo o roteiro. Para quem cresceu vendo os roteiros bem elaborados da série clássica Star Trek ter que encarar uma bobagem dessas é dose pra leão. Em pouco mais de 60 minutos o filme nos enrola com pseudo papo de cunho técnico fajuto para dar alguma veracidade ao que ocorre na tela. Mas tudo vai por água abaixo, os atores são fracos, as imagens repetitivas logo cansam e o irritante áudio de má qualidade nos enche a paciência. A velha estorinha de ETs do mal já deu o que tinha que dar. Pra falar a verdade teria sido muito melhor se realizassem um documentário real sobre a Apollo 17, essa sim uma missão verdadeira. Já a Apollo 18 foi pura perda de tempo e dinheiro. 

Apollo 18 (Apollo 18, Estados Unidos, 2011) Direção: Gonzalo López-Gallego / Roteiro: Brian Miller / Elenco: Warren Christie, Lloyd Owen, Ryan Robbins / Sinopse: Imagens secretas do governo americano são descobertas mostrando os terríveis acontecimentos com a tripulação da missão Apollo 18.0

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

A Franquia Cinematográfica Evil Dead

A Franquia Cinematográfica Evil Dead
A franquia cinematográfica Evil Dead nasceu no início dos anos 1980, quando o diretor Sam Raimi, então um jovem cineasta, transformou uma produção independente de orçamento extremamente reduzido em um dos maiores fenômenos do cinema de horror. O primeiro filme, A Morte do Demônio (The Evil Dead), chegou aos cinemas em 1981 e apresentou Ash Williams, interpretado por Bruce Campbell, além do conceito de um grupo de jovens que encontra o misterioso Livro dos Mortos em uma cabana isolada. A produção chamou atenção pela violência gráfica, pelo humor involuntário e pelo estilo visual inventivo de Raimi. Apesar do orçamento limitado, o filme conseguiu causar forte impacto entre os fãs do gênero e recebeu avaliações bastante positivas de críticos especializados. A atmosfera claustrofóbica e os efeitos artesanais ajudaram a transformar suas limitações financeiras em características marcantes. O sucesso também despertou o interesse de produtores de Hollywood, permitindo que Sam Raimi desenvolvesse uma continuação com recursos maiores. A Morte do Demônio tornou-se, assim, o ponto de partida de uma franquia que combinaria horror, humor negro, violência exagerada e uma identidade visual muito particular.

A continuação surgiu em 1987 com Uma Noite Alucinante (Evil Dead II), novamente dirigida por Sam Raimi e estrelada por Bruce Campbell. Embora tenha sido apresentada como uma sequência, a produção também funciona como uma espécie de releitura dos acontecimentos do primeiro filme, especialmente em sua primeira parte. Raimi aproveitou o orçamento maior para ampliar consideravelmente os efeitos especiais, a maquiagem e as sequências de violência. O filme também acentuou o humor físico e o absurdo, transformando Ash em um personagem muito mais carismático e reconhecível. A recepção crítica foi ainda mais entusiasmada do que a obtida pelo primeiro longa, com muitos críticos destacando a criatividade visual e o equilíbrio entre terror e comédia. O público também respondeu positivamente, e o filme passou a ser considerado um dos grandes clássicos do horror dos anos 1980. O sucesso de Uma Noite Alucinante 2 consolidou Bruce Campbell como ícone do gênero e fez de Ash Williams um dos personagens mais conhecidos do cinema de terror. A produção também estabeleceu definitivamente a mistura de horror e humor que se tornaria uma das principais marcas da franquia.

Em 1992, Sam Raimi levou a série para uma direção ainda mais diferente com Uma Noite Alucinante 3 (Army of Darkness). O terceiro filme abandonou boa parte do terror tradicional das produções anteriores e adotou uma abordagem muito mais próxima da aventura fantástica e da comédia. Ash é transportado para a Inglaterra medieval, onde precisa enfrentar criaturas demoníacas e encontrar uma maneira de retornar ao seu próprio tempo. Bruce Campbell assumiu definitivamente a posição de protagonista absoluto, construindo um Ash mais irreverente, confiante e exagerado. A produção recebeu críticas geralmente favoráveis, principalmente pelo humor, pelos efeitos especiais e pelo desempenho de Campbell. Entretanto, alguns espectadores que esperavam um filme de terror mais convencional ficaram surpresos com a mudança de tom. Mesmo assim, Uma Noite Alucinante 3 conquistou uma legião de admiradores e tornou-se um dos títulos cult mais populares da década. Com o passar dos anos, sua reputação cresceu ainda mais, sendo frequentemente lembrado como uma das aventuras mais divertidas e originais inspiradas pelo cinema de horror. Esse filme encerrou a trilogia original de Evil Dead. Iria se passar anos até a produção de um novo filme.

Depois de décadas sem um novo filme diretamente ligado à série original, a franquia retornou aos cinemas em 2013 com A Morte do Demônio (Evil Dead), dirigido por Fede Álvarez e produzido, entre outros, por Sam Raimi e Bruce Campbell. Dessa vez, a proposta foi abandonar o humor predominante dos filmes anteriores e retornar ao terror brutal, apresentando uma história independente relacionada ao universo do Livro dos Mortos. O longa recebeu classificação indicativa elevada em diversos mercados devido à intensidade de suas cenas de violência e ganhou atenção justamente por seus efeitos práticos e pela disposição de levar o horror até extremos bastante gráficos. A crítica recebeu o filme de maneira geralmente positiva, embora algumas avaliações tenham considerado sua violência excessiva. O público também respondeu bem, especialmente os admiradores do gênero que desejavam uma nova produção com o espírito brutal do original. A Morte do Demônio, versão de 2013, demonstrou que a franquia ainda possuía força comercial mesmo sem Bruce Campbell como protagonista. O sucesso do remake ajudou a manter o interesse pelo universo Evil Dead e abriu espaço para uma nova geração de histórias ambientadas em torno das forças sobrenaturais do Livro dos Mortos.

Ainda assim iria demorar mais 10 anos para o lançamento de uma nova produção. A fase mais recente da franquia começou em 2023 com A Morte do Demônio - A Ascensâo, dirigido por Lee Cronin e produzido por Sam Raimi, Bruce Campbell e Robert Tapert. Diferentemente dos filmes anteriores, a história abandonou a tradicional cabana isolada e transferiu o horror para um prédio residencial em Los Angeles, acompanhando duas irmãs e seus familiares diante de uma nova manifestação demoníaca. O cenário urbano permitiu explorar situações de confinamento, violência doméstica e desespero familiar, mantendo a brutalidade característica da série. O filme recebeu críticas bastante positivas, com elogios especialmente dirigidos à direção de Cronin, aos efeitos práticos, à atmosfera e à intensidade das cenas de horror. O público também demonstrou forte interesse pela produção, que alcançou expressivo desempenho comercial e confirmou a vitalidade da marca. Finalmente, agora em 2026, tivemos o lançamento de mais um filme da franquia chamado "A Morte do Demônio: Em Chamas" que até o momento tem apresentado boa receptividade junto ao público e a crítica. 

Assim temos, em ordem cronológica, a franquia cinematográfica Evil Dead composta pelos seguintes filmes: A Morte do Demônio (1981), Uma Noite Alucinante (1987), Uma Noite Alucinante 3 (1992), A Morte do Demônio (2013), A Morte do Demônio - Ascensão (2023) e A Morte do Demônio Em Chamas (2026). Ao longo de mais de quatro décadas, a série conseguiu sobreviver às mudanças de estilo, reinventar seus personagens e permanecer como uma das franquias mais influentes e cultuadas do cinema de terror. Fica dessa forma o convite para que você conheça todos os filmes. Assista na ordem em que foram lançados e tenha uma boa diversão, além de muitos sustos! 

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

A Morte do Demônio (2013)

A Morte do Demônio (2013)
E a onda de remakes continua. A bola da vez agora é “Evil Dead”, um dos clássicos de terror da década de 80. O filme original era quase amador, feito com recursos mínimos mas que caiu no gosto do público por causa de seu estilo cru e hardcore. O tempo passou, aquele jovem que filmou “Evil Dead”, chamado Sam Raimi, virou um sujeito rico e poderoso dentro da indústria e agora surge produzindo esse remake de sua própria obra. Para dirigir contratou outro jovem, tal como ele era na época, o cineasta Fede Alvarez. A trama continua a mesma: grupo de jovens resolve se isolar numa cabana no meio da floresta. Uma das garotas tem problemas com drogas e o local parece ser o adequado para ela superar seu vicio. Também é um lugar pacato, onde todos podem repensar sobre suas vidas. O cheiro de algo apodrecido porém logo chama a atenção deles. Descobrem que o cheiro ruim vem do porão e decidem investigar. Má idéia. Apesar da escuridão encontram vários objetos que parecem ser de feitiçaria e um livro, que não deve ser aberto e nem muito menos lido. Como não poderia deixar de ser é lógico que um deles se interessará pelo tal livro amaldiçoado.

A estranha obra literária acaba sendo aberta e lida por um dos membros do grupo que para piorar ainda evoca sem saber uma entidade maligna milenar, um “devorador de almas” que logo toma de possessão uma das jovens. A partir daí já sabemos bem o que acontece. Apesar do cinema atual ter muito mais recursos do que na época do “Evil Dead” original, o fato é que essa refilmagem não consegue repetir a qualidade do primeiro filme. Para os que já conhecem os filmes de Raimi não há muita serventia em rever tudo de novo sob a ótica de um cineasta novato. Talvez apenas o público mais jovem, que não viu e nem assistiu o primeiro “Evil Dead”, possa sentir algum impacto com o novo filme. Para quem não conhece e nunca viu nenhum “Evil Dead” é bom saber que se trata de um filme de terror sem concessões, sem piadinhas e nem alívios cômicos. É muito violento, barra pesada e cheio de cenas de revirar o estômago. Talvez por isso seja tão cultuado até hoje. Nessa nova versão sentimos bem o pesar do tempo. Acontece que “Evil Dead” foi tão copiado durante todos esses anos que sua estória acabou virando algo banal. Até porque esse enredo do tipo “grupo de jovens em cabana isolada” vem sendo copiado em centenas de produções. De tão usado acabou saturado. De qualquer maneira para os mais jovens, que nunca viram a trilogia original, o filme pode até mesmo funcionar. Claro que nada do que está em cena vai impressionar aos veteranos fãs de filmes de terror, mas para o público neófito a fita pode servir como introdução a esse universo aterrorizante. Para esses então fica a dica: Arrisque uma sessão e boa sorte! 

A Morte do Demônio (Evil Dead, Estados Unidos, 2013) Direção: Fede Alvarez / Roteiro: Fede Alvarez, Rodo Sayagues, baseados no filme “Evil Dead” dirigido e roteirizado por Sam Raimi / Elenco: Jane Levy, Shiloh Fernandez, Lou Taylor Pucci / Sinopse: Grupo de jovens em cabana isolada evoca sem querer a presença de um demônio, devorador de almas, que necessita de cinco almas para fazer o “céu sangrar”. Agora terão que sobreviver à presença da maligna entidade sobrenatural do mal.

Pablo Aluísio.

Uma Noite Alucinante 3

Título no Brasil: Uma Noite Alucinante 3
Título Original: Army of Darkness
Ano de Produção: 1992
País: Estados Unidos
Estúdio:  Dino De Laurentiis Company, Universal Pictures
Direção: Sam Raimi
Roteiro: Sam Raimi, Ivan Raimi
Elenco: Bruce Campbell, Embeth Davidtz, Marcus Gilbert

Sinopse:
Um homem é acidentalmente transportado para 1300 dC, onde ele tem de lutar contra um exército de mortos e recuperar o Necronomicon, o livro dos mortos, para que ele possa voltar para casa. Terceiro e último filme da franquia "Evil Dead" de Sam Raimi.

Comentários:
Terceiro e mais exagerado filme da franquia original "Evil Dead". Aqui Sam Raimi abraça de vez o humor mais galhofeiro, não se importando nem um pouco em transformar sua série de filmes - que havia começado com o aterrorizante "A Morte do Demônio", seguido de "Uma Noite Alucinante" - em uma verdadeira palhaçada. Confesso que nunca gostei desse terceiro filme que considero facilmente o pior de todos, uma ideia que não deu certo em quase nada. Cheio de efeitos especiais ele ainda tem seus defensores mas para quem era fã do primeiro filme da série não deixa de ser uma grande decepção, uma piada de mau gosto bem indigesta. O canastrão Bruce Campbell está mais careteiro do que nunca e completamente perdido em um enredo meio sem pé e nem cabeça, que procura se sustentar na pura megalomania histérica. A produção é mais recheada do que a dos demais filmes, fruto do bom orçamento disponibilizado pelo produtor Dino de Laurentiis mas isso não faz grande diferença. "Uma Noite Alucinante 3" é uma daquelas fitas para realmente se esquecer.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Uma Noite Alucinante

Uma Noite Alucinante
"Evil Dead - A Morte do Demônio" foi um filme quase amador escrito e dirigido pelo jovem Sam Raimi que acabou virando cult ao longo dos anos. O filme foi rodado com um orçamento minúsculo - estimado em pouco mais de 300 mil dólares - e contou com o apoio de amigos e parceiros de Raimi. Com o advento do mercado de vídeo a fita acabou sendo redescoberta por uma nova geração de fãs de terror que começaram a idolatrar o violento e tenso filme. Assim em 1986 Raimi foi procurado por um grande estúdio para rodar a mesma estória, só que com melhores condições técnicas e orçamento bem generoso. O melhor em termos de maquiagem e efeitos especiais foi colocado à disposição do cineasta. Fazer um remake totalmente fiel porém não estava nos planos de Sam Raimi, então ele optou por injetar algo dentro do novo filme que quase não existia no original: humor!

Sim, o diretor entendeu que um pouco de humor negro não faria mal a essa nova produção e assim ele reescreveu e inseriu diversas cenas de puro absurdo gótico para criar uma linha de diálogo mais aberta com o público jovem que iria conferir o novo filme nas telas de cinema. Cenas como um olho voando em direção a boca de um dos personagens ou uma mão decepada com vontade própria ganharam um inédito tom de comédia no filme. Para estrelar o novo Evil Dead Raimi convocou novamente seu parceiro e amigo do primeiro filme, o ator Bruce Campbell. Canastrão assumido, Campbell ajudou muito na nova concepção de Raimi para "Uma Noite Alucinante". A trama era praticamente a mesma do primeiro filme, com algumas modificações. Novamente incautos colocavam as mãos no chamado livro dos mortos liberando demônios das profundezas do inferno. A diferença porém vinha nas cenas absurdamente insanas e na melhor produção, com melhores e mais bem elaborados efeitos especiais. O filme acabou fazendo grande sucesso de bilheteria, se tornando também um campeão de locações no mercado de vídeo depois. Isso acabou abrindo as portas de uma terceira sequência, ainda mais maluca do que essa mas isso é um outra história...

Uma Noite Alucinante (Evil Dead II, Estados Unidos, 1987) Direção: Sam Raimi / Roteiro: Sam Raimi, Scott Spiegel / Elenco: Bruce Campbell, Sarah Berry, Dan Hicks / Sinopse: Sequência remake do filme "Evil Dead" de 1981. Aqui um jovem desavisado acaba liberando terríveis forças do mal ao colocar as mãos em um livro amaldiçoado perdido em uma cabana isolada no meio da floresta.

Pablo Aluísio.

A Morte do Demônio (1981)

A Morte do Demônio (1981)
Cinco jovens acabam chegando numa cabana abandonada no meio da floresta. O lugar parece estar vazio há muitos anos mas algo chama a atenção de alguns deles. Um velho gravador e um livro chamado "Livro dos Mortos" acabam virando o foco da conversa. Ao ligar o velho gravador eles começam a ouvir uma narração em uma língua estranha que desconhecem. Em pouco tempo entenderão que acabaram de libertar poderosas forças do mal. Pouco a pouco cada um dos jovens começa a ser possuído, exceto Nash, que terá que lutar com as armas que possui contra todas essas manifestações sobrenaturais. Começa assim "Evil Dead" um dos maiores clássicos do terror americano. Filme rodado com produção mais do que modesta que acabou agradando em cheio ao público por causa de sua crueza temática e fortes imagens de possessão e delírio. Claro que por ter sido tão imitado por tantos anos o primeiro filme "A Morte do Demônio" pode ser considerado ultrapassado e datado nos dias de hoje mas isso depende do ponto de vista de cada um.

O curioso é que não apenas os atores eram jovens mas o diretor também. Sam Raimi tinha apenas 22 anos quando começou a filmar "Evil Dead" com apenas 600 mil dólares, uma quantia irrisória para os padrões de Hollywood. Com custo mínimo e contando com a ajuda dos atores - que eram todos seus amigos - ele acabou revolucionando o gênero que andava sem criatividade e ideias inovadoras desde "O Exorcista". Raimi usou ousadas tomadas de cena e levou até as últimas consequências a chamada visão subjetiva, que colocava o espectador praticamente dentro do enredo. O filme causou polêmica em seu lançamento chegando a ser proibido em alguns países europeus, entre eles a Inglaterra, mas ganhou status de cult quando finalmente chegou no mercado de vídeo. Revisto hoje em dia mantém o impacto, tanto que chegou a dar origem a duas sequências e a um remake, mas todos eles empalidecem diante desse "Evil Dead" original que sem dúvida é um grande filme de terror.

A Morte do Demônio (Evil Dead, Estados Unidos, 1981) Direção: Sam Raimi / Roteiro: Sam Raimi / Elenco: Bruce Campbell, Ellen Sandweiss, Richard DeManincor / Sinopse: Cinco jovens acabam libertando terríveis forças do mal em uma cabana isolada no meio da floresta.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 24 de julho de 2026

A Morte do Demônio: Em Chamas

A Morte do Demônio: Em Chamas
A Morte do Demônio: Em Chamas (Evil Dead Burn) foi lançado nos cinemas em 9 de julho de 2026 (no Brasil), dirigido por Sébastien Vaniček, que também assina o roteiro ao lado de Florent Bernard. Produzido por Sam Raimi, Rob Tapert e Bruce Campbell, o filme representa o sexto longa-metragem da franquia Evil Dead. O elenco principal reúne Souheila Yacoub, Hunter Doohan, Luciane Buchanan, Tandi Wright, George Pullar e Erroll Shand. A história acompanha Alice, uma jovem viúva que, após perder o marido, busca conforto na casa isolada de seus sogros. O reencontro familiar rapidamente se transforma em um pesadelo quando uma força demoníaca ligada ao Necronomicon começa a possuir os presentes, transformando um a um em terríveis Deadites. Presa na propriedade e cercada por criaturas violentas, Alice precisa lutar desesperadamente para sobreviver, descobrindo que os votos matrimoniais feitos em vida continuam tendo consequências mesmo após a morte.

Quando estreou, A Morte do Demônio: Em Chamas recebeu uma recepção crítica predominantemente positiva, especialmente entre os fãs do horror extremo. Diversos críticos elogiaram a direção de Sébastien Vaniček por preservar o espírito sangrento da franquia criada por Sam Raimi. As primeiras avaliações destacaram a criatividade das sequências de violência, o clima claustrofóbico da casa isolada e a intensidade da atuação de Souheila Yacoub. Algumas análises, entretanto, apontaram que o roteiro segue uma estrutura relativamente previsível e prioriza o espetáculo gore em detrimento do desenvolvimento dos personagens. Ainda assim, o consenso foi de que o filme entrega exatamente aquilo que os admiradores da série esperam: terror sobrenatural, muito sangue, humor macabro e cenas de impacto visual.

Por ter sido lançado recentemente, A Morte do Demônio: Em Chamas ainda não participou da principal temporada de premiações do cinema. No entanto, o trabalho de maquiagem prática, efeitos especiais e caracterização dos Deadites já vem sendo bastante elogiado. Muitos críticos destacaram que Vaniček conseguiu imprimir sua própria identidade ao universo da franquia sem abandonar os elementos clássicos introduzidos por Sam Raimi. A violência gráfica, considerada uma das mais intensas de toda a série, também chamou atenção da imprensa especializada. Entre os fãs, a recepção inicial foi bastante favorável, com muitos considerando o longa um digno sucessor de A Morte do Demônio: A Ascensão (2023) e um dos capítulos mais brutais da franquia.

Do ponto de vista comercial, A Morte do Demônio: Em Chamas teve um bom início nas bilheterias. Produzido com um orçamento estimado em US$ 20 milhões, o filme arrecadou aproximadamente US$ 29,5 milhões em seus primeiros dias de exibição mundial, incluindo cerca de US$ 18,1 milhões nos Estados Unidos e Canadá. Como ainda está em cartaz, esses números continuam crescendo. O público respondeu positivamente à proposta do longa, principalmente os fãs da franquia, elogiando sua atmosfera opressiva, os efeitos práticos e a fidelidade ao estilo ultraviolento que caracteriza a série desde 1981. O desempenho inicial reforçou a confiança do estúdio na continuidade da franquia.

Por ser um lançamento de 2026, ainda é cedo para avaliar seu legado definitivo. Entretanto, A Morte do Demônio: Em Chamas demonstra potencial para consolidar uma nova fase da franquia iniciada por Sam Raimi. A mudança para uma história centrada em uma reunião familiar transformada em massacre demoníaco oferece uma abordagem diferente das produções anteriores, mantendo o equilíbrio entre horror sobrenatural e violência gráfica. O bom desempenho inicial e a recepção favorável dos fãs já alimentam expectativas para os próximos capítulos da série, incluindo o projeto Evil Dead Wrath, anunciado como a continuação da nova fase da franquia.

A Morte do Demônio: Em Chamas (Evil Dead Burn, Nova Zelândia / Estados Unidos / Canadá, 2026) Direção: Sébastien Vaniček / Roteiro: Sébastien Vaniček e Florent Bernard / Elenco: Souheila Yacoub, Hunter Doohan, Luciane Buchanan, Tandi Wright, George Pullar e Erroll Shand / Sinopse: Após a morte do marido, uma jovem procura refúgio junto à família dele em uma casa isolada, mas uma antiga força demoníaca desperta e transforma o reencontro em uma desesperada luta pela sobrevivência contra os terríveis Deadites.

Erick Steve. 

A Morte do Demônio: A Ascensão

A Morte do Demônio: A Ascensão 
A Morte do Demônio: A Ascensão (Evil Dead Rise) foi lançado em 21 de abril de 2023, dirigido e roteirizado por Lee Cronin, com produção de Sam Raimi, Bruce Campbell e Rob Tapert, criadores da franquia original. O elenco principal reúne Lily Sullivan, Alyssa Sutherland, Morgan Davies, Gabrielle Echols, Nell Fisher e Mia Challis. Diferentemente dos filmes anteriores, que se passavam em uma cabana isolada na floresta, esta produção transfere a ação para um antigo prédio de apartamentos em Los Angeles prestes a ser demolido. A história acompanha Beth, que visita sua irmã Ellie e seus três filhos. Após um terremoto revelar uma câmara subterrânea, um dos jovens encontra o Necronomicon, o lendário Livro dos Mortos. A leitura de antigos registros desperta forças demoníacas que possuem Ellie, iniciando uma violenta luta pela sobrevivência. O filme combina horror sobrenatural, violência extrema e o humor macabro característico da franquia, modernizando sua ambientação sem abandonar os elementos clássicos da série.

Quando estreou, A Morte do Demônio: A Ascensão recebeu uma recepção crítica amplamente positiva. A revista Variety afirmou que Lee Cronin entregou uma abordagem "imaginativamente assustadora" para a mitologia da franquia, elogiando sua capacidade de preservar o espírito criado por Sam Raimi enquanto introduzia novas ideias. O The Guardian descreveu o filme como "um sólido novo capítulo" da série, destacando sua violência inventiva e a tensão constante, embora observasse que a produção não deixava um impacto emocional tão duradouro quanto alguns de seus antecessores. A maioria dos críticos também elogiou a mudança da tradicional cabana na floresta para um ambiente urbano claustrofóbico, que trouxe novas possibilidades para o terror. A interpretação de Alyssa Sutherland como Ellie possuída foi apontada como um dos maiores destaques, tornando-se uma das personagens mais memoráveis da franquia. O consenso da crítica foi de que o filme revitalizou a série sem perder sua identidade.

A produção não recebeu indicações ao Oscar, algo comum para filmes de horror, mas conquistou amplo reconhecimento entre críticos especializados e fãs do gênero. No Rotten Tomatoes, o longa estreou com excelente aprovação da crítica, alcançando o selo Certified Fresh, enquanto muitos veículos elogiaram a combinação de violência gráfica, humor sombrio e criatividade visual. O Time Out concedeu quatro estrelas ao filme, destacando que ele encontrava "uma maneira deliciosamente sangrenta de revitalizar a franquia". Muitos especialistas também ressaltaram o excelente trabalho de maquiagem prática, efeitos especiais e design sonoro. Com o passar do tempo, A Morte do Demônio: A Ascensão passou a ser considerado um dos melhores capítulos da franquia desde a trilogia original de Sam Raimi, consolidando Lee Cronin como um dos novos nomes de destaque do cinema de horror.

Do ponto de vista comercial, A Morte do Demônio: A Ascensão foi um grande sucesso. Inicialmente planejado como um lançamento exclusivo para streaming, o filme acabou recebendo distribuição nos cinemas devido à confiança da Warner Bros. em seu potencial. Produzido com um orçamento estimado em cerca de US$ 19 milhões, arrecadou aproximadamente US$ 147 milhões nas bilheterias mundiais, sendo US$ 67,2 milhões nos Estados Unidos e US$ 79,9 milhões no mercado internacional. Tornou-se, na época, o maior sucesso comercial da história da franquia Evil Dead. O público respondeu de forma bastante positiva, elogiando a intensidade do horror, a criatividade das cenas de violência e a atuação de Alyssa Sutherland. O excelente desempenho também garantiu a continuidade da franquia com novos projetos cinematográficos.

Hoje, A Morte do Demônio: A Ascensão é considerado um dos melhores filmes de terror da década de 2020 e um dos capítulos mais fortes da franquia iniciada em 1981. Muitos fãs o colocam ao lado de Uma Noite Alucinante (The Evil Dead) e do remake de 2013 entre os pontos altos da série. A mudança para um cenário urbano, a atuação memorável de Alyssa Sutherland e a direção segura de Lee Cronin são frequentemente apontadas como seus maiores méritos. Além disso, o filme demonstrou que a franquia continua relevante mais de quarenta anos após sua criação, abrindo caminho para novas histórias ambientadas no universo do Necronomicon. Seu sucesso de crítica e público consolidou A Morte do Demônio: A Ascensão como um dos grandes clássicos modernos do horror sobrenatural.

A Morte do Demônio: A Ascensão (Evil Dead Rise, Irlanda / Estados Unidos / Nova Zelândia, 2023) Direção: Lee Cronin / Roteiro: Lee Cronin, baseado nos personagens e conceitos criados por Sam Raimi / Elenco: Lily Sullivan, Alyssa Sutherland, Morgan Davies, Gabrielle Echols, Nell Fisher e Mia Challis / Sinopse: Após a descoberta do Livro dos Mortos em um edifício de apartamentos, uma família passa a ser perseguida por demônios que transformam um reencontro entre irmãs em uma desesperada batalha pela sobrevivência.

Erick Steve.