Título Original: Cursed
Ano de Produção: 2005
País: Estados Unidos, Alemanha
Estúdio: Dimension Films
Direção: Wes Craven
Roteiro: Kevin Williamson
Elenco: Christina Ricci, Jesse Eisenberg, Portia de Rossi, Kristina Anapau, Daniel Edward Mora, Jesse Eisenberg
Sinopse:
Um lobisomem solto em Los Angeles muda a vida de três jovens adultos que, depois de serem atacados pela besta, descobrem que devem matá-la para evitar se tornarem lobisomens. Filme indicado ao MTV Movie + TV Awards.
Comentários:
Tanto Wes Craven, o diretor desse filme, como o roteirista Kevin Williamson são craques do gênero cinematográfico terror. Só que aqui eles fizeram um filme meio fraco, misturando lobisomens e adolescentes. Eu particulermente penso que filmes de horror nunca podem ser pops demais, pois se isso acontece perde totalmente o foco e o objetivo, que é justamente o de dar medo no público espectador. De qualquer forma o filme deve ser conhecido. Vou mais longe, qualquer fita de terror, por mais fraca que seja, que tenha a assinatura do grande e saudoso Wes Craven, merece ser assistida. Só não vá com grandes expectativas. O filme é bem mais ou menos e não passa disso. Assista e tente se divertir, apenas isso, nada mais.
Pablo Aluísio.
Amaldiçoados
Lançado nos Estados Unidos em 25 de fevereiro de 2005, Cursed (Amaldiçoados), dirigido por Wes Craven e escrito por Kevin Williamson, é um filme de terror com elementos de comédia que procura renovar a mitologia dos lobisomens para uma nova geração. A produção reuniu novamente Craven e Williamson, a dupla responsável pelo sucesso da franquia Pânico, e contou com Christina Ricci, Jesse Eisenberg, Joshua Jackson e Judy Greer no elenco. A trama acompanha Ellie Hudson (Ricci), uma jovem que trabalha em Los Angeles, e seu irmão adolescente Jimmy (Eisenberg). Após sofrerem um acidente de carro nas colinas de Hollywood, os dois são atacados por uma criatura misteriosa e acabam feridos. Logo, começam a perceber mudanças inquietantes em seus corpos, acompanhadas pelo desenvolvimento de sentidos aguçados, força incomum e impulsos violentos. Ao descobrirem que foram atacados por um lobisomem, Ellie e Jimmy precisam investigar a identidade da criatura e encontrar uma maneira de interromper a maldição antes de perderem o controle sobre sua própria natureza. Com a intenção de combinar terror, humor, sátira da cultura das celebridades e conflitos típicos da juventude, Craven procurou atualizar o folclore dos lobisomens em uma narrativa ambientada na indústria do entretenimento de Hollywood. Entretanto, a produção enfrentou problemas graves, incluindo refilmagens, mudanças de roteiro, substituições no elenco e a eliminação de grande parte do material originalmente filmado, circunstâncias que influenciaram profundamente o resultado final.
A recepção crítica na época do lançamento foi amplamente desfavorável, sobretudo em razão do roteiro, dos efeitos visuais e da dificuldade de equilibrar o terror com a comédia. No The New York Times, Dana Stevens observou que o filme não era suficientemente ruim para provocar indignação, mas fazia o espectador rir nas cenas em que deveria sentir medo e revirar os olhos nos momentos destinados ao humor. A crítica apontava, assim, um dos principais problemas da produção: a incapacidade de estabelecer um tom consistente. Na revista Variety, Robert Koehler considerou que os momentos ambientados no universo adolescente pareciam cenas descartadas de Pânico, criticando a falta de originalidade e a utilização de fórmulas já conhecidas do cinema de terror. Koehler, entretanto, destacou Jesse Eisenberg, cujo timing cômico ajudava a tornar algumas sequências mais interessantes. Já o Los Angeles Times, em crítica assinada por Kevin Crust, considerou que a combinação entre as sensibilidades de Craven e Williamson não funcionava satisfatoriamente. Embora reconhecesse alguns momentos de suspense, Crust criticou os efeitos digitais pouco convincentes e a sensação de que a produção havia sido enfraquecida pelas alterações realizadas durante as filmagens.
A revista britânica Time Out, em uma avaliação retrospectiva, apresentou uma visão um pouco mais equilibrada. Reconheceu que a produção conturbada não havia destruído completamente o filme e elogiou a dinâmica entre Christina Ricci e Jesse Eisenberg, além de algumas situações que exploram com humor os impulsos animalescos dos personagens. Por outro lado, criticou as transformações digitais pouco convincentes e o desfecho excessivamente prolongado. A BBC, em sua resenha de 2005, foi igualmente moderada: Paul Arendt avaliou o longa com três estrelas em cinco e resumiu sua opinião afirmando que Cursed não era Pânico, mas oferecia ao menos um grito de susto razoável. Essa recepção contrastou com a avaliação do San Francisco Chronicle, que classificou a produção como um trabalho de terceira categoria, criticando o roteiro fraco, os efeitos baratos e a ausência de sustos genuínos. As diferenças entre essas opiniões mostram que, embora alguns críticos tenham identificado diversão e potencial na proposta, a maioria considerou que o resultado ficava muito aquém dos trabalhos anteriores de Craven e Williamson.
Com orçamento estimado em 35 a 38 milhões de dólares, Cursed arrecadou aproximadamente 29,6 milhões mundialmente, ficando abaixo do valor investido na produção e tornando-se um fracasso comercial quando considerados os custos adicionais de distribuição e divulgação. A avaliação crítica também permanece negativa: o Rotten Tomatoes registra apenas 16% de aprovação entre os críticos consultados, enquanto o Metacritic atribui ao filme uma pontuação de 31 em 100.
Apesar disso, a produção adquiriu certo interesse retrospectivo entre admiradores do terror dos anos 2000, especialmente por sua história de bastidores, marcada pela interferência do estúdio, pelas refilmagens e pela redução do conteúdo originalmente planejado para obter uma classificação indicativa mais branda. A participação de Christina Ricci e Jesse Eisenberg, antes de fases importantes de suas carreiras, também contribui para o interesse atual pelo longa. Hoje, Cursed é geralmente lembrado como uma oportunidade desperdiçada de reunir novamente a criatividade de Wes Craven e Kevin Williamson, mas também como uma curiosidade do cinema de terror comercial daquele período, cuja produção problemática acabou se tornando tão comentada quanto o próprio filme.
Erick Steve.








