quarta-feira, 16 de setembro de 2026

A Condessa

A Condessa
 Bathory (Julie Delpy) é uma condessa húngara que se torna obcecada por beleza e juventude. Tentando a todo modo permanecer sempre jovial e bonita ela começa a se tornar ávida por sangue humano pois acredita ser esse um excelente modo de se manter sempre jovem e bela. Em sua mente perturbada nada seria mais rejuvenescedor do que tomar um grande banho de sangue humano em sua banheira imperial, hábito que logo cultivaria com frequência em seu castelo isolado. Em busca de mais e mais sangue de jovens donzelas ela começa a assassinar jovens criadas de seu próprio quadro de serviçais. Não satisfeita e sem ter mais a quem matar entre sua criadagem, ela começa a sumir com jovens nobres da sociedade. O fato logo chega aos ouvidos do Rei que alarmado envia um nobre de alta estirpe para investigar o caso. Por mais bizarra e surreal que pareça a história da Condessa Bathory esse foi um fato real acontecido no século XVI na chamada Europa Central. Seus crimes se tornaram famosos pois estima-se que a nobre tenha levado à morte mais de 600 jovens mulheres que viviam em seu feudo. O filme é bem fiel aos acontecimentos porém há relatos de que a Condessa real foi ainda mais sanguinária do que a mostrada na tela. Muitos livros históricos afirmam que ela na realidade sofria de uma grave doença mental que a fazia sentir enorme prazer em ver outras pessoas sendo torturadas e mortas ao seu lado. Ela mantinha um calabouço de torturas onde promovia mortes horríveis a todas as jovens que conseguia capturar.

Sua história macabra inspirou várias lendas ao longo dos séculos, inclusive o próprio Drácula dos livros de ficção. Bram Stoker ficou particularmente interessado na sede de sangue da Condessa e por isso trouxe ao seu monstro vampiro a necessidade de sempre se alimentar de sangue humano. Anos depois do sucesso do livro de Stoker a própria nobre húngara recebeu o título de "Condessa Drácula" numa fina ironia do destino. Ao mesmo tempo em que influenciou a criação do personagem foi batizada pelo nome do mais famoso vampiro da história. O elenco em cena está bem inspirado, principalmente William Hurt dando show de interpretação no papel do nobre Gyorgy Thurzo. Em uma época em que a nobreza estava acima da lei ele teve a sensatez de encarcerar a psicótica Condessa em seu castelo até o fim de sua vida. Já Julie Delpy está perfeita como a desequilibrada Erzebet Bathory, uma mulher completamente obcecada pela beleza e juventude eternas que apaixonada por um homem bem mais jovem do que ela não mede esforços para consumar essa relação. A produção é um projeto pessoal de Julie Delpy que não apenas estrelou o filme como também dirigiu e escreveu seu roteiro. O resultado é de excelente nível. Um filme que mostra que a despeito de toda a nossa cultura e civilização ainda existe em certas pessoas uma perversidade intrínseca, que não consegue ser detida. Assista "A Condessa" e conheça um pouco mais sobre o lado mais macabro da alma humana.

A Condessa (The Countess, Estados Unidos, França, Alemanha, 2009) Direção: Julie Delpy / Roteiro: Julie Delpy / Elenco: Julie Delpy, William Hurt, Daniel Brühl, Anamaria Marinca / Sinopse: Erzebet Bathory (Julie Delpy) é uma condessa húngara que se torna obcecada por beleza e juventude. Tentando a todo modo permanecer sempre jovial e bonita ela começa a se tornar ávida por sangue humano pois acredita ser esse um excelente modo de se manter sempre jovem e bela. Em sua mente perturbada nada seria mais rejuvenescedor do que tomar um grande banho de sangue humano em sua banheira imperial, hábito que logo cultivaria com frequência em seu castelo isolado. Em busca de mais e mais sangue de jovens donzelas ela começa a assassinar jovens criadas de seu próprio quadro de serviçais.

Pablo Aluísio.

Romasanta - A Casa da Besta

Título no Brasil: Romasanta - A Casa da Besta
Título Original: Romasanta
Ano de Produção: 2004
País: Espanha, Inglaterra
Estúdio: Fantastic Factory (Filmax)
Direção: Paco Plaza
Roteiro: Alfredo Conde, Elena Serra
Elenco: Julian Sands, Elsa Pataky, John Sharian, Maru Valdivielso
  
Sinopse:
Corpos mutilados são encontrados na zona rural de uma região remota da Espanha no século XIX. Após investigações a polícia chega até Manuel Romasanta (Julian Sands) que afirma não ter culpa pelas mortes. Embora ele esconda parte da verdade não estaria mentindo pois por causa de uma maldição se transforma em um lobisomem em noites de lua cheia, sendo o monstro o verdadeiro culpado pelas mortes em série. Filme indicado nas categorias de Melhor Direção e Melhor Edição no Barcelona Film Awards.

Comentários:
"Romasanta" é mais um filme que tem como tema a antiga mitologia dos lobisomens (para alguns essa lenda seria na verdade parte do folclore de inúmeros países, inclusive o Brasil). Ao longo dos anos essa criatura tem sido tema de inúmeros filmes, alguns deles considerados clássicos hoje em dia. Infelizmente esse parece ser um passado remoto já que atualmente os Licantropos andam sofrendo um bocado nas telas. É uma sucessão sem fim de filmes bem ruins. De todos os monstros clássicos, os lobisomens são os que mais sofrem com produções pobres, roteiros medíocres, maquiagens capengas etc. Virou um nicho bem lucrativo no meio da produção trash de filmes de terror. Só de antemão me lembro de alguns filmes bem ruins enfocando eles, como por exemplo, "Skinwalkers", "Wolvesbayne" entre outros. Nada valendo a pena. Esse "Romasanta" tenta trazer algo de novo ao estilo. Primeiramente é importante citar que o filme foi baseado num fato real ocorrido na Espanha há 200 anos. Houve um serial killer chamado Manuel Romasanta que foi preso e virou objeto de estudo (que acabaria levando a catalogação da doença chamada Licantropia). Ele justificou seus crimes afirmando que se transformava em um lobo. Claro que isso era apenas um distúrbio psicológico já que ele obviamente não virava um lobo. O fato histórico é curioso e mantém o interesse, mas o filme equivocadamente abraça o realismo fantástico, colocando Romasanta como um lobisomem de fato, real. E ai está o grande problema do filme. Se tivesse mantido os pés no chão, apenas retratando o caso de um ponto de vista racional e historicamente correto o filme seria muito mais relevante e interessante. Do jeito que ficou apelou para o sensacionalismo e perdeu pontos. "Romasanta" tem uma produção modesta, problemas de roteiro, mas mesmo assim consegue manter o interesse. Não é dos melhores filmes sobre o tema, mas também não é dos piores. Para quem gosta de conhecer histórias de serial killers do passado pode até mesmo se tornar informativo.

Pablo Aluísio.

Colega de Quarto

Colega de Quarto
Jovem estudante (Laighton Messter) se torna obcecada por sua colega de quarto (Minka Kelly) e começa a interferir de forma violenta em sua vida pessoal. O filme não é tão ruim como eu esperava. Tem coisas boas em um roteiro simples, tipicamente escrito para produções B de suspense. As duas atrizes, Minka Kelly e Leighton Meester, são estrelinhas da tv e não fizeram muito feio. A Leighton já desfila sua cara de "gatinha malvada" no seriado teen "Gossip Girl" e por isso ela de certa forma apenas repetiu os biquinhos e caras de malvadinha do seriado. Já a Minka Kelly faz a garota normal da dupla. Sobrou ponta até para outra estrelinha, Nina Dobrev de The Vampire Diaries.

Completando o elenco um presente para os fãs de Titanic, a presença de Billy Zane, fazendo o papel de um professor de moda que ora aparenta ser gay, ora parece ser "pegador". Um personagem divertido. Enfim, o filme não é nenhuma maravilha do gênero suspense, tem clichês a torta e a direita (até cena de ataque de psicopata no chuveiro como em Psicose tem) e cara de produção que vai parar direto em DVD mesmo, mas consegue manter o interesse por causa do elenco de gatinhas com olhos de mangá! É um "Greek encontra Pânico" no final das contas. Para os que gostam de seriados americanos não deixa de ser no mínimo curioso.

Colega de Quarto (The Roommate, Estados Unidos, 2011) Direção: Christian E. Christiansen / Roteiro: Sonny Mallhi, Nick Bylsma / Elenco: Minka Kelly, Leighton Meester, Cam Gigandet / Jovem estudante (Laighton Messter) se torna obcecada por sua colega de quarto (Minka Kelly) e começa a interferir de forma violenta em sua vida pessoal.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Ed Gein

Título no Brasil: Ed Gein
Título Original: Ed Gein - The Butcher of Plainfield
Ano de Produção: 2007
País: Estados Unidos
Estúdio: North American Entertainment
Direção: Michael Feifer
Roteiro: Michael Feifer
Elenco: Kane Hodder, Adrienne Frantz, Michael Berryman

Sinopse:
Filme baseado na história real do psicopata Ed Gein (1906 - 1984). Esse criminoso se tornou muito conhecido nos Estados Unidos por causa de seus horríveis métodos de tortura e violência que causava em suas vítimas. Criado no meio rural, completamente isolado e reprimido por uma mãe severa e fanática religiosa, Gein deu vazão ao seu lado mais sombrio após seus familiares morrerem de forma natural. Isolado numa fazenda distante e escondida, ele começou a transformar o local em um show de horrores com mortes, mutilações e atos insanos praticados com os corpos das pessoas que matava.

Comentários:
Esse infame psicopata já tinha sido tema de um filme em 2000 chamado "Ed Gein - O Serial Killer" (ainda trataremos futuramente sobre esse filme aqui no blog), quando em 2007 resolveu-se levar sua terrível história novamente para as telas. Ed Gein é um caso curioso porque embora ele tenha servido de modelo para vários psicopatas famosos do cinema (como Norman Bates de "Psicose", por exemplo) nunca ganhou um grande filme retratando sua história real. Aqui novamente temos uma produção de baixo orçamento que a despeito de seus poucos recursos consegue ao menos contar os eventos principais da vida do criminoso com eficiência. Como se sabe Gein virou uma espécie de "modelo" para o FBI pois ele trazia todas as principais características que acabam moldando um assassino serial como abusos na infância, educação repressiva e muito violenta, além de isolamento social. Dizem que após ser preso, Ed virou um detento símbolo de bom comportamento na prisão onde morreu. Ele tinha um temperamento muito tímido e retraído o que mostra como complexa é a mente humana pois quando estava com suas vítimas se comportava como um verdadeiro predador demente e enlouquecido, nada parecido com o prisioneiro pacato e de fala mansa que se tornou atrás das grades. Assim, embora "Ed Gein - The Butcher of Plainfield" não seja um grande filme sob o ponto de vista unicamente cinematográfico, vale ao menos ser assistido pelo menos uma vez  para se conhecer mais de perto esse insano e violento personagem do mundo real.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

O Massacre da Serra Elétrica - O Retorno de Leatherface

Temos aqui mais um filme da franquia de terror "Texas Chainsaw Massacre". É de se impressionar como uma linha de filmes que surgiu no distante ano de 1974 ainda desperte interesse dos mais jovens. Agora a produção é assinada pela Netflix. O interessante é que esse filme não é o único mais recente. Eu me recordo de pelo menos outros dois filmes da mesma marca que foram lançados há pouco tempo. E o mais estranho de tudo é que no geral não são filmes ruins, pelo contrário, conseguem manter um certo padrão de qualidade. Esse não foge à regra. Apesar do roteiro simples me senti perfeitamente satisfeito quando o filme chegou ao fim. Ele tem um clima retrô que me lembrou filmes de terror dos anos 80. O Leatherface assusta porque é completamente demente. Inspirado em um serial killer americano chamado Ed Gein, ele usa o rosto das vítimas em sua face! Isso, por si só, já é algo que impressiona ainda hoje o público em geral!

E, para surpresa geral, também tem boas sequências. Aqui eu destaco a cena do massacre no meio da plantação de roseiras amarelas. Para quem não sabe o símbolo do Texas é a rosa amarela. Violento ao extremo, a cena também lida muito bem com o suspense. E aquela "obra de arte" que o Leatherface faz com uma de suas vítimas é simplesmente assustadora! Outra cena que gostei foi a da carnificina no ônibus. Essa tem um diálogo para cair na gargalhada. Quando Leatherface entra no veículo um sujeito, tipicamente um desses riquinhos progressistas, diz a ele: "Veja lá o que você vai fazer hein! Qualquer coisa nos vamos te cancelar na net!". Não deu para segurar a risada depois dessa! Enfim, curti mesmo essa volta do Leatherface, um dos mais doentes psicopatas que já surgiram no cinema. Prepare-se para o banho de sangue e... divirta-se!

O Massacre da Serra Elétrica - O Retorno de Leatherface (Texas Chainsaw Massacre, Estados Unidos,2022) Direção: David Blue Garcia / Roteiro: Chris Thomas Devlin, Fede Alvarez / Elenco: Sarah Yarkin, Elsie Fisher, Mark Burnham / Sinopse: Após a morte de sua cuidadora, uma mulher que o criou desde os tempos de orfanato, Leatherface parte para a vingança sangrenta. O alvo dessa vez é um bando de pessoas da cidade grande, que vieram comprar tudo numa velha cidade abandonada do Texas, a mesma onde o psicopata agora vive, escondido de todos. A matança vai começar!

Pablo Aluísio.

Leatherface

Leatherface
Esse foi um dos últimos trabalhos do cineasta Tobe Hooper, falecido recentemente. Ele não dirigiu o filme, apenas o produziu e deu algumas sugestões ao roteiro. A fita é uma nova tentativa de levar em frente a franquia "O Massacre da Serra Elétrica", só que ao invés de seguir contando a história da infame família assassina, o roteiro volta no tempo, para mostrar as origens de Leatherface, o mais violento e insano membro do clã. Assim somos levados até os anos 1950. A família Sawyer vive em uma pequena fazenda decadente e perdida no meio do Texas. São violentos, sádicos e mentalmente perturbados. Quando o jovem caçula faz aniversário eles levam um ladrão de porcos da região para ser torturado ao lado do bolo com velinhas. Mais alucinado do que isso impossível.

Depois passam dos limites quando matam e torturam a adolescente filha do xerife Hal Hartman (Stephen Dorff). O policial não consegue provas contra todos, mas tem uma vitória ao enviar os dois filhos mais jovens daquela família assassina ao reformatório especializado em jovens criminosos que são diagnosticados com problemas mentais. Jared, o futuro Leatherface, assim cresce nesse manicômio judiciário juvenil. Após dez anos de sua internação há uma rebelião na instituição e ele finalmente ganha a liberdade. Ele foge com outros internos, psicopatas jovens, que logo espalham terror pelas estradas e fazendas por onde passam. Para capturá-los vai novamente o xerife Hartman, só que agora ele pretende matar todos eles, sem se importar com a lei.

Como não poderia deixar de ser o filme é bem violento. Essa franquia nunca foi conhecida pela sutileza, muito pelo contrário, sempre foi sanguinária ao extremo. O problema é que o roteiro não avança muito em sua proposta original. É certo que saber o começo da vida do monstruoso  Leatherface seria algo bem interessante para os fãs de terror, mas aqui eles não conseguiram desenvolver muito esse personagem. Ele, sob supervisão médica, até consegue avanços, se torna uma pessoa melhor, até se apaixona e defende uma jovem enfermeira no reformatório, mas uma vez solto e sem medicação se torna novamente um louco feroz. A volta ao convívio com sua família (uma quadrilha de caipiras insanos) só piora tudo. O clímax acontece justamente quando ele usa pela primeira vez a serra elétrica para trucidar duas vítimas. Poderia ser uma cena de alto impacto, mas achei bem banal. Então é isso, um novo filme que tenta revitalizar uma antiga franquia, com resultados bem modestos.

Leatherface (Estados Unidos, 2017) Direção: Alexandre Bustillo, Julien Maury / Roteiro: Seth M. Sherwood, Tobe Hooper, Kim Henkel / Elenco: Stephen Dorff, Lili Taylor, Sam Strike, Vanessa Grasse, Sam Coleman / Sinopse: Após a morte violenta da adorável filha adolescente do xerife, o jovem Jared Sawyer (Strike) é enviado para um manicômio juvenil onde fica internado por dez anos. Após uma rebelião de internos ele consegue fugir ao lado de outros malucos violentos. Juntos, pelas estradas do Texas, causam terror e massacres sanguinários por onde passam.

Pablo Aluísio.

O Massacre da Serra Elétrica (2003)

Título no Brasil: O Massacre da Serra Elétrica
Título Original: The Texas Chainsaw Massacre
Ano de Produção: 2003
País: Estados Unidos
Estúdio: New Line Cinema
Direção: Marcus Nispel
Roteiro: Kim Henkel, Tobe Hooper
Elenco: Jessica Biel, Jonathan Tucker, Andrew Bryniarski, Mike Vogel, Eric Balfour, R. Lee Ermey

Sinopse:
Depois de pegar carona com um desconhecido, uma jovem traumatizada e outros cinco amigos, são perseguidos e caçados por um psicopata violento e deformado, que usa uma serra elétrica para atacar suas vítimas. Pior do que isso, ele não está sozinho. Na realidade o assassino faz parte de uma família de parentes igualmente psicopatas. Filme indicado ao Fangoria Chainsaw Awards.

Comentários:
O primeiro filme já é considerado um cult movie do estilo gore. Feito com poucos recursos, acabou marcando época por causa da violência de suas cenas, em uma época em que isso não era comum no cinema. Depois de algumas continuações bem fracas, se decidiu voltar para a história original. E assim foi produzido esse remake em 2003. Esse tipo de filme de terror tem de ser bem mais cru, violento, sujo mesmo. O primeiro filme era de uma brutalidade fenomenal. E também era uma produção classe Z, cheirando a filme feito no quintal, o que trazia ainda mais veracidade para as atrocidades que surgiam na tela. Esse remake é, digamos, muito polido, muito bem produzido, limpinho, enfim. Não é o tipo de produção que agradaria aos fãs desse estilo de horror insano. Por isso devo dizer que os produtores erraram a mão nesse aspecto, fazendo uma nova versão muito clean. Por outro lado, se o espectador não é aquele tipo de fã de nicho mais radical, que adora o lema "quanto pior, melhor", quem sabe pode até gostar. É uma questão de ponto de vista mesmo, baseado no gosto pessoal de cada um. De minha parte achei um filme até interessante, até porque o original hoje em dia já não é tão fácil de encontrar. Para quem deseja conhecer a história do assassino Leatherface pode até ser uma boa opção. 

Pablo Aluísio.

O Massacre da Serra Elétrica 3

Título no Brasil: O Massacre da Serra Elétrica 3
Título Original: Leatherface Texas Chainsaw Massacre III
Ano de Produção: 1990
País: Estados Unidos
Estúdio: New Line Cinema
Direção: Jeff Burr
Roteiro: Kim Henkel, Tobe Hooper
Elenco: Kate Hodge, Ken Foree, R.A. Mihailoff, Viggo Mortensen

Sinopse:
Um grupo de jovens desavisados acabam encontrando uma família estranha formada por caipiras selvagens e um homem mentalmente perturbado que pratica canibalismo com suas vítimas. Terceira parte da franquia Texas Chainsaw Massacre com destaque no roteiro para o infame personagem Leatherface.

Comentários:
O primeiro filme da série "Texas Chainsaw Massacre" é considerado hoje em dia um clássico do cinema de horror dos anos 70, mesmo com toda a sua rudeza e crueza. A sequência foi praticamente uma sátira, com toques de humor, realizado nos anos 80, que pegou carona nos sucessos da época como a franquia "Sexta-Feira 13" e por fim temos esse aqui, a terceira parte, que se tornou apenas uma decepção para os fãs. Chamo atenção para o fato desse filme ter sido produzido nos anos 90. Ora, todo fã de terror sabe que houve uma mudança significativa no gênero na virada dos anos 80 para os 90. Os filmes deixaram o lado mais hardcore para trás, se concentrando em meras reciclagens pops de antigas ideias sangrentas dos mestres do horror. O que surgiu disso foi uma série de fitas com adolescentes bobocas fazendo sátiras em cima dos clichês do gênero. Isso sim era um horror (no mau sentido da palavra). Por isso não havia mais espaço para personagens como Leatherface, afinal ele não se parecia em nada com um mauricinho de shopping center. O que se vê nessa terceira parte é apenas o esgotamento de uma boa ideia. Produção muito fraca com roteiro inexistente e atores medíocres (até o futuro astro Viggo Mortensen arranjou um quebra galho por aqui!). O fim da franquia original estava próxima, ainda tentariam ressuscitar tudo, quatro anos depois, mas a quarta parte conseguiu ser ainda pior! A série estava mesmo com seus dias contados.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno

Título no Brasil: Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno
Título Original: Return to Silent Hill
Ano de Lançamento: 2026
País: Estados Unidos / França / Japão
Direção: Christophe Gans
Roteiro: Christophe Gans, Sandra Vo-Anh e William Josef Schneider
Baseado no jogo: Silent Hill 2, da Konami
Elenco: Jeremy Irvine, Hannah Emily Anderson, Evie Templeton, Robert Strange e Pearse Egan.
Duração: 106 minutos.

Sinopse:
Retorno a Silent Hill acompanha James Sunderland, interpretado por Jeremy Irvine, um homem consumido pela dor e pela lembrança de Mary, seu grande amor, que morreu em circunstâncias traumáticas. Certo dia, James recebe uma misteriosa carta aparentemente escrita por Mary, convidando-o a retornar à cidade de Silent Hill, lugar associado ao passado dos dois. Dominado pela esperança de reencontrá-la, ele parte para a cidade, mas encontra um ambiente completamente transformado pelas forças sobrenaturais que dominam aquele lugar. A névoa, a escuridão e criaturas monstruosas passam a cercá-lo enquanto James procura desesperadamente por Mary. À medida que avança pela cidade, a realidade começa a se fragmentar e suas lembranças passam a se misturar com acontecimentos sobrenaturais. O protagonista precisa enfrentar não apenas monstros como Pyramid Head, mas também os próprios sentimentos de culpa, perda e arrependimento que o perseguem. Inspirado principalmente no célebre videogame Silent Hill 2, o filme procura transformar a história de James em uma experiência de horror psicológico, na qual a cidade funciona como uma manifestação dos seus conflitos interiores.

Comentários:
A recepção crítica de Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno foi predominantemente negativa, embora alguns críticos tenham reconhecido méritos importantes na atmosfera e na recriação visual do universo do jogo. O The New York Times, em crítica de Beatrice Loayza, avaliou o filme com apenas 30/100 e observou que a produção aumenta consideravelmente o nível de caos em relação ao primeiro longa, mas não consegue transformar essa confusão em uma experiência realmente envolvente. A Variety e outras publicações especializadas também identificaram problemas na narrativa e na dificuldade do roteiro em equilibrar fidelidade ao jogo e liberdade cinematográfica. O IGN atribuiu 50/100 e considerou que o filme não consegue fazer aquilo que o material original já realizava de maneira muito mais eficiente. Já a Seattle Times reconheceu que o longa está longe da força do videogame, mas considerou que ainda existem elementos suficientes para justificar uma nova visita à cidade. O RogerEbert.com, por sua vez, foi mais moderado, atribuindo 63/100 e reconhecendo que Christophe Gans recupera parte da atmosfera melancólica e perturbadora do primeiro filme. Entre os aspectos mais elogiados estão a fotografia, os cenários, as criaturas e a tentativa de reproduzir visualmente momentos marcantes de Silent Hill 2. A Little White Lies foi uma das exceções mais favoráveis, atribuindo 70/100 e observando que o filme consegue reproduzir de maneira curiosamente convincente a atmosfera estranha e artificial de um jogo de PlayStation 2.

Entretanto, a maior parte da imprensa americana considerou que a produção não conseguiu transportar para o cinema a complexidade psicológica de Silent Hill 2. O IndieWire foi particularmente severo, classificando o filme com 16/100 e afirmando que a produção desperdiça a oportunidade de adaptar um dos mundos psicologicamente mais sofisticados dos videogames. A Collider deu apenas 30/100, criticando a direção, as atuações e principalmente a aparência artificial de determinadas sequências. A Empire também foi negativa, atribuindo duas estrelas de cinco e afirmando que os fãs mais dedicados poderiam gostar de ver novamente os monstros de Silent Hill na tela grande, mas que o filme dificilmente provocaria medo. O Rotten Tomatoes consolidou essa divisão: o filme aparece com apenas 18% de aprovação da crítica, enquanto a aprovação do público fica em 28%, indicando que nem mesmo os fãs receberam a produção de maneira particularmente calorosa. O Metacritic registra 34/100, classificando a recepção como "Generally Unfavorable". Ainda assim, o retorno de Christophe Gans à franquia, vinte anos depois do primeiro Silent Hill, possui importância histórica, principalmente porque o diretor voltou a trabalhar diretamente com o universo que ajudou a levar ao cinema em 2006. O filme também possui interesse para os admiradores da franquia por reproduzir personagens e criaturas diretamente associados ao segundo jogo, incluindo Pyramid Head. Apesar das críticas ao roteiro, aos efeitos digitais e à falta de profundidade emocional, Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno consegue preservar parte da estética nebulosa, decadente e surreal que tornou a série de jogos tão famosa. No fim, porém, prevaleceu entre os críticos a sensação de que a aparência de Silent Hill está presente, mas sua essência psicológica ficou pelo caminho.

Erick Steve. 

O Massacre da Serra Elétrica 2

Título no Brasil: O Massacre da Serra Elétrica 2
Título Original: The Texas Chainsaw Massacre 2
Ano de Produção: 1986
País: Estados Unidos
Estúdio: Cannon Films
Direção: Tobe Hooper
Roteiro: L.M. Kit Carson, Tobe Hooper
Elenco: Dennis Hopper, Caroline Williams, Jim Siedow
 
Sinopse:
Durante uma transmissão de rádio da programação local um DJ fica chocado ao receber o telefonema de dois marginais que lhe passam uma gravação do que parece ser a morte de duas crianças pelo psicopata Leatherface, o infame serial killer que matava suas vítimas com uma serra elétrica. O xerife local então decide começar sua investigação para colocar as mãos nos autores da gravação, algo que lhe revelará um mundo doentio e perturbador nos cafundós do Texas. Filme indicado ao prêmio Fantasporto na categoria de Melhor Filme de terror.

Comentários:
No auge do sucesso da Cannon, produtora bem conhecida nos anos 80 por causa de seus filmes de ação com Chuck Norris. a empresa resolveu apostar também no terror, ressuscitando antigas franquias. Foi o que aconteceu com "The Texas Chainsaw Massacre". O primeiro filme havia virado um cult movie nas locadoras, então os produtores entenderam que era uma boa oportunidade de reviver o antigo clima de sangue e tripas nas telas. Pessoalmente não gosto muito dessa continuação porque ela foi afetada por uma modinha da época em se misturar terror com comédia. "A Hora do Espanto" se tornou um grande sucesso de bilheteria e sua fórmula acabou sendo copiada à exaustão, nem sempre com resultado positivos. A piada já começa no poster, onde os personagens sanguinários do filme posam tal como os adolescentes do sucesso de John Hughes, "O Clube dos Cinco". O resto vai pela mesma linha engraçadinha, o que nem sempre dá certo. Dennis Hopper também acaba virando uma caricatura de si mesmo nessa produção. Ator símbolo da contra cultura dos anos 60 ele acabou embarcando no filme sem muita razão de ser, talvez apenas para emprestar seu nome conhecido (o único do elenco) para ajudar na promoção do filme. Há certamente boas cenas de terror, mas no geral não consigo mesmo gostar muito, nem mesmo em revisões mais atuais. O humor aqui estragou parte do potencial da fita. Uma bola fora na filmografia do (quase) sempre correto Tobe Hooper.

Pablo Aluísio.