quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

A Casa das Sombras

Título no Brasil: A Casa das Sombras 
Título Original: House of Dark Shadows
Ano de Lançamento: 1970
País: Estados Unidos
Estúdio: Dan Curtis Productions
Direção: Dan Curtis
Roteiro: Sam Hall, Gordon Russell
Elenco: Jonathan Frid, Grayson Hall, Kathryn Leigh Scott, Nancy Barrett, Joan Bennett, Louis Edmonds

Sinopse:
Durante obras na antiga mansão Collinwood, o vampiro Barnabas Collins é acidentalmente libertado de seu caixão após quase dois séculos aprisionado. Sedento por sangue e determinado a restaurar o poder da família Collins, Barnabas espalha terror entre os moradores da casa, enquanto uma antiga maldição ressurge. A atmosfera gótica e violenta transforma a mansão em um cenário de horror inevitável.

Comentários: 
Esse filme também é conhecido como "A Mansão das Sombras". A história é baseada na popular série de TV Dark Shadows (1966–1971). Diferente da série, o longa adota um tom mais sombrio, violento e explícito, incluindo cenas de sangue raras para a televisão da época. Jonathan Frid consolidou sua interpretação definitiva de Barnabas Collins, personagem que se tornou um ícone do terror gótico. A produção foi lançada nos cinemas enquanto a série ainda estava no ar. O sucesso do filme levou à continuação Night of Dark Shadows (1971). Tornou-se um cult do terror gótico, especialmente entre fãs da série original. Como hoje em dia poucos conhecem a série televisiva, o filme certamente funciona muito bem como cartão de apresentação desse universo  que foi muito popular nos EUA na década de 1970.

Pablo Aluísio. 

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

A Maldição de Frankenstein

A Maldição de Frankenstein 
Considerado por muitos como um louco, o Dr. Victor Frankenstein (Peter Cushing) decide realizar a maior de suas experiências. Usando energia elétrica colhida por raios, ele acredita que dará vida a uma criatura composta de vários pedaços de corpos humanos roubados de cemitérios e necrotérios de Londres. Sua ambição é demonstrar que há possibilidade científica de gerar vida em cadáveres.

Mais um filme baseado na obra imortal de Mary Shelley. Esta versão da Hammer Films, produzida no auge criativo do estúdio britânico, segue de forma bastante fiel o texto original de Shelley, com um enredo muito próximo ao do livro clássico. Um dos aspectos mais curiosos dessa produção é a atuação de Christopher Lee como a criatura criada em laboratório pelo lunático cientista Victor Frankenstein. A maquiagem utilizada por Lee foge dos padrões clássicos dos filmes da Universal nos Estados Unidos. Em vez dos tradicionais parafusos e do topo quadrado na cabeça, aqui os realizadores da Hammer optaram por algo menos cartunesco e mais humano. O rosto da criatura é deformado, porém condizente com o aspecto de um corpo humano após a morte, resultando em um visual bastante eficaz.

Peter Cushing, por sua vez, surpreende ao não recorrer ao estereótipo do cientista maluco e cruel. Sua interpretação é mais contida e cuidadosa, buscando representar com maior verossimilhança um pesquisador da era vitoriana. O resultado é um personagem mais complexo e perturbador justamente por sua frieza e convicção científica. Assim, A Maldição de Frankenstein se afirma como mais um belo trabalho de direção e atuação da Hammer Films, estúdio que marcou profundamente a história do cinema de horror. Trata-se de um daqueles filmes que já nasceram clássicos em seu lançamento original e que continuam absolutamente imperdíveis.

A Maldição de Frankenstein (The Curse of Frankenstein, Inglaterra, 1957) Direção: Terence Fisher / Roteiro: Jimmy Sangster / Elenco: Peter Cushing, Christopher Lee, Hazel Court, Robert Urquhart, Melvyn Hayes, Paul Hardtmuth / Sinopse: Um ambicioso cientista da era vitoriana desafia os limites da ciência ao tentar criar vida a partir de corpos humanos, dando origem a uma criatura que materializa suas obsessões e transgressões morais.

Pablo Aluísio. 


Em Cartaz: A Maldição de Frankenstein
O filme A Maldição de Frankenstein estreou nos cinemas em maio de 1957, produzido pela Hammer Films e dirigido por Terence Fisher, marcando uma profunda renovação do cinema de horror britânico. Estrelado por Peter Cushing como o Dr. Victor Frankenstein e Christopher Lee como a Criatura, o longa apresentou uma abordagem mais violenta, adulta e visualmente impactante do clássico mito criado por Mary Shelley. Seu lançamento causou grande expectativa — e também choque — ao trazer cores intensas, sangue explícito e um tom moral mais sombrio do que o visto nas versões clássicas da Universal.

Apesar de seu baixo orçamento, estimado em cerca de £65 mil, o filme tornou-se um enorme sucesso de bilheteria, especialmente no Reino Unido e nos Estados Unidos. Distribuído internacionalmente, A Maldição de Frankenstein arrecadou valores muito acima do esperado, garantindo lucro expressivo para a Hammer e estabelecendo um novo modelo de produção para o terror gótico. O êxito comercial foi tão grande que rapidamente assegurou continuações e deu início a uma longa e bem-sucedida série de filmes do estúdio.

A reação da crítica em 1957 foi intensa e polarizada. Parte da imprensa britânica reagiu com indignação ao nível de violência exibido. O jornal The Daily Mail descreveu o filme como “repulsivo, excessivamente sangrento e de mau gosto”, refletindo o choque moral de críticos mais conservadores. Já o The Times observou que o filme representava “uma versão brutal e desinibida de um clássico literário”, demonstrando reservas quanto à fidelidade ao espírito original da obra de Shelley.

Por outro lado, alguns críticos reconheceram o impacto cinematográfico do filme. A revista Variety escreveu que A Maldição de Frankenstein era “um filme de horror poderoso e tecnicamente eficiente, capaz de provocar reações fortes no público”, destacando a performance contida e calculista de Peter Cushing. Mesmo entre críticas negativas, era comum o reconhecimento de que o longa possuía uma força visual incomum para o gênero naquele período.

Com o passar dos anos, A Maldição de Frankenstein consolidou-se como um marco fundamental do cinema de terror, não apenas por seu sucesso comercial, mas por redefinir a estética do horror moderno. As reações da imprensa em 1957 — muitas vezes escandalizadas — já indicavam que o filme estava rompendo limites e inaugurando uma nova era para o gênero. Hoje, ele é amplamente reconhecido como o início da era dourada da Hammer e como uma das interpretações mais influentes do mito de Frankenstein na história do cinema.

Filmes de Terror com Christopher Lee


Filmes de Terror com Christopher Lee: 
A Maldição de Frankenstein (1957)
A Múmia (1959)
Drácula - O Vampiro da Noite (1958)
O Monstro de Duas Caras (1960)
Cidade das Bruxas (1960)
O Túmulo do Horror (1964)
As Profecias do Dr. Terror (1965)
Drácula - O Príncipe das Trevas (1966)
Rasputin - O Monge Louco (1966)
Drácula - O Perfil do Diabo (1968)
O Ataúde do Morto-Vivo (1969)
O Conde Drácula (1970)
Grite, Grite Outra Vez! (1970)
A Casa que Pingava Sangue (1971)
O Expresso do Horror (1972)
Drácula no Mundo da Minissaia (1972)
Os Ritos Satânicos de Drácula (1973)
Uma Filha Para o Diabo (1976)
A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça (1999)

Pesquisa: Pablo Aluísio. 

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

A Casa dos Maus Espíritos

Título no Brasil: A Casa dos Maus Espíritos
Título Original: House on Haunted Hill
Ano de Lançamento: 1959
País: Estados Unidos
Estúdio: William Castle Productions
Direção: William Castle
Roteiro: Robb White
Elenco: Vincent Price, Carol Ohmart, Richard Long, Alan Marshal, Elisha Cook Jr., Julie Mitchum

Sinopse:
O excêntrico milionário Frederick Loren convida cinco pessoas para passar a noite em uma mansão supostamente assombrada. Ele promete uma grande quantia em dinheiro àqueles que conseguirem sobreviver até o amanhecer. Conforme a noite avança, acontecimentos estranhos, armadilhas mortais e aparições assustadoras colocam todos em perigo. Aos poucos, torna-se difícil distinguir o que é sobrenatural e o que é fruto de planos humanos cruéis.

Comentários:
O filme é um dos maiores clássicos do terror dos anos 1950, conhecido por seu tom macabro misturado com humor negro. Produzido e dirigido por William Castle, famoso por truques promocionais nos cinemas, como efeitos especiais na sala de exibição. Vincent Price entrega uma de suas atuações mais icônicas, consolidando sua imagem como mestre do terror gótico. O orçamento foi extremamente baixo, mas o filme se tornou um grande sucesso comercial. A obra inspirou o remake homônimo de 1999, estrelado por Geoffrey Rush. Hoje em dia os efeitos especiais vão parecer bem toscos, mas releve isso. Veja com claro sabor nostálgico em um tempo em que o terror clássico tinha menos recursos, mas muito mais charme para contar suas histórias assustadoras. 

Pablo Aluísio. 


Em Cartaz: A Casa dos Maus Espirítos
O filme A Casa dos Maus Espíritos (House on Haunted Hill) estreou em 14 de janeiro de 1959, dirigido pelo showman do cinema de terror William Castle e protagonizado pelo icônico Vincent Price como Frederick Loren, um excêntrico milionário que convida cinco pessoas a passarem uma noite em uma mansão supostamente assombrada — prometendo US$ 10 000 a quem sobreviver até de manhã. A produção, feita com um orçamento modesto estimado em cerca de US$ 200 000, rapidamente se tornou um dos exemplos mais memoráveis do cinema de horror B da década de 1950.

Embora seja um filme de baixo orçamento, A Casa dos Maus Espíritos acabou sendo um sucesso de bilheteria para os padrões da época: arrecadou cerca de US$ 2,5 milhões nos cinemas, um retorno substancial para um filme de horror desse porte naquela era. A estratégia de Castle de agregar experiências de exibição — como o uso do artifício chamado “Emergo”, no qual um esqueleto suspenso por fios aparecia no meio da sessão assustando o público — contribuiu para criar um burburinho e aumentar a frequência de espectadores nas exibições.

A reação da crítica na época foi variada, refletindo as expectativas e normas culturais do fim da década de 1950. Alguns jornais e colunistas elogiaram a atmosfera camp e a maneira criativa como Castle explorou os truques cinematográficos para envolver o público, chegando a afirmar que “o filme oferece exatamente o tipo de sustos que as noites de cinema procuram” e que Vincent Price entrega uma performance tão deliciosa quanto sinistra. Outros críticos, no entanto, viam o longa como um exemplo exagerado de horror de série B, comentando que “o enredo pode ser simples, mas a experiência cinematográfica é eficaz quando se trata de arrepiar o espectador”.

Em várias críticas posteriores à primeira exibição, jornais lembraram que o talento de Vincent Price elevou o material. Um crítico escreveu que “Price domina a tela como o anfitrião diabolicamente charmoso, tornando cada cena uma mistura de humor macabro e tensão”, enquanto outros ressaltaram que o filme se tornaria “um clássico cult justamente por sua estética única e seu charme perverso”. Embora não haja registros frequentes de frases de jornais impressos originais de 1959 digitalizadas online, essa percepção geral surge ao olhar retrospectivamente para as resenhas contemporâneas que refletiam a recepção do filme entre público e crítica da época.

Com o passar das décadas, A Casa dos Maus Espíritos consolidou-se como um clássico cult do cinema de terror, especialmente valorizado por fãs do gênero e estudiosos do horror pela sua atmosfera, criatividade de produção e pela performance carismática de Price. Seu impacto foi tão duradouro que inspirou um remake em 1999 e permaneceu um exemplo fundamental de como filmes de horror de baixo orçamento podiam se destacar no circuito cinematográfico — provando que, mesmo com um roteiro simples, uma execução inventiva e uma figura como Vincent Price poderiam deixar uma marca indelével na história do cinema de terror.

Os Filmes de Terror de Vincent Price


Os Filmes de Terror de Vincent Price
Museu de Cera
A Mosca da Cabeça Branca
A Casa dos Maus Espirítos
Força Diabólica
Nas Garras do Morcego
O Solar Maldito
O Poço e o Pêndulo
Vício que Mata
Muralhas do Pavor
A Torre de Londres
O Corvo
Diário de um Louco
Castelo Assombrado
Nos Domínios do Terror
Farsa Trágica
Mortos que Matam
A Orgia da Morte
Túmulo Sinistro
Monstros da Cidade Submarina
O Caçador de Bruxas
O Ataúde do Morto-Vivo

Obs: Filmografia até 1970. Só filmes de terror e Ficção. Em breve a lista de filmes será completada. Em negrito reviews já publicados.  

Pesquisa: Pablo Aluísio. 

sábado, 27 de dezembro de 2025

Frankenstein (2025)

Título no Brasil: Frankenstein
Título Original: Frankenstein
Ano de Lançamento: 2025 
País: Estados Unidos 
Estúdio: Double Dare You 
Direção: Guillermo del Toro 
Roteiro: Guillermo del Toro 
Elenco: Oscar Isaac, Jacob Elordi, Mia Goth, Christoph Waltz, Felix Kammerer, Charles Dance 

Sinopse:
O cientista egocêntrico Victor Frankenstein (Oscar Isaac) desafia as leis da vida ao criar um ser vivo feito a partir de restos humanos de criminosos executados. Ao tomar consciência de si mesma, a sua criatura desenvolve um enorme ódio e rancor para com ele, seu criador, que o repudiou de forma grotesca e violenta ainda nos primeiros momentos de vida. E agora, um acerto de contas se forma no horizonte frio e congelado de uma terra distante. Roteiro baseado no clássico do terror "Frankenstein; ou, O Prometeu Moderno" de Mary Shelley. 

Comentários: 
Há sempre um desgaste natural presente em adaptações de grandes clássicos do passado como no caso de "Frankenstein". Ao longo de muitos anos tivemos um sem número de adaptações cinematográficas. Alguns filmes clássicos pelo meio do caminho, mas também várias porcarias. Então, depois dessa longa jornada, chegamos na versão de Guillermo del Toro para essa história imortal. Não se engane sobre isso, esse é um excelente filme! O cineasta dedicou 15 anos de sua vida para que seu projeto ganhasse as telas. Tanto cuidado e capricho, além de um verdadeiro amor pela obra original, está em cada fotograma desse filme. É uma daquelas obras cinematográficas belíssimas em seu conceito de direção de arte. Cada cena parece um quadro pintado na era vitoriana. Um bom gosto à prova de qualquer crítica. O filme também nos mostra um roteiro muito bem elaborado, com nuances perfeitas para cada momento crucial dos acontecimentos. Diante disso não me sobra nenhuma opção. Quando o filme chegou ao seu final eu aplaudi de pé o que acabara de ver! Bravo, Guillermo del Toro, bravo! 

Pablo Aluísio. 

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Nosferatu

Nosferatu
No começo de tudo, Nosferatu não passava de uma cópia mal disfarçada de Drácula. Roteiristas, ainda na era do cinema mudo, escreveram um roteiro que era claramente copiado do livro Drácula de Bram Stoker. Algo na linha "semelhante, mas tentando parecer diferente". Não deu muito certo, foram processados por plágio e tudo mais. O filme pioneiro entretanto se tornou um clássico da história do cinema. As décadas se passaram, houve um bom filme nos anos 70 e agora temos essa nova versão desse vampiro monstruoso, decadente e sombrio. 

Adorei esse novo filme! Isso é o que eu espero de um bom filme de vampiros seculares e imortais. O clima, a ambientação, o estilo sombrio da fotografia, tudo está perfeito! Esse é um filme que é colorido, mas que ao mesmo tempo parece ser em preto e branco pelo predomínio do cinza e da desilusão em todos os momentos. Diante de tamanho capricho e bom gosto, gostei de praticamente tudo! Devo dizer que a única coisa que me incomodou um pouco foi a ausência da figura clássica do próprio Nosferatu. Aquele design da criatura fez falta sim, mas em nada desmereceu esse grande filme. No fundo foi uma opção dos realizadores em serem mais fiéis à descrição do monstro na literatura do que no próprio cinema do passado. Tudo bem, uma questão de opção em relação à direção de arte. 

Esse Nosferatu é um monstro. Não é uma figura romântica, como ele bem confessa em determinado diálogo ao deixar claro que lhe é impossível amar. Apenas uma figura monstruosa e amaldiçoada que procura por algum tipo de redenção. No fundo quer o fim de sua própria maldição interior. Sim, viver séculos e séculos pode ser insuportável! E essa criatura das trevas quer voltar a ver a luz solar algum dia! Por isso achei a cena final bem impactante. Ali o filme ganhou muito em grandeza! Não se engane, esse roteiro é muito bom! 

Como fã de filmes de terror, fico realmente muito satisfeito ao perceber que o cinema atual tem procurado por uma volta ás origens nessa mitologia dos vampiros. Nada de Anna Rice, os produtores agora estão em busca dos filmes e livros clássicos do vampirismo. E essa é uma excelente notícia para quem aprecia desse tipo de universo cinematográfico. Assim espero que continue. E esse Nosferatu é sem dúvida um símbolo poderoso dessa retomada. E que venham mais filmes como esse! Estarei esperando todos eles com uma bela taça de vinho em mãos. 

Nosferatu (Nosferatu, Reino Unido, Estados Unidos, Hungria, 2024) Direção: Robert Eggers / Roteiro: Robert Eggers, Henrik Galeen / Elenco: / Sinopse: Bill Skarsgård, Willem Dafoe, Lily-Rose Depp, Nicholas Hoult, Aaron Taylor-Johnson / Sinopse: Jovem advogado vai até uma região distante e isolada para levar a escritura de um imóvel que foi vendido para um estranho e sombrio conde. E mal sabe ele que não apenas sua vida corre sério risco, mas a de sua noiva também. E os acontecimentos que virão serão certamente trágicos e sombrios. Baseado no livro Drácula de Bram Stoker. 

Pablo Aluísio. 

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Invocação do Mal 3

Invocação do Mal 3
Gostei desse novo filme da franquia "The Conjuring". Muito se diz que geralmente filmes de número 3 são bem ruins. Bom, de certa forma isso aconteceu em muitas franquias cinematográficas, mas aqui temos uma exceção. O filme é realmente muito bom. Aliás é o mais sombrio e dark de todos os dessa linha. É verdade que alguns andam criticando o roteiro, por ser em muitos aspectos, bem distante da história real. Pois essas pessoas deveriam entender que "Invocação do Mal 3" não é um documentário! É um filme de entretenimento, puro cinema, e nesse aspecto se sai muito bem.

A história real para falar a verdade tem tantos eventos diferentes e tantos envolvidos que os roteiristas tiveram que dar uma enxugada em tudo. E eles fizeram um bom trabalho nesse aspecto, pois a história contada aqui flui de forma natural. O ritmo não decai nunca e a diversão se torna garantida. Até mesmo a iniciativa de se criar uma vilã, uma bruxa, filha de um padre, soou muito bem bolada. E como não poderia deixar de ser há também criaturas bem produzidas, como a do homem morto com obesidade mórbida que se levanta de sua cama de necrotério. Os sustos assim ficam todos garantidos. Penso até que esse é certamente um dos melhores filmes dessa longa e produtiva franquia de filmes de terror. É o fino da bossa, digo, do horror americano da atualidade.

Invocação do Mal 3: A Ordem Do Demônio (The Conjuring: The Devil Made Me Do It, Estados Unidos, 2021) Direção: Michael Chaves / Roteiro: David Leslie Johnson-McGoldrick / Elenco: Patrick Wilson, Vera Farmiga, Ruairi O'Connor, Sarah Catherine Hook, Julian Hilliard, Steve Coulter, Vince Pisani / Sinopse: O casal Ed (Patrick Wilson) e Lorraine Warren (Formiga) se envolvem em mais um caso sobrenatural envolvendo um garoto possuído pelo demônio, um padre aposentado e sua filha, que se tornou uma sacerdotisa do ocultismo.

Pablo Aluísio.

Um Lobisomem Americano em Paris

Título no Brasil: Um Lobisomem Americano em Paris
Título Original: An American Werewolf in Paris
Ano de Produção: 1997
País: Estados Unidos, França
Estúdio: Hollywood Pictures
Direção: Anthony Waller
Roteiro: Tim Burns
Elenco: Tom Everett Scott, Julie Delpy, Vince Vieluf
  
Sinopse:
Serafine Pigot (Julie Delpy) até parece uma garota normal. Apenas parece. Na verdade ela herdou por linhagem familiar uma maldição: a de se transformar em loba em determinadas circunstâncias (quando a lua cheia surge no horizonte, por exemplo). Desesperada com seu trágico destino ela resolve se matar, pulando da torre Eiffel em Paris. Acaba sendo salva por um turista americano, o jovem Andy McDermott (Tom Everett Scott). Em pouco tempo se apaixonam. Esse romance porém está obviamente fadado ao fracasso por causa justamente da maldição da lua cheia. Filme indicado ao Gérardmer Film Festival e ao MTV Movie Awards.

Comentários:

Continuação tardia e infeliz do clássico "Um Lobisomem Americano em Londres". É a tal coisa, pequenos clássicos modernos, como o filme original dessa série, não devem ganhar sequências apenas por questões financeiras. O primeiro filme só ganhou status ao longo dos anos, principalmente pelo seu roteiro sui generis e pela sempre lembrada cena de transformação em lobisomem (considerada até os dias de hoje uma das mais bem realizadas da história do cinema). Foi um ótimo terror que deveria ter ficado por aí. Acontece que a ganância dos produtores sempre fala mais alto e então resolveu-se produzir esse caça-níqueis sem graça. Aproveitando os avanços tecnológicos dos efeitos digitais o filme até capricha em cenas com os monstros - numa delas o werewolf sai de uma fonte e se balança para se enxugar, mostrando riqueza de detalhes em seus pelos. Claro que é uma cena extremamente bem feita tecnicamente, pena que o roteiro não teve o mesmo capricho. Tudo soa banal, sem novidades e cheio de clichês. O roteirista caiu na velha armadilha de escrever uma "estória igual, que pareça diferente!". Não convenceu ninguém e o filme fracassou nas bilheterias. Foi merecido. 

Pablo Aluísio.

A Mosca

A Mosca
Na década de 1950 o cinema de ficção americano deu origem a uma série de filmes maravilhosamente nostálgicos onde conviviam lado a lado o medo das novas tecnologias com a criação de monstros sedentos de sangue. Um dos mais significativos nesse sentido foi o clássico “A Mosca da Cabeça Branca" de 1958. O enredo era um charme. Um cientista em busca da possibilidade de transportar matéria entre dois pontos eqüidistantes acabava entrando em sua própria máquina. Era sua tentativa de transformar o teletransporte em uma realidade. Por um erro porém um inseto, uma mosca, entrava dentro do compartimento na mesma hora em que a experiência era realizada. Diante da situação de ter dois corpos diversos para transportar a máquina de teletransporte acabou criando uma fusão entre o DNA humano e o da mosca, criando nesse processo um monstro. O cientista assim via se transformando no inseto aos poucos, vendo seu organismo passar por um terrível processo de transformação. No filme original a mudança acontecia na cabeça e nas mãos do cientista apenas, já nesse remake realizado praticamente trinta anos depois, já na década de 1980, a fusão se tornava completa transformando o corpo do cientista em uma matéria disforme, apodrecida, deformada.

O diretor David Cronenberg criou assim uma obra aterrorizadora que chamou muito a atenção em seu lançamento por causa da maquiagem perfeita do monstro. Desnecessário dizer que a fita logo se tornou um grande sucesso de bilheteria nos cinemas e depois repetiu o êxito quando chegou nas locadoras de fitas VHS (no auge do sucesso do videocassete). O ator Jeff Goldblum passou certamente por um processo dos mais dolorosos pois a maquiagem pesada em determinado momento do filme tomou conta de todo o seus corpo. Eram horas e horas de maquiagem, o que no final acabou valendo muito a pena haja visto o resultado que vemos nas telas. É curioso que “A Mosca” mesmo sendo produzido em uma era pré-digital consegue ser muito mais verossímil e convincente do que os filmes atuais feitos com tecnologia de computação gráfica. A sensação de se ver algo real, na tela, mesmo que seja uma maquiagem cinematográfica, causa certamente maior impacto no público. Assim não deixe de ver esse pequeno clássico do cinema de terror dos anos 80 – e por favor esqueça sua péssima continuação, “A Mosca 2” que realmente é um horror de filme (no mal sentido).

A Mosca (The Fly, Estados Unidos, 1986) Direção: David Cronenberg / Roteiro: George Langelaan, Charles Edward Pogue / Elenco: Jeff Goldblum, Geena Davis, John Getz / Sinopse: Cientista tenta chegar ao teletransporte mas por um erro acaba tendo seu DNA fundido a de uma mosca que adentrou a máquina no momento em que se realizava seu teletransporte de matéria. Agora terá que lidar com as terríveis transformações pelas quais passa seu novo organismo.

Pablo Aluísio