sexta-feira, 3 de julho de 2026

A Mulher de Preto

A Mulher de Preto
A Hammer era uma produtora muito famosa nos anos 50 e 60 por causa de seus filmes de terror. Recentemente assisti alguns clássicos deles, como os filmes de Drácula estrelados por Christopher Lee. Aqui encontramos todos os ingredientes que fizeram a fama do estúdio inglês: muito clima, portas rangendo, sombras e sustos, muitos sustos. A premissa dessa estória inclusive tem muito a ver com o próprio Drácula. Tal como acontece no famoso livro de Bram Stoker, aqui temos um advogado chegando a uma antiga casa isolada para acertar certos problemas jurídicos. Claro que no caso de "A Mulher de Preto" não existem vampiros mas sim fantasmas e assombrações. De qualquer forma a estrutura de ambas as estórias são bem semelhantes. Algumas críticas andam reclamando do ator Daniel Ratcliffe no filme afirmando que ele é muito jovem para interpretar o personagem do advogado mas penso que devemos dar um desconto ao rapaz pois ele já demonstrou que é bastante esforçado e quer criar agora uma carreira independente e longe de Harry Potter (que o consagrou e que seguramente vai lhe assombrar até o fim de seus dias como ator).

O roteiro de "A Mulher de Preto" é bem simples, a maior parte dele se passa numa casa isolada e escura, localizada numa ilha, por isso a direção de arte tinha que ser caprichada - e é. Não é simples recriar com eficiência mansões mal assombradas pois ou ficam mal feitas ou falsas demais. Aqui gostei bastante do resultado pois foi bem convincente a ambientação. Não vou criticar o filme por causa de seus clichês - sim ele tem vários clichês. Isso porque é baseado em uma obra relativamente recente escrita por Susan Hill e o que se vê na tela é de certa forma proposital mesmo, uma homenagem ou uma tentativa de recriar os antigos e tradicionais filmes de terror. Textos assim, feitos com essa intenção, geralmente trazem de volta fórmulas que já foram usadas muitas e muitas vezes no cinema, por isso não importa muito que reapareçam aqui - aliás essa parece ter sido a intenção dos roteiristas. No saldo final, apesar de alguns deslizes, gostei do resultado. É um filme de terror atual com cara de velho e como gosto da cultura vintage esse aqui certamente me agradou. Em tempos de gore levar alguns sustos como os que surgem aqui são mais do que bem vindos. A velha tradição de sombras e sustos caiu muito bem. Recomendo.

A Mulher de Preto (The Woman in Black, Inglaterra, 2012) Direção de James Watkins / Roteiro de Jane Goldman baseado no romance de Susan Hill / Elenco: Daniel Radcliffe, Ciarán Hinds, Janet McTeer, Lucy May Barker, Emma Shorey / Sinopse: Jovem advogado (Daniel Radcliffe) é enviado para remota cidade com o objetivo de realizar um inventário de uma antiga casa há muito abandonada.

Pablo Aluísio.

30 Dias de Noite II

30 Dias de Noite II
Tudo muito fraco, tudo muito pobre, produção feia, atores ruins e roteiro banal. Eu até que gostei de "30 Dias de Noite", mas essa sua sequência é realmente indefensável. O grande charme do filme original era a ambientação em uma cidade do Alaska que ficaria 30 dias sem ver a luz do sol. Um prato cheio para o ataque de um grupo de vampiros sanguinários e vorazes. Certamente aquela situação era bem interessante. Porém, para minha decepção, tiraram esse ótimo clima soturno nessa continuação! O que resta depois de uma ideia tão equivocada como essa? Para piorar o que já era bem ruim os roteiristas resolveram escrever uma péssima estória que se desenvolve na ensolarada Califórnia!!! Existe algo mais fora do clima de vampiros do que as praias da Califórnia? Claro que não!

A razão dessa estupidez é até fácil de entender. Sem orçamento  para produzir algo melhor os produtores filmaram tudo no quintal mesmo - em Los Angeles, a pior cidade do mundo para se realizar um filme de vampiros. Para piorar o que já era bem ruim colocaram uma péssima atriz para fazer um péssimo personagem: a rainha vampira, que tem sob comando um "ninho" de seres da noite. Ela quer a todo custo transportar os vampiros de navio para o Alaska, obviamente visando com isso atacar outra cidade como vimos no primeiro filme. Pura bobagem. Não recomendo a ninguém, nem a fãs de quadrinhos, nem a fãs de vampiros e nem muito menos a admiradores de efeitos especiais (a produção é bem fraca nesse sentido, pois não se gastou muito nas cenas, resultando tudo em uma decepção). Enfim, acho que é o fim da franquia. "30 Dias de Noite 2" é ruim de doer, com ou sem caninos salientes.

30 Dias de Noite 2 (30 Days of Night: Dark Days, Estados Unidos, 2010) Direção: Ben Ketai / Roteiro: Steve Niles, Ben Ketai / Elenco: Kiele Sanchez, Rhys Coiro, Diora Baird / Sinopse: Vampiros sedentos de sangue levam o terror a Los Angeles e depois seguem rumo ao Alaska para nova carnificina.

Pablo Aluísio. 

[REC]

[REC]
Jovem repórter e seu cameraman fazem uma reportagem sobre a rotina dos bombeiros quando esses são chamados a um conjunto de apartamentos onde vizinhos ouvem gritos no andar superior. Ao investigar o ocorrido descobrem algo bem mais sinistro. [REC] segue os passos da estética de "A Bruxa de Blair", ou seja, é um falso documentário ou como os americanos gostam de chamar um "Mockumentary". Para quem odiou "Bruxa de Blair" é sofrido saber mas parece que a ideia deu frutos e hoje vários filmes seguem os passos do filme pioneiro. O resultado já sabemos: câmera na mão, gritos, correria, imagens desfocadas ou balançadas e ritmo alucinante. Tudo com cheiro de amadorismo para trazer uma verniz de "realidade". De certa forma os filmes que seguem o estilo "Mockumentary" bebem diretamente da fonte dos chamados reality shows da TV - a ideia é imitar os reality shows na forma de mostrar ou contar ao espectador a estória. [REC] tem um parentesco bem próximo também dos filmes de Romero, até porque deve-se reconhecer que qualquer filme que mostre mortos vivos vai de uma forma ou outra copiar as obras do mestre de terror.

Do ponto de vista originalidade [REC] não traz grandes surpresas. O filme é curtinho - para não saturar - e se concentra basicamente em criar uma situação e explorar ela ao máximo tentando com sua suposta veracidade criar medo no espectador. Nesse aspecto achei que a criação do enredo foi bem melhor do que seu desenvolvimento. A atriz Manuela Velasco que interpreta a jornalista consegue nos passar mesmo a sensação de que é uma quase amadora na profissão. Curiosamente seu cameraman jamais aparece mesmo quando a câmera cai no chão ou ele fica sem controle dela. De resto destaco apenas duas boas cenas na produção: a primeira quando as pessoas que estão em quarentena no prédio descobrem a "velha" no andar de cima e a segunda quando finalmente chegam no apartamento que vai revelar grande parte da trama (embora muita coisa fique mesmo no ar, sem explicação). De maneira em geral [REC] procura inovar de alguma forma no velho tema mortos vivos. Consegue apenas em termos, caindo muitas vezes na banalidade. Vale assistir pelo menos uma vez para conhecer e é só.

[REC] (REC, Espanha, 2007) Direção: Jaume Balagueró, Paco Plaza / Roteiro: Jaume Balagueró, Paco Plaza, / Elenco: Manuela Velasco, Ferran Terraza, Jorge-Yamam Serrano ; Sinopse: Jovem repórter e seu cameraman fazem uma reportagem sobre a rotina dos bombeiros quando esses são chamados a um conjunto de apartamentos onde vizinhos ouvem gritos no andar superior. Ao investigar o ocorrido descobrem algo bem mais sinistro do que poderiam imaginar.

Pablo Aluísio.