quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Psicose

Psicose
Norman Bates (Anthony Perkins) é um rapaz solitário que toma conta de um decadente motel de beira de estrada ao lado de sua mãe, que mora numa velha casa nos fundos do Bates Motel. Para sua surpresa uma jovem e bonita garota chamada Marion (Janet Leigh) resolve se hospedar em seu sinistro estabelecimento. Isso basta para que o lado mais obscuro de Norman venha à tona. "Psicose" é seguramente o filme mais famoso do genial diretor Alfred Hitchcock. Temendo uma reação muito negativa diante do teor violento da estória o cineasta tomou uma decisão polêmica ao decidir filmar em preto e branco. Posteriormente em entrevista Hitchcock esclareceu que seria de muito mal gosto filmar a famosa cena do chuveiro em cores berrantes pois o vermelho sangue jorrando pelo ralo da banheira seria demais para o público daquela época. O roteiro foi baseado em uma novela de Robert Bloch, um escritor de terror e ficção muito popular na década de 60. Embora seja ficcional é impossível negar que o personagem de Norman Bates também foi inspirado em assassinos em série famosos nos EUA, como por exemplo, Ed Gein. Esse também vivia isolado da sociedade, era acometido por alucinações com pessoas falecidas e tinha uma verdadeira obsessão pela mãe morta, que era fanática religiosa e rotineiramente punia o filho como a mãe rígida de Norman Bates apresentada em "Psicose".

Além do suspense e do tema mórbido "Psicose" também se tornou um marco do cinema por causa de alguns detalhes que fizeram toda a diferença em relação aos demais filmes da época. O primeiro deles é sua excelente trilha sonora, assinada por Bernard Herrmann. O tema musical das cenas mais marcantes ainda hoje soa familiar aos ouvidos de qualquer cinéfilo, de associação imediata ao filme (basta ouvir para saber que se trata de "Psicose"). Além disso foi tão imitada ao longo dos anos que acabou virando marca registrada. Nove em cada dez filmes de terror atuais trazem em suas trilhas incidentais apenas variações do famoso tema do filme de Hitchcock. Outro aspecto a se louvar aqui é a brilhante interpretação de Anthony Perkins, tão brilhante aliás que marcou a carreira do ator para sempre o deixando praticamente prisioneiro de Norman Bates para o resto de sua vida. Por fim só nos resta aplaudir todo o domínio de cena e ambientação de Hitchcock. Não é por outro motivo que ele passou para a história como o "Mestre do Suspense". O cineasta nunca era óbvio em suas decisões, surpreendendo em cada cena, em cada tomada. A própria cena do chuveiro é uma aula de direção, abrilhantada com uma das mais inspiradas edições da história do cinema. Em suma "Psicose" é item obrigatório para quem gosta de cinema. Um clássico do suspense que segue soberbo, firme, como o melhor e mais influente já produzido até hoje.

Psicose (Psycho, Estados Unidos, 1960) Direção: Alfred Hitchcock / Roteiro: Joseph Stefano baseado na novela de Robert Bloch / Elenco: Anthony Perkins, Janet Leigh, Vera Miles / Sinopse: Norman Bates (Anthony Perkins) é um rapaz solitário que toma conta de um decadente motel de beira de estrada ao lado de sua mãe, que mora numa velha casa nos fundos do Bates Motel. Para sua surpresa uma jovem e bonita garota chamada Marion (Janet Leigh) resolve se hospedar em seu sinistro estabelecimento. Isso basta para que o lado mais obscuro de Norman venha à tona.

Pablo Aluísio. 

Nosferatu: O Vampiro da Noite

Nosferatu: O Vampiro da Noite
Essa é a releitura do clássico filme alemão Nosferatu, de Murnau, de 1922. Naquele ano, sem possibilidade de filmar a estória de Drácula por não ter os direitos autorais, o diretor alemão ousou filmar um roteiro que basicamente tinha o mesmo argumento de Drácula mas sem usar o famoso nome e sem estar diretamente ligado à obra de Bram Stoker. Pelo uso inovador de tomadas de cenas, iluminação e jogo de luz e sombras Nosferatu acabou virando um grande clássico do terror, cultuado até nos dias de hoje, mesmo sendo um filme mudo. Uma obra maldita que foi redescoberta e se tornou um ícone da história do cinema. No final dos anos 70 o diretor Werner Herzog resolveu trazer de volta à tona o mesmo espírito da produção original, tanto que aqui há poucos diálogos, tal como se fosse uma homenagem ao cinema mudo. Eu só penso que a decisão de filmar em cores prejudicou um pouco o resultado final, fiquei imaginando o filme e suas imagens em preto e branco, tenho certeza que o impacto teria sido maior. A produção não é muito rica, é verdade, nada comparado ao que se vê no cinema americano, mas Herzog conseguiu superar essa situação muito bem. Outra coisa que chama bem atenção nessa produção e a total ausência de efeitos especiais. Tudo é conseguido apenas com o uso de boa maquiagem e jogos de luzes e sombras, tal como no filme de Murnau. A trilha sonora incidental também é muito inspirada, ajudando na criação do clima sórdido do filme em si.

Por fim duas curiosidades que me chamaram bem a atenção. A primeira foi a caracterização de um Van Helsing que não acreditava em vampiros, envelhecido e sem muito poder de ação e uma Isabela Adjani com maquiagem forte mas branquíssima, como convém a sua personagem gótica; Uma atriz extremamente bonita em uma interpretação um pouco abaixo do esperado. Talvez sua interpretação tenha sido assim para lembrar ao espectador da exagerada forma de interpretar do cinema mudo. De uma forma em geral achei bastante válida a ideia que deu origem ao filme. O cinema europeu tem um ritmo próprio bem diferente do americano e por isso alguns espectadores atuais poderão a vir estranhar seu desenrolar mas é bastante válida a experiência de assistir algo assim. Por fim não poderia deixar de citar a caracterização muito inspirada do ator Klaus Kinski. Ele está ótimo, com maquiagem adequada, tudo soando bem estranho, horrível, monossilábico, como aliás convém ao personagem Nosferatu. No final das contas só de ver o Klaus fazendo esse papel já vale o filme inteiro.

Nosferatu - O Vampiro da Noite (Nosferatu, Alemanha, França, 1979) Direção: Werner Herzog / Roteiro: Werner Herzog baseado no livro Drácula de Bram Stoker / Elenco Klaus Kinski, Isabela Adjani, Bruno Ganz, Walter Ladengast / Sinopse: Baseado na famosa obra "Drácula" de autoria de Bram Stoker, "Nosferatu" mostra a estória da ida de Jonathan Harker (Bruno Ganz) até a propriedade do misterioso Conde Drácula (Klaus Kinski), um homem isolado do mundo. Ele acaba desenvolvendo uma forte obsessão pela jovem a bela Lucy (Isabelle Adjani), esposa de Jonathan. Refilmagem do clássico alemão Nosferatu, de Murnau, de 1922.

Pablo Aluísio.

O Castelo Assombrado

O Castelo Assombrado
Vincent Price era um homem muito culto, colecionador de artes, bon vivant, que ganhava a vida interpretando alguns dos personagens mais imaginativos da história do cinema, principalmente no gênero que o consagrou, o terror. Já Roger Corman era uma figuraça, diretor com muita imaginação para driblar a falta de orçamento de muitos de seus filmes. Sua sobrevivência em Hollywood lhe deu inspiração para escrever uma biografia muito bem humorada intitulada "Como eu fiz uma centena de filmes em Hollywood e nunca perdi um tostão!". Certo estava ele. Nesse "O Castelo Assombrado" encontramos todas as características que fizeram tanto a fama de Price como a de Corman.

O ator mais uma vez se utiliza de sua persona "nobre mas sinistro" que utilizou em um sem número de produções. Dentro de um cenário surpreendentemente bem feito, Price usa e abusa de seus famosos "olhares lânguidos", seja no papel de Ward seja no do Warlock ancestral Joseph. Para mudar de personalidade ele apenas precisa levantar as sobrancelhas e fitar o horizonte. Impagável. Outro destaque do filme é a trilha sonora (muito evocativa e bem colocada nas cenas de maior suspense). Por fim tem a beldade Debra Paget (que foi a namoradinha de Elvis Presley em Love Me Tender). Atriz de rara beleza ela aqui defende bem seu cachê embora não saia do convencional, em um papel tipicamente de "mocinha em perigo". Esse tipo de produção vai soar datada para muitos hoje em dia mas isso faz parte de seu charme. Aliás a nostalgia e o saudosismo envolvidos tornam "O Castelo Assombrado” ainda mais saboroso nos dias de hoje.

O Castelo Assombrado (The Haunted Palace, Estados Unidos, 1963) Direção: Roger Corman / Roteiro: Charles Beaumont baseado nas obras de Edgar Allan Poe e H. P. Lovecraft  / Elenco: Vincent Price, Debra Paget, Lon Chaney Jr,  Frank Maxwell,  Leo Gordon / Sinopse: Inspirado em Edgar Allan Poe e na obra “O Caso de Charles Dexter Ward” de H. P. Lovecraft o filme "O Castelo Assombrado" narra a estória de Joseph Curwen, um mestre em magias ocultas que acaba sendo queimado como bruxo no pequeno vilarejo onde mora. Um século depois um jovem casal decide visitar o castelo original de Joseph, que agora parece estar infestado por espíritos malignos do passado.

Pablo Aluísio. 

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

A Hora do Espanto (2011)

A Hora do Espanto (2011)
O filme original era divertido, bem humorado, charmoso e conseguia unir tudo isso com boas cenas de terror e suspense. Os três atores principais eram excelentes, a começar pelo vampiro interpretado com muito carisma por Chris Sarandon e Peter Vincent, um achado de personagem, um velho ator decadente que apresentava um programa trash na TV. Infelizmente esse remake não tem nenhuma das qualidades que fizeram o filme de 1985 tão memorável. Para começar é um filme sem humor, que se leva a sério demais, além disso não tem charme, se limitando a ser apenas grotesco. Eu sempre disse que a figura do vampiro tem que ser bem explorada no cinema pois caso contrário corre o sério risco de ficar ridículo e se transformar num mero sujeito de dentadura postiça dando dentadas nos outros. Era justamente isso um dos maiores méritos do filme original pois ele de certa forma ria de si mesmo – se auto parodiava em grande estilo!

Nesse remake estragaram com praticamente tudo. O personagem de Peter Vincent está irreconhecível. Ele se transformou em um mágico de Las Vegas sem um pingo de humor. O sujeito fica lá bebendo, dizendo grosserias... tudo muito chato. Mas o pior realmente aconteceu com o vizinho vampiro. Impossível comparar Chris Sarandon com Colin Farrell pois ele está péssimo em seu personagem. Andando pra lá e pra cá sem camisa mais parece um personagem de comercial de cuecas. Charme? Zero. Carisma? Esqueça. Humor? Inexistente. Sinceramente uma pena que um filme que marcou toda uma geração como A Hora do Espanto tenha sido “vítima” de um remake tão ruim como esse! Um dos piores que já tive o desprazer de conferir. Quer um bom conselho? É melhor rever o antigo em uma sessão nostalgia do que perder tempo com esse remake desastroso!

A Hora do Espanto (Fright Night, Estados Unidos, 2011) Direção: Craig Gillespie / Roteiro: Marti Noxon baseado na estória de Tom Holland / Elenco: Anton Yelchin, Colin Farrell, David Tennant / Sinopse: Vampiro (Colin Farrell) se muda para a casa viznha aonde mora um adolescente (Anton Yalchin) que desconfia que seu novo vizinho é na verdade um ser da noite.

Pablo Aluísio.

Não Tenha Medo do Escuro

Não Tenha Medo do Escuro
Complicado até mesmo dizer o que está errado em "Não Tenha Medo do Escuro", são tantos os equívocos que nem sei por onde começar. O filme conta a estória de um casal (Katie Holmes e Guy Pearce) que compram uma antiga casa há muito abandonada. Não precisa ser muito perspicaz para saber que a casa esconde terríveis segredos em seu passado. Para piorar ainda mais a situação a jovem filha do marido vai morar com o casal a contragosto. Partindo dessa premissa era de se esperar que algo próximo a um terror psicológico seria oferecido ao espectador. Doce ilusão. O roteiro joga qualquer sutileza no lixo e parte para a pura e simples bobagem. O uso exagerado de efeitos digitais também não ajuda. As criaturas que vão surgindo são mal desenhadas, geralmente mostradas fora de foco e para piorar muito derivativas e sem graça. De fato não metem medo nem em criancinha.

Eu achei tudo muito parecido com um filme de horror trash dos anos 80 chamado "O Portão". Tal como lá aqui temos esses pequenos seres demoníacos que vão infernizando a vida de uma família. Os tais "demoninhos" dariam origem a um personagem infantil muito popular nos Estados Unidos: A fada dos dentes. Mas nem adianta ir muito além para tentar explicar o que diabos é essa fada. O que é preciso saber mesmo é que "Não Tenha Medo do Escuro" é terrivelmente ruim e sem sustos. Clichês aos montes e atores sem inspiração. Pensar que o bom Guilhermo Del Toro se envolveu em algo assim me deixa espantado. Enfim, tenha medo da ruindade do filme, não do escuro. rs.

Não Tenha Medo do Escuro (Don't Be Afraid of the Dark, Estados Unidos, 2010) Direção: Troy Nixey /Roteiro: Guillermo del Toro, Matthew Robbins / Elenco: Katie Holmes, Guy Pearce, Bailee Madison, Jack Thompson / Sinopse: Jovem casal muda para uma nova casa onde eventos estranhos começam a acontecer. Imaginação ou manifestação do sobrenatural?

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

O Corvo (2012)

Título no Brasil: O Corvo
Título Original: The Raven
Ano de Produção: 2012
País: Estados Unidos
Estúdio: Intrepid Pictures
Direção: James McTeigue
Roteiro: Ben Livingston, Hannah Shakespeare
Elenco: John Cusack, Luke Evans, Alice Eve, Brendan Gleeson
  
Sinopse:
Edgar Allan Poe (John Cusack) é um escritor maldito. Embora seja extremamente talentoso, criador de uma obra sem igual, ele não consegue sobreviver apenas com seus textos. Pior do que isso, logo se vê envolvido numa rede de mortes que supostamente estariam sendo inspiradas em seus próprios escritos macabros. Sondando o mundo dos mortos em sua obra, em crônicas de terror, logo se torna suspeito de ser o autor de todos os crimes. Filme indicado ao World Soundtrack Awards.

Comentários:
Edgar Allan Poe foi um dos primeiros escritores americanos que tentaram viver exclusivamente de seus escritos. O verbo "tentar" aqui não foi usado em vão, uma vez que sua vida foi muito dura nesse aspecto. Tentando sobreviver dos salários miseráveis que eram pagos pelos jornais da época, Poe tentou viver com dignidade, mas quase nunca conseguiu. Chegou a passar fome junto de sua família. Seus textos eram brilhantes, reconhecidos pela crítica e público, mas isso nunca traduziu-se em retorno financeiro. Além disso Poe teve uma vida errática - mudando sempre de emprego, de cidade, tentando sobreviver da melhor forma possível. Infelizmente sua vida estava destinada a ser trágica. Sua jovem esposa contraiu tuberculose (uma doença terrível, sem cura naqueles tempos) e essa sucessão de revezes na vida acabou custando ao homem Poe mais do que ele poderia suportar. Foi encontrado praticamente congelado nas ruas de Baltimore, delirando, falando frases sem nexo e morreu alguns dias depois. Uma vida assim merecia pelo menos um filme respeitoso, um produção digna do grande escritor que ele foi em vida. Ao invés disso gastaram tempo e dinheiro nesse "O Corvo" que de respeitoso não tem nada, não passando de uma bobagem comercial dessas que infestam as telas do mercado todas as semanas. Não se enganem. A verniz intelectual de se misturar aspectos da vida pessoal de Edgar Allan Poe com situações tiradas de algumas de suas obras não passa de uma enganação. "O Corvo" é um blockbuster disfarçado. Nisso se assemelha demais com a nova franquia Sherlock Holmes, se utilizando de elementos famosos da literatura clássica para vender pipoca em shopping center. Isso é o que acontece quando a cultura verdadeira é utilizada para vender subcultura em ritmo industrial. Não há sutileza, não há grandes momentos no filme, tudo se resume em apenas usar o nome do famoso escritor para tornar comercialmente viável uma produção que nunca diz a que veio, que nunca deixa claro quais são seus reais propósitos. Fiquei especialmente chateado porque o próprio personagem Poe do filme em praticamente nada lembra do escritor real, esse sim um gênio. Não consigo imaginar nada mais oportunista do que se aproveitar da fama de Poe apenas para vender sabão em pó como aqui. Lamentável.

Pablo Aluísio.

O Corvo
Lançado em 2012, O Corvo (The Raven), dirigido por James McTeigue, é um suspense policial com elementos de terror gótico estrelado por John Cusack, que interpreta o escritor Edgar Allan Poe. O elenco também conta com Luke Evans, Alice Eve, Brendan Gleeson e Oliver Jackson-Cohen. Ambientado em Baltimore, em 1849, nos últimos dias da vida de Poe, o filme parte de uma premissa fictícia que mistura acontecimentos históricos e referências à literatura macabra do autor. Quando uma mãe e sua filha são encontradas brutalmente assassinadas, o detetive Emmett Fields (Luke Evans) percebe que o crime reproduz detalhes de uma história escrita por Poe. Novos assassinatos, igualmente inspirados em contos do escritor, levam a polícia a procurar sua ajuda para identificar o criminoso. A investigação se transforma em uma disputa intelectual e macabra, na qual o assassino utiliza as obras literárias como inspiração para encenar crimes cada vez mais elaborados. Quando Emily Hamilton (Alice Eve), a noiva de Poe, é sequestrada, o escritor passa a enfrentar uma corrida contra o tempo para salvá-la. Com cenários sombrios, figurinos de época e referências a obras como O Poço e o Pêndulo e Os Assassinatos da Rua Morgue, a produção procura transformar o universo literário de Poe em um thriller de investigação, embora sua trama seja uma criação ficcional, e não uma reconstituição fiel da biografia do escritor. 

A recepção crítica de O Corvo foi predominantemente negativa quando o filme chegou aos cinemas. No Los Angeles Times, a crítica Betsy Sharkey considerou que a produção não conseguia corresponder às próprias ambições góticas, observando que faltavam ao roteiro a tensão e a inventividade que tornaram as histórias de Poe tão influentes. Sharkey, entretanto, elogiou a direção de arte, os figurinos e a recriação visual da Baltimore do século XIX, além de destacar o desempenho de Luke Evans como um dos pontos fortes do elenco. No Chicago Sun-Times, Roger Ebert demonstrou decepção com a interpretação de John Cusack: embora reconhecesse que a escolha do ator inicialmente parecia promissora, considerou que o roteiro apresentava um Poe excessivamente melodramático, distante da complexidade intelectual e psicológica do escritor histórico. A crítica também apontou dificuldades para conciliar a investigação policial com os elementos biográficos e literários da narrativa. Essas avaliações refletiram uma insatisfação recorrente entre os críticos: a ideia de transformar o próprio Poe em protagonista de um mistério inspirado em suas obras era atraente, mas sua execução não alcançava a originalidade esperada. 

Na revista Variety, Leslie Felperin resumiu sua avaliação em uma frase contundente: “The Raven is a squawking, silly picture that never takes flight” — em tradução livre, um filme espalhafatoso e tolo que nunca consegue alçar voo. A crítica apontava problemas na construção dramática e na tentativa de transformar referências literárias em um thriller convencional. A revista britânica Time Out também foi severa, considerando que, apesar da atmosfera visual sombria e de algumas cenas de morte inventivas, o roteiro perdia força à medida que a história avançava e chegava a uma conclusão pouco convincente. Em contrapartida, houve avaliações mais moderadas. James Berardinelli, do ReelViews, reconheceu o apelo da ambientação histórica e o ritmo razoável da narrativa, embora tenha considerado decepcionante a resolução do mistério. Já Peter Bradshaw, do The Guardian, observou que o filme perdia fôlego nos minutos finais, mas reconheceu alguns momentos de suspense e uma atuação razoável de Cusack. O conjunto das críticas demonstrou que a produção possuía elementos capazes de despertar interesse entre admiradores do terror gótico e da literatura policial, mas tropeçava na tentativa de combinar fidelidade ao espírito de Poe, violência gráfica e entretenimento comercial. 

Com orçamento estimado em 26 milhões de dólares, O Corvo arrecadou aproximadamente 29,7 milhões mundialmente, segundo os números compilados pelo Box Office Mojo, resultado modesto para uma produção desse porte e que não representa, por si só, o lucro efetivo do estúdio, considerando também os custos de distribuição e divulgação. A recepção também permaneceu desfavorável ao longo dos anos: o Rotten Tomatoes registra aproximadamente 21% de aprovação da crítica, evidenciando a dificuldade do filme em conquistar reconhecimento entre os especialistas. 

Ainda assim, a obra conserva certo interesse por sua proposta de transformar Edgar Allan Poe em personagem de uma investigação criminal construída a partir de seus próprios contos. John Cusack oferece uma interpretação estilizada do escritor, enquanto a fotografia escura e os cenários históricos ajudam a estabelecer uma atmosfera apropriada ao universo macabro da narrativa. Atualmente, O Corvo é lembrado sobretudo como uma curiosidade cinematográfica que combina ficção histórica, mistério e horror literário, sem alcançar a força artística das melhores adaptações das obras de Poe. Sua premissa continua interessante, mas o filme é geralmente considerado uma oportunidade parcialmente desperdiçada de explorar a vida e a imaginação de um dos autores mais importantes da literatura gótica.

Erick Steve. 

Amaldiçoados

Título no Brasil: Amaldiçoados
Título Original: Cursed
Ano de Produção: 2005
País: Estados Unidos, Alemanha
Estúdio: Dimension Films
Direção: Wes Craven
Roteiro: Kevin Williamson
Elenco: Christina Ricci, Jesse Eisenberg, Portia de Rossi, Kristina Anapau, Daniel Edward Mora, Jesse Eisenberg

Sinopse:
Um lobisomem solto em Los Angeles muda a vida de três jovens adultos que, depois de serem atacados pela besta, descobrem que devem matá-la para evitar se tornarem lobisomens. Filme indicado ao MTV Movie + TV Awards.

Comentários:
Tanto Wes Craven, o diretor desse filme, como o roteirista Kevin Williamson são craques do gênero cinematográfico terror. Só que aqui eles fizeram um filme meio fraco, misturando lobisomens e adolescentes. Eu particulermente penso que filmes de horror nunca podem ser pops demais, pois se isso acontece perde totalmente o foco e o objetivo, que é justamente o de dar medo no público espectador. De qualquer forma o filme deve ser conhecido. Vou mais longe, qualquer fita de terror, por mais fraca que seja, que tenha a assinatura do grande e saudoso Wes Craven, merece ser assistida. Só não vá com grandes expectativas. O filme é bem mais ou menos e não passa disso. Assista e tente se divertir, apenas isso, nada mais.

Pablo Aluísio.

Amaldiçoados
Lançado nos Estados Unidos em 25 de fevereiro de 2005, Cursed (Amaldiçoados), dirigido por Wes Craven e escrito por Kevin Williamson, é um filme de terror com elementos de comédia que procura renovar a mitologia dos lobisomens para uma nova geração. A produção reuniu novamente Craven e Williamson, a dupla responsável pelo sucesso da franquia Pânico, e contou com Christina Ricci, Jesse Eisenberg, Joshua Jackson e Judy Greer no elenco. A trama acompanha Ellie Hudson (Ricci), uma jovem que trabalha em Los Angeles, e seu irmão adolescente Jimmy (Eisenberg). Após sofrerem um acidente de carro nas colinas de Hollywood, os dois são atacados por uma criatura misteriosa e acabam feridos. Logo, começam a perceber mudanças inquietantes em seus corpos, acompanhadas pelo desenvolvimento de sentidos aguçados, força incomum e impulsos violentos. Ao descobrirem que foram atacados por um lobisomem, Ellie e Jimmy precisam investigar a identidade da criatura e encontrar uma maneira de interromper a maldição antes de perderem o controle sobre sua própria natureza. Com a intenção de combinar terror, humor, sátira da cultura das celebridades e conflitos típicos da juventude, Craven procurou atualizar o folclore dos lobisomens em uma narrativa ambientada na indústria do entretenimento de Hollywood. Entretanto, a produção enfrentou problemas graves, incluindo refilmagens, mudanças de roteiro, substituições no elenco e a eliminação de grande parte do material originalmente filmado, circunstâncias que influenciaram profundamente o resultado final. 

A recepção crítica na época do lançamento foi amplamente desfavorável, sobretudo em razão do roteiro, dos efeitos visuais e da dificuldade de equilibrar o terror com a comédia. No The New York Times, Dana Stevens observou que o filme não era suficientemente ruim para provocar indignação, mas fazia o espectador rir nas cenas em que deveria sentir medo e revirar os olhos nos momentos destinados ao humor. A crítica apontava, assim, um dos principais problemas da produção: a incapacidade de estabelecer um tom consistente. Na revista Variety, Robert Koehler considerou que os momentos ambientados no universo adolescente pareciam cenas descartadas de Pânico, criticando a falta de originalidade e a utilização de fórmulas já conhecidas do cinema de terror. Koehler, entretanto, destacou Jesse Eisenberg, cujo timing cômico ajudava a tornar algumas sequências mais interessantes. Já o Los Angeles Times, em crítica assinada por Kevin Crust, considerou que a combinação entre as sensibilidades de Craven e Williamson não funcionava satisfatoriamente. Embora reconhecesse alguns momentos de suspense, Crust criticou os efeitos digitais pouco convincentes e a sensação de que a produção havia sido enfraquecida pelas alterações realizadas durante as filmagens. 

A revista britânica Time Out, em uma avaliação retrospectiva, apresentou uma visão um pouco mais equilibrada. Reconheceu que a produção conturbada não havia destruído completamente o filme e elogiou a dinâmica entre Christina Ricci e Jesse Eisenberg, além de algumas situações que exploram com humor os impulsos animalescos dos personagens. Por outro lado, criticou as transformações digitais pouco convincentes e o desfecho excessivamente prolongado. A BBC, em sua resenha de 2005, foi igualmente moderada: Paul Arendt avaliou o longa com três estrelas em cinco e resumiu sua opinião afirmando que Cursed não era Pânico, mas oferecia ao menos um grito de susto razoável. Essa recepção contrastou com a avaliação do San Francisco Chronicle, que classificou a produção como um trabalho de terceira categoria, criticando o roteiro fraco, os efeitos baratos e a ausência de sustos genuínos. As diferenças entre essas opiniões mostram que, embora alguns críticos tenham identificado diversão e potencial na proposta, a maioria considerou que o resultado ficava muito aquém dos trabalhos anteriores de Craven e Williamson. 

Com orçamento estimado em 35 a 38 milhões de dólares, Cursed arrecadou aproximadamente 29,6 milhões mundialmente, ficando abaixo do valor investido na produção e tornando-se um fracasso comercial quando considerados os custos adicionais de distribuição e divulgação. A avaliação crítica também permanece negativa: o Rotten Tomatoes registra apenas 16% de aprovação entre os críticos consultados, enquanto o Metacritic atribui ao filme uma pontuação de 31 em 100. 

Apesar disso, a produção adquiriu certo interesse retrospectivo entre admiradores do terror dos anos 2000, especialmente por sua história de bastidores, marcada pela interferência do estúdio, pelas refilmagens e pela redução do conteúdo originalmente planejado para obter uma classificação indicativa mais branda. A participação de Christina Ricci e Jesse Eisenberg, antes de fases importantes de suas carreiras, também contribui para o interesse atual pelo longa. Hoje, Cursed é geralmente lembrado como uma oportunidade desperdiçada de reunir novamente a criatividade de Wes Craven e Kevin Williamson, mas também como uma curiosidade do cinema de terror comercial daquele período, cuja produção problemática acabou se tornando tão comentada quanto o próprio filme.

Erick Steve. 

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Resident Evil (2026)

Título no Brasil: Resident Evil
Título Original: Resident Evil
Ano de Lançamento: 2026
País: Estados Unidos
Estúdio: TriStar Pictures / Constantin Film
Direção: Zach Cregger
Roteiro: Zach Cregger e Shay Hatten
Elenco: Austin Abrams, Zach Cherry, Kali Reis, Paul Walter Hauser, Johnno Wilson e Will Merrick.

Sinopse: 
Bryan é um entregador de medicamentos que leva uma vida aparentemente comum até receber uma missão que o coloca diante de uma situação extremamente perigosa. Enviado para entregar uma encomenda a um hospital remoto, ele chega ao local justamente quando uma terrível epidemia começa a se espalhar. O que deveria ser apenas mais uma entrega transforma-se em uma luta desesperada pela sobrevivência. Cercado por criaturas mutantes e por pessoas contaminadas, Bryan precisa encontrar uma maneira de atravessar uma noite de caos e escapar com vida. Sem ser um soldado ou um agente especialmente treinado, ele é obrigado a improvisar e utilizar tudo o que possui para enfrentar a ameaça. Enquanto tenta compreender o que aconteceu naquele lugar, descobre que o surto pode estar relacionado a acontecimentos muito maiores do que imaginava. A história acompanha sua corrida contra o tempo em um ambiente cada vez mais perigoso, recuperando o clima de horror e sobrevivência associado aos jogos da série.

Comentários: 
Resident Evil marca uma nova tentativa de levar a famosa franquia dos videogames para o cinema, mas apresenta uma história completamente diferente da série protagonizada por Milla Jovovich. Zach Cregger, diretor de Barbarian e Weapons, assumiu a direção e também escreveu o roteiro ao lado de Shay Hatten. A proposta é retornar ao horror de sobrevivência, privilegiando uma experiência mais próxima da tensão e da vulnerabilidade presentes nos jogos. Austin Abrams interpreta Bryan, o protagonista que se vê inesperadamente envolvido no surto, enquanto Zach Cherry, Kali Reis e Paul Walter Hauser completam o elenco principal. O filme foi lançado nos cinemas dos Estados Unidos em 18 de setembro de 2026, com classificação R devido à violência sangrenta, gore e linguagem. Com cerca de 1 hora e 34 minutos de duração, a produção também foi filmada para exibição em IMAX. A Sony descreve o longa como uma reinvenção da franquia, com uma história inédita e uma noite de sobrevivência marcada pelo caos.

A recepção crítica foi surpreendentemente positiva e marcou uma mudança em relação às adaptações cinematográficas anteriores. O Rotten Tomatoes registra atualmente 96% de aprovação da crítica, com mais de 280 avaliações, destacando principalmente a atmosfera de terror, o ritmo e a maneira como Cregger transforma elementos típicos dos videogames em uma experiência cinematográfica. A publicação também aponta que o humor de Austin Abrams ajuda a equilibrar os momentos mais assustadores da história. O filme também teve uma boa recepção junto ao público, com 91% de aprovação na mesma plataforma. Comercialmente, a produção já ultrapassou US$ 100 milhões na bilheteria norte-americana, demonstrando que a franquia continua atraindo espectadores. Resident Evil representa, portanto, uma ruptura significativa com os seis filmes anteriores, abandonando Alice e sua história para apresentar um novo protagonista e uma abordagem mais próxima do horror. Mesmo utilizando o nome e o universo da franquia, o longa procura funcionar como uma nova porta de entrada para o público e como uma adaptação mais diretamente inspirada na sensação de jogar um survival horror.

Erick Steve. 

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Resident Evil: Bem-Vindo a Raccoon City

Título no Brasil: Resident Evil: Bem-Vindo a Raccoon City
Título Original: Resident Evil: Welcome to Raccoon City
Ano de Lançamento: 2021
País: Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido
Estúdio: Constantin Film 
Direção: Johannes Roberts
Roteiro: Johannes Roberts
Elenco: Kaya Scodelario, Hannah John-Kamen, Robbie Amell, Tom Hopper, Avan Jogia, Donal Logue, Neal McDonough, Lily Gao e Marina Mazepa.

Sinopse: 
Em 1998, Raccoon City é uma cidade em decadência depois que a poderosa Umbrella Corporation abandona suas instalações na região. Claire Redfield retorna à cidade para investigar os acontecimentos envolvendo a empresa e tentar descobrir a verdade sobre o desaparecimento de várias pessoas. Seu irmão, Chris Redfield, trabalha como policial e integra a equipe dos S.T.A.R.S., que recebe a missão de investigar acontecimentos estranhos na propriedade Spencer. Enquanto isso, Jill Valentine e Albert Wesker também são envolvidos na investigação. Aos poucos, os personagens descobrem que os experimentos realizados pela Umbrella Corporation provocaram uma terrível catástrofe. O vírus liberado nas instalações começa a transformar pessoas em criaturas violentas e ameaça toda a população. Claire, Chris, Jill, Wesker e Leon S. Kennedy precisam atravessar uma cidade tomada pelo caos enquanto procuram uma maneira de sobreviver. A investigação leva os personagens à Mansão Spencer e aos laboratórios subterrâneos da Umbrella, onde eles descobrem a verdadeira dimensão do desastre.

Comentários: 
Resident Evil: Bem-Vindo a Raccoon City representa uma tentativa de reiniciar no cinema a franquia baseada nos famosos jogos da Capcom. Diferentemente dos seis filmes protagonizados por Milla Jovovich, esta produção abandona a personagem Alice e procura adaptar diretamente elementos dos dois primeiros jogos da série. Johannes Roberts escreveu e dirigiu o filme com a intenção de aproximá-lo do clima de horror e sobrevivência dos videogames. Kaya Scodelario interpreta Claire Redfield, enquanto Robbie Amell assume o papel de Chris Redfield. Hannah John-Kamen interpreta Jill Valentine, Tom Hopper vive Albert Wesker e Avan Jogia aparece como Leon S. Kennedy. Donal Logue e Neal McDonough também participam como o chefe Brian Irons e o cientista William Birkin, respectivamente. A produção recria ambientes bastante conhecidos pelos jogadores, principalmente a Mansão Spencer, a delegacia de Raccoon City e os laboratórios da Umbrella. Com 107 minutos de duração, o filme estreou em novembro de 2021 e recebeu classificação R nos Estados Unidos.

A recepção crítica foi bastante dividida, com elogios principalmente à tentativa de ser mais fiel aos jogos, mas críticas ao roteiro, aos efeitos visuais e a algumas escolhas do elenco. O filme teve orçamento estimado em US$ 25 milhões e arrecadou aproximadamente US$ 41,9 milhões mundialmente, resultado considerado insuficiente para estabelecer uma nova série cinematográfica. Apesar do desempenho comercial modesto, a produção ganhou atenção entre os fãs por recuperar personagens, locais e situações diretamente reconhecíveis dos primeiros jogos. A combinação da Mansão Spencer com a delegacia de Raccoon City cria uma atmosfera mais próxima do horror de sobrevivência que marcou a franquia nos videogames. A presença de criaturas como os zumbis, cães infectados e outras experiências da Umbrella também reforça essa ligação. O filme acabou funcionando como um reboot independente, mas não recebeu uma continuação imediata. Atualmente, Resident Evil: Bem-Vindo a Raccoon City permanece como uma curiosa tentativa de aproximar os filmes dos jogos originais, especialmente por apresentar novamente personagens como Claire, Chris, Jill, Leon e Wesker.

Erick Steve.

Resident Evil 6: O Capítulo Final

Título no Brasil: Resident Evil 6: O Capítulo Final
Título Original: Resident Evil: The Final Chapter
Ano de Lançamento: 2016
País: Estados Unidos, Alemanha e Canadá
Estúdio: Constantin Film 
Direção: Paul W. S. Anderson
Roteiro: Paul W. S. Anderson
Elenco: Milla Jovovich, Ali Larter, Iain Glen, Shawn Roberts, Ruby Rose, Eoin Macken, William Levy, Fraser James, Rola, Lee Joon-gi e Ever Anderson.

Sinopse: 
Depois dos acontecimentos de Resident Evil 5: Retribuição, Alice retorna a Raccoon City para participar da batalha definitiva contra a Umbrella Corporation. A humanidade está praticamente à beira da extinção, e o T-vírus continua transformando sobreviventes em zumbis e outras criaturas monstruosas. Alice descobre que existe uma última chance de impedir a destruição completa da humanidade: voltar ao local onde tudo começou, o complexo subterrâneo conhecido como Colmeia. Antes de chegar lá, porém, ela precisa atravessar uma cidade devastada e enfrentar hordas de criaturas, armadilhas e soldados da Umbrella. Ao lado de Claire Redfield e de outros sobreviventes, Alice descobre novos segredos sobre a origem do vírus e sobre sua própria história. A batalha também coloca novamente frente a frente Alice e o Dr. Alexander Isaacs, um dos principais responsáveis pelo desastre. Durante a missão, Alice começa a descobrir verdades sobre seu passado que mudam completamente aquilo que acreditava saber sobre si mesma. A luta final dentro da Colmeia se transforma, assim, não apenas em uma batalha pela sobrevivência, mas também na conclusão da guerra iniciada no primeiro filme.

Comentários: 
Resident Evil 6: O Capítulo Final encerra a série de filmes protagonizada por Milla Jovovich como Alice e marca o retorno de Paul W. S. Anderson à direção. A produção procura reunir elementos apresentados ao longo dos cinco filmes anteriores e levar a história novamente ao lugar onde tudo começou. Milla Jovovich retorna ao papel principal, enquanto Ali Larter ganha grande importância como Claire Redfield. Iain Glen volta como Dr. Isaacs, e Shawn Roberts retorna como Albert Wesker. Entre as novidades estão Ruby Rose, Eoin Macken e William Levy, além de Ever Anderson, filha de Milla Jovovich e Paul W. S. Anderson, interpretando a jovem Alicia Marcus e a Rainha Vermelha. O filme foi rodado principalmente na África do Sul e utiliza uma fotografia escura e movimentada, característica da franquia. Com aproximadamente 107 minutos de duração, a produção aposta principalmente em ação, horror, perseguições e batalhas contra zumbis e criaturas mutantes. Embora tenha sido lançado no Japão em dezembro de 2016, sua estreia nos Estados Unidos ocorreu em janeiro de 2017.

A recepção crítica continuou dividida, mas o filme teve um desempenho comercial muito expressivo. No Rotten Tomatoes, The Final Chapter registra atualmente 39% de aprovação da crítica, e o consenso considera que o filme pode parecer caótico para quem não acompanha a franquia, embora ofereça uma conclusão bastante movimentada para os fãs. Comercialmente, porém, foi um grande sucesso: arrecadou aproximadamente US$ 312,2 milhões em todo o mundo, diante de um orçamento estimado em US$ 40 milhões, tornando-se o filme de maior bilheteria da série de Alice. A produção também procura finalmente explicar alguns dos grandes mistérios da franquia e revelar a verdadeira ligação de Alice com Alicia Marcus, a origem do vírus e a Umbrella Corporation. Mesmo recebendo críticas principalmente pelo excesso de ação e pela montagem acelerada, o longa conseguiu entregar ao público uma conclusão definitiva para a história iniciada em 2002. Com isso, Resident Evil: O Capítulo Final encerrou uma das franquias cinematográficas de terror e ação mais duradouras do século XXI e deixou Alice como uma das personagens femininas mais reconhecidas do gênero.

Erick Steve.