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quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

A Maldição de Frankenstein

A Maldição de Frankenstein 
Considerado por muitos como um louco, o Dr. Victor Frankenstein (Peter Cushing) decide realizar a maior de suas experiências. Usando energia elétrica colhida por raios, ele acredita que dará vida a uma criatura composta de vários pedaços de corpos humanos roubados de cemitérios e necrotérios de Londres. Sua ambição é demonstrar que há possibilidade científica de gerar vida em cadáveres.

Mais um filme baseado na obra imortal de Mary Shelley. Esta versão da Hammer Films, produzida no auge criativo do estúdio britânico, segue de forma bastante fiel o texto original de Shelley, com um enredo muito próximo ao do livro clássico. Um dos aspectos mais curiosos dessa produção é a atuação de Christopher Lee como a criatura criada em laboratório pelo lunático cientista Victor Frankenstein. A maquiagem utilizada por Lee foge dos padrões clássicos dos filmes da Universal nos Estados Unidos. Em vez dos tradicionais parafusos e do topo quadrado na cabeça, aqui os realizadores da Hammer optaram por algo menos cartunesco e mais humano. O rosto da criatura é deformado, porém condizente com o aspecto de um corpo humano após a morte, resultando em um visual bastante eficaz.

Peter Cushing, por sua vez, surpreende ao não recorrer ao estereótipo do cientista maluco e cruel. Sua interpretação é mais contida e cuidadosa, buscando representar com maior verossimilhança um pesquisador da era vitoriana. O resultado é um personagem mais complexo e perturbador justamente por sua frieza e convicção científica. Assim, A Maldição de Frankenstein se afirma como mais um belo trabalho de direção e atuação da Hammer Films, estúdio que marcou profundamente a história do cinema de horror. Trata-se de um daqueles filmes que já nasceram clássicos em seu lançamento original e que continuam absolutamente imperdíveis.

A Maldição de Frankenstein (The Curse of Frankenstein, Inglaterra, 1957) Direção: Terence Fisher / Roteiro: Jimmy Sangster / Elenco: Peter Cushing, Christopher Lee, Hazel Court, Robert Urquhart, Melvyn Hayes, Paul Hardtmuth / Sinopse: Um ambicioso cientista da era vitoriana desafia os limites da ciência ao tentar criar vida a partir de corpos humanos, dando origem a uma criatura que materializa suas obsessões e transgressões morais.

Pablo Aluísio. 


Em Cartaz: A Maldição de Frankenstein
O filme A Maldição de Frankenstein estreou nos cinemas em maio de 1957, produzido pela Hammer Films e dirigido por Terence Fisher, marcando uma profunda renovação do cinema de horror britânico. Estrelado por Peter Cushing como o Dr. Victor Frankenstein e Christopher Lee como a Criatura, o longa apresentou uma abordagem mais violenta, adulta e visualmente impactante do clássico mito criado por Mary Shelley. Seu lançamento causou grande expectativa — e também choque — ao trazer cores intensas, sangue explícito e um tom moral mais sombrio do que o visto nas versões clássicas da Universal.

Apesar de seu baixo orçamento, estimado em cerca de £65 mil, o filme tornou-se um enorme sucesso de bilheteria, especialmente no Reino Unido e nos Estados Unidos. Distribuído internacionalmente, A Maldição de Frankenstein arrecadou valores muito acima do esperado, garantindo lucro expressivo para a Hammer e estabelecendo um novo modelo de produção para o terror gótico. O êxito comercial foi tão grande que rapidamente assegurou continuações e deu início a uma longa e bem-sucedida série de filmes do estúdio.

A reação da crítica em 1957 foi intensa e polarizada. Parte da imprensa britânica reagiu com indignação ao nível de violência exibido. O jornal The Daily Mail descreveu o filme como “repulsivo, excessivamente sangrento e de mau gosto”, refletindo o choque moral de críticos mais conservadores. Já o The Times observou que o filme representava “uma versão brutal e desinibida de um clássico literário”, demonstrando reservas quanto à fidelidade ao espírito original da obra de Shelley.

Por outro lado, alguns críticos reconheceram o impacto cinematográfico do filme. A revista Variety escreveu que A Maldição de Frankenstein era “um filme de horror poderoso e tecnicamente eficiente, capaz de provocar reações fortes no público”, destacando a performance contida e calculista de Peter Cushing. Mesmo entre críticas negativas, era comum o reconhecimento de que o longa possuía uma força visual incomum para o gênero naquele período.

Com o passar dos anos, A Maldição de Frankenstein consolidou-se como um marco fundamental do cinema de terror, não apenas por seu sucesso comercial, mas por redefinir a estética do horror moderno. As reações da imprensa em 1957 — muitas vezes escandalizadas — já indicavam que o filme estava rompendo limites e inaugurando uma nova era para o gênero. Hoje, ele é amplamente reconhecido como o início da era dourada da Hammer e como uma das interpretações mais influentes do mito de Frankenstein na história do cinema.

quinta-feira, 10 de julho de 2025

A Múmia

Título no Brasil: A Múmia
Título Original: The Mummy
Ano de Produção: 1959
País: Inglaterra
Estúdio: Hammer Film Productions
Direção: Terence Fisher
Roteiro: Jimmy Sangster
Elenco: Peter Cushing, Christopher Lee, Yvonne Furneaux

Sinopse:
Em 1895, uma equipe de arqueólogos descobre o túmulo da princesa Ananka, uma sacerdotisa egípcia. Eles são avisados ​​para não perturbarem o sono eterno dela, mas ao fazê-lo, despertam a múmia de Kharis, o sumo sacerdote que amava a princesa. Três anos depois, um egípcio, Mehemet Bey, transporta a múmia para a Inglaterra em busca de vingança contra aqueles que profanaram o túmulo de Ananka. É deixado ao filho do descobridor original desvendar o mistério e proteger sua esposa Isobel, que tem uma notável semelhança com a princesa.

Comentários:
Esqueça a moderna franquia da múmia, que mais parece um vídeo game de uma imitação de Indiana Jones. Estamos aqui na presença de mais uma pequena obra prima do estúdio inglês Hammer. O elenco já é de arrepiar os fãs do cinema clássico de terror com Peter Cushing e Christopher Lee. Essa dupla certamente fará os fãs se lembrarem dos filmes de Drácula da própria Hammer mas aqui a proposta é diferente. O roteiro procura explorar mais esse monstro, a múmia, que ao lado do conde vampiro da Transilvânia e do Lobisomem fizeram a alegria dos fãs em matinês lotadas dos anos 1950. Lee e Cushing estão impagáveis mas quem acaba roubando a cena é a direção de arte e a maquiagem do filme. O trabalho que foi feito em Christopher Lee até hoje me soa bem satisfatório. Poderia ser apenas um ator enrolado em panos de mumificação mas os maquiadores da Hammer optaram por fazer algo muito mais bem realizado. E mesmo sob fotografia colorida tudo sai muito convincente, mesmo nos dias atuais. A Hammer compensava muitas vezes orçamentos limitados com muita imaginação. Nos dias de hoje muitos irão obviamente reclamar da precariedade de certos efeitos visuais e dos figurinos do Egito Antigo mas isso deve ser deixado de lado pois a Múmia é de fato ainda muito divertido e até mesmo marcante, já que seu clima caprichado, muito bem trabalhado, compensa todas as limitações da produção do filme na época.

Pablo Aluísio. 

segunda-feira, 2 de junho de 2025

As Noivas do Vampiro

Título no Brasil: As Noivas do Vampiro
Título Original: The Brides of Dracula
Ano de Produção: 1960
País: Inglaterra
Estúdio: Hammer Films
Direção: Terence Fisher
Roteiro: Jimmy Sangster, Peter Bryan
Elenco: Peter Cushing, Martita Hunt, David Peel, Yvonne Monlaur
  
Sinopse:
Durante uma viagem pela Transilvânia a jovem professora Marianne Danielle (Yvonne Monlaur) se vê sem transporte pois seu cocheiro resolve desaparecer, muito provavelmente por estar apavorado com aquele sinistro lugar. Abandonada numa taverna local e sem ter para onde ir ela resolve aceitar o gentil convite da Baronesa Meinster (Martita Hunt) para passar a noite em seu castelo no alto das montanhas. O que Danielle não sabe é que o filho da Baronesa é um vampiro, mantido acorrentado em seus aposentos desde que virou uma sedenta criatura da noite. Como ela poderá sobreviver a essa terrível noite de terror?

Comentários:
Em 1958 o diretor Terence Fisher realizou o maior sucesso de bilheteria da Hammer, o filme "O Vampiro da Noite", onde o ator Christopher Lee interpretava o lendário Conde Drácula. O filme foi um grande êxito comercial porém havia um problema para realizar sua continuação: Drácula havia sido morto na última cena. Como então retomar a franquia? A solução encontrada pelos roteiristas foi explorar potenciais infectados pelo Conde no filme anterior, afinal ele havia atacado várias pessoas em sua jornada de horror. Um desses infectados seria justamente o jovem Barão Meinster (David Peel). Depois que vira um vampiro sua mãe o deixa preso em seu quarto, aprisionado por pesadas correntes. Quando uma jovem professora em visita à mansão, Marianne Danielle (Yvonne Monlaur), descobre esse fato fica imediatamente horrorizada, afinal que tipo de mãe aprisionaria seu próprio filho daquela maneira? Inocente da situação e iludida pelas falsas boas intenções do Barão vampiresco ela decide libertá-lo após roubar as chaves do cadeado que o mantém preso. 

Solto, livre e sedento de sangue o Barão então começa sua fileira de vítimas a começar por sua própria mãe a quem ele não parece nada disposto a perdoar. Para salvar os moradores da pequena vila ao pé da montanha, o padre local decide chamar o cientista e especialista no assunto Dr. Van Helsing (Peter Cushing) que precisará enfrentar o Barão ao mesmo tempo em que tenta salvar a vida de jovens donzelas que foram mordidas pelo monstro e que agora são chamadas de "As Noivas de Drácula" (daí o título original da fita). Esse clássico terror da Hammer não poderia ser mais charmoso. Ao lado de uma maravilhosa direção de arte - com cenários bem construídos, efeitos especiais que para a época funcionavam muito bem e muito clima sombrio - se soma um roteiro bem escrito que resgata todos os pontos mais centrais dessa mitologia de vampiros (e que até hoje segue sendo utilizados, é bom frisar). Dessa maneira o diretor Terence Fisher acabou realizando uma pequena obra prima do gênero, fugindo do aspecto puramente comercial, o que poderia certamente se transformar na ruína do filme como um todo. Vale a indicação, principalmente para os que adoram esse tipo de produção ao velho estilo. Tudo muito sofisticado e de bom gosto.

Pablo Aluísio.

domingo, 1 de junho de 2025

Drácula - O Vampiro da Noite

Título no Brasil: Drácula - O Vampiro da Noite
Título Original: Dracula
Ano de Produção: 1958
País: Estados Unidos
Estúdio: Hammer Film Productions
Direção: Terence Fisher
Roteiro: Jimmy Sangster, Bram Stoker (livro)
Elenco: Peter Cushing, Christopher Lee, Michael Gough

Sinopse:
Drácula (Christopher Lee) é um misterioso conde que resolve se vingar de Jonathan Harker, um jovem que consegue sobreviver a um ataque do vampiro em seu castelo. De volta à grande cidade, Drácula pretende destruir toda a família de Harker mas antes terá que enfrentar o professor e pesquisador Van Helsing (Peter Cushing), um estudioso da existência de seres da noite como o famigerado nobre Drácula.

Comentários:
Esse filme é um verdadeiro marco do cinema de terror inglês. Foi o primeiro de Christopher Lee no papel do conde Drácula e um dos maiores sucessos de bilheteria da produtora Hammer Film Productions que iria se especializar em fitas de horror nos anos seguintes (com ótimos resultados, é bom frisar). Para quem está acostumado com os vampiros do cinema da atualidade o filme certamente trará algumas belas surpresas. O Drácula de Lee não é um ser romântico, charmoso, em busca de belas donzelas para conquistar seu amor adolescente. Pelo contrário, ele é um monstro apenas, quase sem diálogos, que ataca nas noites escuras sem qualquer sutileza. Ele está em busca de sangue e vingança e nada mais do que isso. Tudo realizado no meio de uma Londres nebulosa e sombria. Por falar nisso a direção de arte do filme é um primor, com cenários góticos e um clima sórdido muito eficiente. Peter Cushing como Van Helsing também é outro ponto positivo da produção. Em suma, um clássico absoluto que até hoje diverte e empolga. Um filme essencial na coleção de todo fã de filmes de terror.

Pablo Aluísio.