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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Leatherface

Leatherface
Esse foi um dos últimos trabalhos do cineasta Tobe Hooper, falecido recentemente. Ele não dirigiu o filme, apenas o produziu e deu algumas sugestões ao roteiro. A fita é uma nova tentativa de levar em frente a franquia "O Massacre da Serra Elétrica", só que ao invés de seguir contando a história da infame família assassina, o roteiro volta no tempo, para mostrar as origens de Leatherface, o mais violento e insano membro do clã. Assim somos levados até os anos 1950. A família Sawyer vive em uma pequena fazenda decadente e perdida no meio do Texas. São violentos, sádicos e mentalmente perturbados. Quando o jovem caçula faz aniversário eles levam um ladrão de porcos da região para ser torturado ao lado do bolo com velinhas. Mais alucinado do que isso impossível.

Depois passam dos limites quando matam e torturam a adolescente filha do xerife Hal Hartman (Stephen Dorff). O policial não consegue provas contra todos, mas tem uma vitória ao enviar os dois filhos mais jovens daquela família assassina ao reformatório especializado em jovens criminosos que são diagnosticados com problemas mentais. Jared, o futuro Leatherface, assim cresce nesse manicômio judiciário juvenil. Após dez anos de sua internação há uma rebelião na instituição e ele finalmente ganha a liberdade. Ele foge com outros internos, psicopatas jovens, que logo espalham terror pelas estradas e fazendas por onde passam. Para capturá-los vai novamente o xerife Hartman, só que agora ele pretende matar todos eles, sem se importar com a lei.

Como não poderia deixar de ser o filme é bem violento. Essa franquia nunca foi conhecida pela sutileza, muito pelo contrário, sempre foi sanguinária ao extremo. O problema é que o roteiro não avança muito em sua proposta original. É certo que saber o começo da vida do monstruoso  Leatherface seria algo bem interessante para os fãs de terror, mas aqui eles não conseguiram desenvolver muito esse personagem. Ele, sob supervisão médica, até consegue avanços, se torna uma pessoa melhor, até se apaixona e defende uma jovem enfermeira no reformatório, mas uma vez solto e sem medicação se torna novamente um louco feroz. A volta ao convívio com sua família (uma quadrilha de caipiras insanos) só piora tudo. O clímax acontece justamente quando ele usa pela primeira vez a serra elétrica para trucidar duas vítimas. Poderia ser uma cena de alto impacto, mas achei bem banal. Então é isso, um novo filme que tenta revitalizar uma antiga franquia, com resultados bem modestos.

Leatherface (Estados Unidos, 2017) Direção: Alexandre Bustillo, Julien Maury / Roteiro: Seth M. Sherwood, Tobe Hooper, Kim Henkel / Elenco: Stephen Dorff, Lili Taylor, Sam Strike, Vanessa Grasse, Sam Coleman / Sinopse: Após a morte violenta da adorável filha adolescente do xerife, o jovem Jared Sawyer (Strike) é enviado para um manicômio juvenil onde fica internado por dez anos. Após uma rebelião de internos ele consegue fugir ao lado de outros malucos violentos. Juntos, pelas estradas do Texas, causam terror e massacres sanguinários por onde passam.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

O Massacre da Serra Elétrica 2

Título no Brasil: O Massacre da Serra Elétrica 2
Título Original: The Texas Chainsaw Massacre 2
Ano de Produção: 1986
País: Estados Unidos
Estúdio: Cannon Films
Direção: Tobe Hooper
Roteiro: L.M. Kit Carson, Tobe Hooper
Elenco: Dennis Hopper, Caroline Williams, Jim Siedow
 
Sinopse:
Durante uma transmissão de rádio da programação local um DJ fica chocado ao receber o telefonema de dois marginais que lhe passam uma gravação do que parece ser a morte de duas crianças pelo psicopata Leatherface, o infame serial killer que matava suas vítimas com uma serra elétrica. O xerife local então decide começar sua investigação para colocar as mãos nos autores da gravação, algo que lhe revelará um mundo doentio e perturbador nos cafundós do Texas. Filme indicado ao prêmio Fantasporto na categoria de Melhor Filme de terror.

Comentários:
No auge do sucesso da Cannon, produtora bem conhecida nos anos 80 por causa de seus filmes de ação com Chuck Norris. a empresa resolveu apostar também no terror, ressuscitando antigas franquias. Foi o que aconteceu com "The Texas Chainsaw Massacre". O primeiro filme havia virado um cult movie nas locadoras, então os produtores entenderam que era uma boa oportunidade de reviver o antigo clima de sangue e tripas nas telas. Pessoalmente não gosto muito dessa continuação porque ela foi afetada por uma modinha da época em se misturar terror com comédia. "A Hora do Espanto" se tornou um grande sucesso de bilheteria e sua fórmula acabou sendo copiada à exaustão, nem sempre com resultado positivos. A piada já começa no poster, onde os personagens sanguinários do filme posam tal como os adolescentes do sucesso de John Hughes, "O Clube dos Cinco". O resto vai pela mesma linha engraçadinha, o que nem sempre dá certo. Dennis Hopper também acaba virando uma caricatura de si mesmo nessa produção. Ator símbolo da contra cultura dos anos 60 ele acabou embarcando no filme sem muita razão de ser, talvez apenas para emprestar seu nome conhecido (o único do elenco) para ajudar na promoção do filme. Há certamente boas cenas de terror, mas no geral não consigo mesmo gostar muito, nem mesmo em revisões mais atuais. O humor aqui estragou parte do potencial da fita. Uma bola fora na filmografia do (quase) sempre correto Tobe Hooper.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 4 de março de 2026

Força Sinistra

Força Sinistra
Na década de 1980 com o sucesso de Steven Spielberg e seu cinema de aventura e fantasia os demais estúdios procuraram inovar em suas produções. “Força Sinistra” seguia a linha dos filmes de terror da época, seguindo os passos da franquia Alien ao misturar terror e ficção. E tinha um diretor que havia trabalhado com Spielberg antes. A diferença básica era que os alienígenas desse filme não eram criaturas com sangue de ácido e natureza predatória. Na verdade eram vampiros espaciais, seres que precisavam sugar a força vital de outros seres vivos para sobreviverem. Ao invés dos monstros de Aliens eles surgiam como homens e mulheres normais que usavam de seu poder de sedução para capturar suas presas. “Força Sinistra” tinha um roteiro enxuto, sem perda de tempo ou preocupação maior em desenvolver os personagens em cena. Na realidade os seres espaciais eram completamente sem profundidade e estavam ali apenas para se alimentar dos humanos distraídos que lhe apareciam pela frente. Também pudera já que o roteiro havia sido escrito em cima de uma obra de ficção puramente pulp fiction chamada “The Space Vampires” de autoria do inglês Colin Wilson.

O diretor de “Força Sinistra” era o cineasta Tobe Hooper, que havia dirigido o grande sucesso “Poltergeist” dois anos antes. Seu nome na direção garantiu a exibição do filme nos cinemas brasileiros onde conquistou até que uma boa performance de público mas não de crítica. Os críticos brasileiros reclamaram bastante da falta de desenvolvimento dos personagens, da banalidade das situações de terror e suspense e até mesmo da nudez excessivamente explorada da atriz que interpretava uma das vampiras vindas do espaço (ela surgia o tempo todo nua, devorando suas vítimas). É curioso que em plena ditadura militar os censores não tenham implicado mais com o filme por causa disso. “Laranja Mecânica”, por exemplo, foi censurado e perseguido no Brasil por anos mas “Força Sinistra” que tinha muito mais nudez e violência escapou, sendo liberado para maiores de 16 anos. Apesar das críticas o filme conseguiu arrancar uma indicação ao Prêmio Saturno de Melhor filme de terror de 1986, uma indicação que atribuo muito mais ao prestigio do diretor Tobe Hooper e do roteirista Dan O´Bannon, do que por seus méritos cinematográficos. Mesmo assim fica a dica: “Força Sinistra” que mostra os vampiros como eles eram na década de 80: espaciais, sensuais e vorazes.  

Força Sinistra (Lifeforce, Estados Unidos, 1985) Direção: Tobe Hooper / Roteiro: Dan O'Bannon, Don Jakoby, Michael Armstrong, Olaf Pooley / Elenco: Steve Railsback, Peter Firth, Frank Finlay, Mathilda May, Patrick Stewart / Sinopse: Nave especial que segue o cometa Halley é explorada por astronautas americanos que descobrem três corpos em estado vegetativo. Com a finalidade de estudar essas novas formas de vida os corpos são levados para o planeta Terra o que se revelará uma péssima idéia pois se tratam de vampiros espaciais que sugam a força vital de suas vitimas.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 3 de junho de 2025

O Massacre da Serra Elétrica

Título no Brasil: O Massacre da Serra Elétrica
Título Original: The Texas Chain Saw Massacre
Ano de Produção: 1974
País: Estados Unidos
Estúdio: Vortex
Direção: Tobe Hooper
Roteiro: Kim Henkel, Tobe Hooper
Elenco: Marilyn Burns, Edwin Neal, Allen Danziger

Sinopse:
Um grupo de jovens resolve entrar em uma região abandonada e isolada do Texas. Lá acabam entrando em contato com uma família doentia de psicopatas, canibais e sociopatas. Má ideia. Agora terão que lutar para continuarem vivos e não cairem nas garras de pessoas "amorosas" como Leatherface que anseiam por trucidar todos eles, aos pouquinhos e em pedacinhos...

Comentários:
Esse é o filme original, casca grossa e ultra violento. Imagine uma produção dessas em plenos anos 70. Ninguém nunca tinha visto algo igual. O interessante é que por ser tão diferente (e brutal) nenhum grande estúdio resolveu bancar o roteiro. Assim tudo foi filmado em 16mm, com orçamento mais do que restrito. No final das contas isso tudo só ajudou ao filme. Ele ficou com cara de coisa amadora, suja, que mostrava algo muito violento e sangrento, ou seja, o tipo de estética que atrai mesmo os fãs de filmes de terror mais sanguinários. A crítica da época se dividiu. Alguns acharam o filme vulgar e grotesco, um fruto da mente doentia de seus realizadores. Outros consideraram "The Texas Chainsaw Massacre" um marco por mostrar um evento sem máscaras, com toda a sua crueldade (o roteiro foi inspirado em um fato real ocorrido no Texas). A se lamentar apenas a falta de critério das distribuidoras nacionais que resolveram colocar no título a referência a uma "serra elétrica" que na verdade não existe no filme (o que vemos é uma serra movida a diesel). De qualquer maneira esse é o tipo de produção que não pode faltar na coleção de fãs de filmes de terror. Sim, é cru, barra pesada e voam tripas para todos os lados, mas também é um dos maiores clássicos de terror de todos os tempos. Quem diria que o psicótico Leatherface teria um dia tanto prestígio assim no mundo das artes...

Pablo Aluísio.