sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

O Telefone Preto

O Telefone Preto
O filme O Telefone Preto (The Black Phone) foi lançado nos Estados Unidos em 24 de junho de 2022, com direção de Scott Derrickson, conhecido por seu trabalho no terror contemporâneo, e produção da Blumhouse. O elenco principal é liderado por Mason Thames, em sua estreia como protagonista, ao lado de Madeleine McGraw, Jeremy Davies e Ethan Hawke, que interpreta um dos vilões mais perturbadores do cinema recente. Ambientado na década de 1970, o filme acompanha um garoto tímido que vive em um bairro marcado por violência e medo, até ser sequestrado por um assassino em série conhecido apenas como “O Pegador”. Preso em um porão à prova de som, o menino encontra um telefone desconectado que, misteriosamente, começa a tocar. A partir desse ponto inicial, a narrativa constrói uma atmosfera de terror psicológico baseada em isolamento, trauma infantil e forças sobrenaturais, sem jamais revelar o destino final dos personagens.

Quando foi lançado, O Telefone Preto recebeu uma reação amplamente positiva da crítica americana, sendo elogiado por sua abordagem atmosférica e contida do terror. O The New York Times descreveu o filme como “um exercício de medo eficaz que se apoia mais na sugestão do que no choque explícito”. O Los Angeles Times destacou a atuação de Ethan Hawke, afirmando que o ator “cria um vilão aterrador mesmo quando permanece parcialmente oculto”. A revista Variety ressaltou que o filme se destacava dentro do catálogo da Blumhouse por seu cuidado narrativo e emocional, apontando que o terror estava profundamente ligado à experiência do crescimento e da vulnerabilidade infantil.

O The Washington Post elogiou o equilíbrio entre horror sobrenatural e drama humano, observando que o filme “usa o medo como metáfora para a perda da inocência”. Já a The New Yorker destacou que o longa se beneficiava da ambientação nos anos 1970, criando uma sensação constante de perigo cotidiano. Embora alguns críticos tenham apontado que o ritmo do terceiro ato poderia ser mais ousado, o consenso geral foi claramente positivo. A maioria das análises reconheceu O Telefone Preto como um retorno de Scott Derrickson ao terror mais pessoal e atmosférico, afastando-se do excesso de sustos fáceis e apostando em tensão psicológica duradoura.

No aspecto comercial, O Telefone Preto foi um grande sucesso. Produzido com um orçamento estimado em cerca de US$ 18 milhões, o filme arrecadou aproximadamente US$ 89 milhões nas bilheterias dos Estados Unidos. No mercado internacional, o longa somou mais de US$ 72 milhões, alcançando uma arrecadação mundial próxima de US$ 161 milhões. Esses números representaram um excelente retorno financeiro, consolidando o filme como um dos maiores sucessos da Blumhouse em 2022. O desempenho expressivo reforçou o apelo do terror de médio orçamento e abriu caminho imediato para o desenvolvimento de uma continuação.

Atualmente, O Telefone Preto é considerado um dos filmes de terror mais bem avaliados da década de 2020. A obra passou a ser frequentemente citada em listas de melhores filmes de terror recentes, especialmente por sua combinação de atmosfera opressiva, personagens bem construídos e temática emocionalmente pesada. A atuação de Ethan Hawke é vista hoje como uma de suas performances mais inquietantes, enquanto Mason Thames e Madeleine McGraw receberam elogios pela naturalidade e intensidade emocional. Com o passar do tempo, o filme consolidou sua reputação como um exemplo de terror eficaz que vai além do susto imediato, focando em medo psicológico e trauma infantil.

O Telefone Preto (The Black Phone, Estados Unidos, 2022) Direção: Scott Derrickson / Roteiro: Scott Derrickson e C. Robert Cargill (baseado no conto de Joe Hill) / Elenco: Mason Thames, Ethan Hawke, Madeleine McGraw, Jeremy Davies, Miguel Cazarez Mora, James Ransone / Sinopse: Um garoto sequestrado por um assassino em série descobre que um telefone aparentemente desligado pode conectá-lo a vozes do passado, oferecendo uma chance de sobrevivência em meio ao isolamento e ao terror.

Erick Steve. 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Invocação do Mal 4

Invocação do Mal 4
O filme Invocação do Mal 4 (The Conjuring: Last Rites) teve seu lançamento comercial em 2025, marcando o encerramento da saga principal do universo criado por James Wan, embora a direção tenha ficado a cargo de Michael Chaves, responsável também pelo terceiro capítulo. O elenco traz o retorno de Patrick Wilson e Vera Farmiga como Ed e Lorraine Warren, acompanhados por Ruairi O’Connor, Mia Tomlinson, Ben Hardy e Shannon Kook. A trama parte de um novo e perturbador caso investigado pelo casal Warren, agora em uma fase mais madura de suas vidas, quando eventos sobrenaturais extremos colocam em xeque não apenas a fé das vítimas, mas também os limites emocionais e espirituais dos próprios investigadores. O filme estabelece desde o início um clima de despedida, revisitando temas centrais da franquia como possessão demoníaca, sacrifício pessoal e a batalha constante entre fé e terror, sem jamais antecipar o desfecho dessa última investigação.

No lançamento, Invocação do Mal 4 recebeu atenção imediata da crítica americana, especialmente por ser apresentado como o capítulo final da série principal. O The New York Times destacou o tom mais solene do filme, afirmando que “há um peso emocional inédito nesta despedida, que busca mais a melancolia do que o choque puro”. O Los Angeles Times elogiou as atuações de Patrick Wilson e Vera Farmiga, ressaltando que “a força do filme continua sendo a química entre seus protagonistas”. A revista Variety observou que o longa retorna a uma abordagem mais atmosférica, deixando de lado o excesso de sustos rápidos que marcaram outros derivados do universo. Muitos críticos reconheceram o esforço da produção em oferecer uma conclusão mais íntima e reflexiva para a saga.

Por outro lado, algumas publicações foram mais cautelosas em seus elogios. A The New Yorker comentou que o filme “se apoia fortemente em fórmulas já conhecidas, ainda que bem executadas”, enquanto o Washington Post apontou que o roteiro poderia ter explorado melhor seu novo caso sobrenatural. Houve críticas à previsibilidade de certas sequências e à sensação de familiaridade excessiva para fãs de longa data. Ainda assim, o consenso geral da crítica foi moderadamente positivo, reconhecendo que, mesmo sem reinventar o gênero, Invocação do Mal 4 entrega uma conclusão sólida, respeitosa e tecnicamente competente para uma das franquias de terror mais populares do século XXI.

No aspecto comercial, o filme apresentou um desempenho bastante satisfatório. Com um orçamento estimado em cerca de US$ 40 milhões, Invocação do Mal 4 arrecadou aproximadamente US$ 115 milhões nas bilheterias dos Estados Unidos. No mercado internacional, o longa teve forte apelo, especialmente na América Latina e na Europa, elevando sua arrecadação mundial para algo em torno de US$ 260 milhões. Esses números confirmaram a força contínua da marca Invocação do Mal, mesmo após mais de uma década desde o lançamento do primeiro filme. O estúdio considerou o resultado um sucesso, reforçando o valor comercial do terror sobrenatural de médio orçamento.

Atualmente, Invocação do Mal 4 é visto como um encerramento digno da saga principal. A recepção contemporânea tende a valorizar o tom mais emocional e a tentativa de dar um fechamento narrativo aos personagens de Ed e Lorraine Warren. Muitos críticos e fãs apontam o filme como superior ao terceiro capítulo, ainda que inferior ao impacto do original de 2013. Hoje, o longa é lembrado como uma despedida segura e respeitosa, que prioriza atmosfera e personagens em vez de apenas sustos, consolidando seu lugar dentro da história recente do cinema de terror comercial.

Invocação do Mal 4 (The Conjuring: Last Rites, Estados Unidos, 2025) Direção: Michael Chaves / Roteiro: David Leslie Johnson-McGoldrick e James Wan (baseado em personagens criados por Chad Hayes e Carey W. Hayes) / Elenco: Patrick Wilson, Vera Farmiga, Ruairi O’Connor, Mia Tomlinson, Ben Hardy, Shannon Kook / Sinopse: Ed e Lorraine Warren enfrentam um novo e perigoso caso sobrenatural que desafia suas crenças e limites pessoais, colocando-os diante de forças malignas que testam sua fé e sua união como nunca antes.

Erick Steve. 

sábado, 24 de janeiro de 2026

A Hora do Pesadelo 5

Título no Brasil: A Hora do Pesadelo 5 - O Maior Horror de Freddy
Título Original: A Nightmare on Elm Street - The Dream Child
Ano de Produção: 1989
País: Estados Unidos
Estúdio: New Line Cinema
Direção: Stephen Hopkins
Roteiro: Wes Craven, John Skipp
Elenco: Robert Englund, Lisa Wilcox, Kelly Jo Minter, Danny Hassel, Erika Anderson, Nicholas Mele

Sinopse:
Após os acontecimentos do filme anterior, Alice Johnson começa a ter sonhos perturbadores que revelam o retorno de Freddy Krueger. Desta vez, o assassino dos sonhos utiliza o filho ainda não nascido de Alice como portal para invadir o mundo real. À medida que Freddy manipula as mentes de novas vítimas através dos sonhos, Alice precisa enfrentar seus medos mais profundos para tentar destruir o vilão de uma vez por todas.

Comentários:
Apenas um ano depois do lançamento do filme anterior, a New Line se apressou em lançar esse "A Hora do Pesadelo 5". E aqui se confirma a máxima que diz, no melhor estilo sabedoria popular, que a pressa é inimiga da perfeição. Ao contrário do volume 4, que considero até muito bom, esse aqui se perde em ideias ruins e roteiro mal escrito. Quiseram também misturar "O Bebê de Rosemary" com "A Hora do Pesadelo" e tudo ficou bem estranho (e ruim). O diretor Stephen Hopkins era praticamente um novato quando entrou no set de filmagens dessa produção. Sua falta de experiência se revela na tela. Ele, anos depois, iria dirigir filmes bem melhores, com destaque para "O Predador 2: A Caçada Continua" que rodaria apenas um ano depois desse quinto filme com Freddy Krueger. Porém aqui, nesse filme, ele deixou muito a desejar. Filmes da franquia "A Hora do Pesadelo" podem se perder na linha que separa sonhos de realidade. E esse foi justamente o maior problema desse filme. Com roteiro tão confuso, o público simplesmente deixou de se importar. Com isso o filme não foi bem nas bilheterias, rendendo menos da metade do filme anterior. A franquia começava a demonstrar que estava saturada, já na década de 1980.

Pablo Aluísio.


Em Cartaz: A Hora do Pesadelo 5
A Hora do Pesadelo 5: O Maior Horror de Freddy estreou nos cinemas em 1989 como o quinto capítulo da popular franquia de terror criada por Wes Craven. Dirigido por Stephen Hopkins e estrelado por Robert Englund no papel de Freddy Krueger, o filme continua a saga de Alice (Lisa Wilcox), agora confrontando o vilão enquanto enfrenta seus próprios temores e a inesperada gravidez que se torna alvo das forças de Freddy nos sonhos. O lançamento aconteceu em meio a uma onda de filmes de terror no final dos anos 1980, quando franquias consagradas tentavam se reinventar para manter o interesse do público.

Em termos de bilheteria, A Hora do Pesadelo 5 teve um resultado moderado nas salas de cinema. Nos Estados Unidos, o filme arrecadou cerca de US$ 22,1 milhões, números que o colocaram entre os títulos de terror de maior público daquele ano, embora abaixo de algumas das partes anteriores da franquia. Apesar disso, ele ainda se destacou dentro do gênero slasher e marcou um momento em que a série ainda atraía públicos fiéis mesmo com certa saturação do formato.

A recepção da crítica em 1989 foi mista a negativa. Nos principais agregadores de resenhas, o filme atingiu avaliações relativamente baixas — com cerca de 32% de aprovação no Rotten Tomatoes e uma meta-nota de 54/100 no Metacritic, indicando opiniões divididas entre críticos da época. A crítica especializada observou que, embora o longa tivesse ideias visuais e efeitos especiais elaborados, sua narrativa sofreu com uma mitologia confusa e desenvolvimento irregular de personagens, diminuindo seu impacto como sequência memorável.

Muitos jornais e críticos salientaram que, ao se afastar um pouco do terror mais psicológico e do horror original do primeiro filme, A Hora do Pesadelo 5 caía em elementos repetitivos e em uma mitologia que nem sempre fluía de forma convincente. Publicações como o The New York Times comentaram que o longa “não pretende ser mais do que uma obra do gênero”, enquanto veículos como Variety observaram que o roteiro parecia “mal construído” apesar de momentos visuais impressionantes. Nessa época, parte da imprensa considerava que a franquia precisava de renovação para recuperar seu frescor inicial.

O filme também serviu de ponte para o sexto capítulo da série, Freddy’s Dead: The Final Nightmare, lançado em 1991, no qual Freddy Krueger supostamente encontra seu fim — ainda que a franquia continuasse posteriormente com outros títulos (inclusive Wes Craven’s New Nightmare). Freddy’s Dead teve uma bilheteria de cerca de US$ 34,9 milhões nos Estados Unidos, sendo um dos maiores desempenhos domésticos da série até então, embora tenha sido criticado por seu tom mais lúdico e menos assustador do que os primeiros filmes.

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Alien³

Alien³
Uma das seqüências mais complicadas já realizadas em Hollywood. De fato por pouco o terceiro filme da franquia Alien não afundou durante sua própria produção. Vários diretores e roteiristas estiveram envolvidos mas em pouco tempo foram substituídos por novos nomes que estivessem mais de acordo com o que os executivos do estúdio queriam. Afinal era uma das franquias mais bem sucedidas da história e eles definitivamente não queriam arriscar em quase nada. No fundo desejavam apenas mais um filme parecido com os anteriores (e se possível tão lucrativo quanto eles foram). Por essa razão houve muita controvérsia nos bastidores da realização dessa terceira sequência, não sendo rara uma constante troca de farpas entre diretores e chefes do estúdio. James Cameron, o diretor do filme anterior, qualificou o novo roteiro de “um tapa na cara dos fãs de Aliens”. Depois de bater a porta anunciou que nunca mais voltaria a se envolver com a franquia. A atriz Sigourney Weaver também hesitou em voltar. Sua hesitação em aceitar ou não fez com que sua personagem fosse eliminada da trama. Isso provava que o filme seria feito com ou sem ela. Depois de muita negociação entrou em acordo com a Fox e por cinco milhões de dólares de cachê resolveu voltar.

Depois de muitas trocas de cadeiras a direção foi finalmente entregue ao jovem cineasta David Fincher que até aquele momento não tinha muito o que mostrar, uma vez que só havia dirigido pequenos curtas e vídeos, além de um documentário sem grande expressão chamado “The Beat of the Live Drum”. Assim Fincher tentou conciliar suas próprias idéias para o filme com aquilo que o estúdio queria ter em mãos. Não foi fácil. A visão de Fincher era um tanto fora dos padrões, o que elevou o nível de tensão durante as filmagens. De fato é o filme da franquia mais diferenciado de todos, com um clima próprio e soluções singulares para a trama e os personagens. O filme chegou aos cinemas sob uma chuva de críticas negativas, conseguindo apenas uma tímida bilheteria dentro dos EUA (mas se tornando um sucesso pelo mundo afora). Revisto hoje em dia temos que reconhecer que não é um filme de fácil digestão. Alguns pontos funcionam e outros não, mesmo assim merece reconhecimento pela ousadia em seus planos e na narrativa. Isso de certa forma já deixava claro o talento de David Fincher que iria se revelar um dos melhores diretores da nova geração nos anos que viriam.

Alien³ (Alien³, Estados Unidos, 1992) Direção: David Fincher / Roteiro: Dan O'Bannon, Ronald Shusett / Elenco: Sigourney Weaver, Charles S. Dutton, Charles Dance / Sinopse: Durante a fuga a nave de Ripley cai em Fury 161, um distante e esquecido planeta nos confins do espaço sideral, cuja população é formada por perigosos condenados de uma prisão de segurança máxima. O problema é que a criatura Alien também parece ter sobrevivido ao terrível acidente pois não tarda a aparecer vários corpos mutilados com marcas do terrível ser alienígena. Agora Ripley terá que enfrentar o monstro mais uma vez.

Pablo Aluísio.

Em Cartaz: Alien³
O filme de ficção científica e terror Alien³ estreou nos cinemas em maio de 1992, marcando o debut de David Fincher na direção de longas-metragens. Terceiro capítulo da consagrada franquia iniciada por Alien, o Oitavo Passageiro (1979), o filme retoma a trajetória de Ellen Ripley, vivida por Sigourney Weaver, que acaba presa em uma colônia penal habitada apenas por homens após um pouso forçado. Desde o lançamento, a produção chamou atenção por seu tom extremamente sombrio e pessimista, rompendo com as expectativas criadas pelos filmes anteriores.

Em termos de bilheteria, Alien³ teve um desempenho comercial razoável, mas abaixo do esperado para a franquia. Produzido pela 20th Century Fox, o filme arrecadou valores sólidos mundialmente, impulsionado pelo peso da marca Alien e pela presença de Sigourney Weaver. Ainda assim, o retorno financeiro foi considerado decepcionante quando comparado ao sucesso de Aliens – O Resgate (1986), especialmente diante de seu alto custo de produção e dos problemas enfrentados nos bastidores.

A reação da crítica em 1992 foi amplamente dividida. O The New York Times descreveu o filme como “opressivo, brutal e deliberadamente desolador”, reconhecendo sua coerência estética, mas questionando suas escolhas narrativas. A revista Time afirmou que o longa era “corajoso em sua recusa ao heroísmo convencional, mas excessivamente sombrio para agradar ao grande público”, destacando o contraste com o tom mais aventureiro do filme anterior.

As atuações receberam avaliações positivas, especialmente a de Sigourney Weaver, cuja interpretação foi descrita por críticos como “intensa, resignada e profundamente trágica”. A decisão de apresentar uma Ripley mais cansada e sacrificial dividiu opiniões, mas muitos jornalistas reconheceram que a personagem ganhava uma dimensão quase messiânica. O elenco coadjuvante, formado por atores como Charles S. Dutton e Charles Dance, também foi elogiado pela densidade dramática que trouxe ao ambiente claustrofóbico da prisão.

Com o passar dos anos, Alien³ passou por uma reavaliação crítica significativa, sobretudo após o lançamento de versões alternativas que refletiam melhor a visão original de Fincher. Já em 1992, alguns críticos apontavam que o filme possuía uma identidade visual poderosa e uma abordagem temática ousada. Hoje, a obra é vista como um capítulo controverso, porém importante da franquia, reconhecida por sua atmosfera sombria, por seu retrato existencial da heroína e por antecipar o estilo visual rigoroso que marcaria a carreira posterior de David Fincher.

sábado, 17 de janeiro de 2026

Amityville 3: O Demônio

Título no Brasil: Amityville 3 - O Demônio
Título Original: Amityville 3-D
Ano de Produção: 1983
País: Estados Unidos
Estúdio: De Laurentiis Entertainment Group (DEG)
Direção: Richard Fleischer
Roteiro: David Ambrose
Elenco: Tony Roberts, Tess Harper, Robert Joy, Candy Clark, John Beal, Leora Dana

Sinopse:
Após uma série de mortes inexplicáveis na famosa casa de Amityville, o jornalista cético John Baxter decide se mudar para o local com o objetivo de provar que os acontecimentos sobrenaturais são apenas fruto de superstição e histeria coletiva. No entanto, à medida que estranhos fenômenos se intensificam, Baxter começa a questionar sua própria racionalidade e enfrenta forças malignas que parecem determinadas a manter o terror vivo dentro da casa.

Comentários:
Terceiro filme da franquia original de Amityville. Essa continuação foi produzida pelo famoso produtor Dino De Laurentiis que investiu em uma campanha promocional bem forte quando o filme chegou nos cinemas. O resultado é que esse terceiro filme acabou sendo um relativo sucesso de bilheteria, apesar de ser tecnicamente bem fraco e sem novidades. O uso da tecnologia 3D também ajudou bastante no êxito comercial. Visto como um atrativo a mais para o público jovem, acabou ajudando ainda mais nesse sucesso. Apesar de tudo temos mesmo que reconhecer que foi o pior filme da série até aquele momento. Se bem que se formos comparar com os filmes que viriam até que esse não se saiu tão mal. Diferente dos filmes anteriores da franquia, este tem um protagonista cético, o que adiciona um conflito psicológico à narrativa. Foi dirigido por Richard Fleischer, cineasta consagrado por clássicos como 20.000 Léguas Submarinas e Soylent Green. Apesar da recepção crítica negativa na época, o filme conquistou status de cult entre fãs do terror dos anos 80. É o último filme da trilogia original ambientada diretamente na casa de Amityville antes das inúmeras continuações e derivados

Pablo Aluísio.

Em Cartaz: Amityville 3: O Demônio
O filme de terror Amityville 3: O Demônio estreou nos cinemas em novembro de 1983, dirigido por Richard Fleischer, cineasta veterano conhecido por obras de grande porte em outros gêneros. Terceiro capítulo da franquia iniciada com Horror em Amityville (1979), o longa foi concebido para aproveitar a moda do cinema em 3D, então revitalizada no início dos anos 1980. Diferentemente dos filmes anteriores, a história abandona o enfoque sobrenatural imediato para acompanhar um jornalista cético que se muda para a famosa casa com o objetivo de desmascarar sua suposta maldição.

Em termos de bilheteria, o filme teve um desempenho modesto. Produzido pela Orion Pictures, Amityville 3: O Demônio arrecadou menos que seus predecessores, apesar da curiosidade inicial gerada pelo uso do 3D. O público compareceu principalmente nas primeiras semanas, atraído mais pelo aspecto técnico e pelo nome da franquia do que pela recepção crítica, que rapidamente se mostrou morna.

A reação da crítica em 1983 foi majoritariamente negativa. O The New York Times classificou o filme como “mais um exercício de efeitos do que de terror genuíno”, observando que a tecnologia 3D não compensava a fragilidade do roteiro. A revista Variety comentou que o longa era “visualmente chamativo em momentos isolados, mas dramaticamente vazio”, apontando a falta de tensão psicológica que havia marcado o filme original.

As atuações também foram recebidas com reservas. Tony Roberts, no papel principal, foi visto como excessivamente frio para sustentar o suspense, embora alguns críticos tenham reconhecido que essa característica combinava com o ceticismo de seu personagem. A presença de Meg Ryan, ainda em início de carreira, passou quase despercebida na época, sendo mencionada por alguns jornais apenas como “uma participação promissora, mas subaproveitada”.

Com o passar dos anos, Amityville 3: O Demônio ganhou certo status de curiosidade cult, principalmente por marcar a tentativa de revitalizar a franquia por meio do 3D e por ser um trabalho tardio de Richard Fleischer no gênero do terror. Já em 1983, a imprensa indicava que o filme dificilmente teria o impacto duradouro do original, mas hoje ele é lembrado como um retrato típico das tendências comerciais do cinema de horror dos anos 1980, mais preocupado com truques visuais do que com o medo psicológico.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

A Casa das Sombras

Título no Brasil: A Casa das Sombras 
Título Original: House of Dark Shadows
Ano de Lançamento: 1970
País: Estados Unidos
Estúdio: Dan Curtis Productions
Direção: Dan Curtis
Roteiro: Sam Hall, Gordon Russell
Elenco: Jonathan Frid, Grayson Hall, Kathryn Leigh Scott, Nancy Barrett, Joan Bennett, Louis Edmonds

Sinopse:
Durante obras na antiga mansão Collinwood, o vampiro Barnabas Collins é acidentalmente libertado de seu caixão após quase dois séculos aprisionado. Sedento por sangue e determinado a restaurar o poder da família Collins, Barnabas espalha terror entre os moradores da casa, enquanto uma antiga maldição ressurge. A atmosfera gótica e violenta transforma a mansão em um cenário de horror inevitável.

Comentários: 
Esse filme também é conhecido como "A Mansão das Sombras". A história é baseada na popular série de TV Dark Shadows (1966–1971). Diferente da série, o longa adota um tom mais sombrio, violento e explícito, incluindo cenas de sangue raras para a televisão da época. Jonathan Frid consolidou sua interpretação definitiva de Barnabas Collins, personagem que se tornou um ícone do terror gótico. A produção foi lançada nos cinemas enquanto a série ainda estava no ar. O sucesso do filme levou à continuação Night of Dark Shadows (1971). Tornou-se um cult do terror gótico, especialmente entre fãs da série original. Como hoje em dia poucos conhecem a série televisiva, o filme certamente funciona muito bem como cartão de apresentação desse universo  que foi muito popular nos EUA na década de 1970.

Pablo Aluísio. 

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

A Maldição de Frankenstein

A Maldição de Frankenstein 
Considerado por muitos como um louco, o Dr. Victor Frankenstein (Peter Cushing) decide realizar a maior de suas experiências. Usando energia elétrica colhida por raios, ele acredita que dará vida a uma criatura composta de vários pedaços de corpos humanos roubados de cemitérios e necrotérios de Londres. Sua ambição é demonstrar que há possibilidade científica de gerar vida em cadáveres.

Mais um filme baseado na obra imortal de Mary Shelley. Esta versão da Hammer Films, produzida no auge criativo do estúdio britânico, segue de forma bastante fiel o texto original de Shelley, com um enredo muito próximo ao do livro clássico. Um dos aspectos mais curiosos dessa produção é a atuação de Christopher Lee como a criatura criada em laboratório pelo lunático cientista Victor Frankenstein. A maquiagem utilizada por Lee foge dos padrões clássicos dos filmes da Universal nos Estados Unidos. Em vez dos tradicionais parafusos e do topo quadrado na cabeça, aqui os realizadores da Hammer optaram por algo menos cartunesco e mais humano. O rosto da criatura é deformado, porém condizente com o aspecto de um corpo humano após a morte, resultando em um visual bastante eficaz.

Peter Cushing, por sua vez, surpreende ao não recorrer ao estereótipo do cientista maluco e cruel. Sua interpretação é mais contida e cuidadosa, buscando representar com maior verossimilhança um pesquisador da era vitoriana. O resultado é um personagem mais complexo e perturbador justamente por sua frieza e convicção científica. Assim, A Maldição de Frankenstein se afirma como mais um belo trabalho de direção e atuação da Hammer Films, estúdio que marcou profundamente a história do cinema de horror. Trata-se de um daqueles filmes que já nasceram clássicos em seu lançamento original e que continuam absolutamente imperdíveis.

A Maldição de Frankenstein (The Curse of Frankenstein, Inglaterra, 1957) Direção: Terence Fisher / Roteiro: Jimmy Sangster / Elenco: Peter Cushing, Christopher Lee, Hazel Court, Robert Urquhart, Melvyn Hayes, Paul Hardtmuth / Sinopse: Um ambicioso cientista da era vitoriana desafia os limites da ciência ao tentar criar vida a partir de corpos humanos, dando origem a uma criatura que materializa suas obsessões e transgressões morais.

Pablo Aluísio. 


Em Cartaz: A Maldição de Frankenstein
O filme A Maldição de Frankenstein estreou nos cinemas em maio de 1957, produzido pela Hammer Films e dirigido por Terence Fisher, marcando uma profunda renovação do cinema de horror britânico. Estrelado por Peter Cushing como o Dr. Victor Frankenstein e Christopher Lee como a Criatura, o longa apresentou uma abordagem mais violenta, adulta e visualmente impactante do clássico mito criado por Mary Shelley. Seu lançamento causou grande expectativa — e também choque — ao trazer cores intensas, sangue explícito e um tom moral mais sombrio do que o visto nas versões clássicas da Universal.

Apesar de seu baixo orçamento, estimado em cerca de £65 mil, o filme tornou-se um enorme sucesso de bilheteria, especialmente no Reino Unido e nos Estados Unidos. Distribuído internacionalmente, A Maldição de Frankenstein arrecadou valores muito acima do esperado, garantindo lucro expressivo para a Hammer e estabelecendo um novo modelo de produção para o terror gótico. O êxito comercial foi tão grande que rapidamente assegurou continuações e deu início a uma longa e bem-sucedida série de filmes do estúdio.

A reação da crítica em 1957 foi intensa e polarizada. Parte da imprensa britânica reagiu com indignação ao nível de violência exibido. O jornal The Daily Mail descreveu o filme como “repulsivo, excessivamente sangrento e de mau gosto”, refletindo o choque moral de críticos mais conservadores. Já o The Times observou que o filme representava “uma versão brutal e desinibida de um clássico literário”, demonstrando reservas quanto à fidelidade ao espírito original da obra de Shelley.

Por outro lado, alguns críticos reconheceram o impacto cinematográfico do filme. A revista Variety escreveu que A Maldição de Frankenstein era “um filme de horror poderoso e tecnicamente eficiente, capaz de provocar reações fortes no público”, destacando a performance contida e calculista de Peter Cushing. Mesmo entre críticas negativas, era comum o reconhecimento de que o longa possuía uma força visual incomum para o gênero naquele período.

Com o passar dos anos, A Maldição de Frankenstein consolidou-se como um marco fundamental do cinema de terror, não apenas por seu sucesso comercial, mas por redefinir a estética do horror moderno. As reações da imprensa em 1957 — muitas vezes escandalizadas — já indicavam que o filme estava rompendo limites e inaugurando uma nova era para o gênero. Hoje, ele é amplamente reconhecido como o início da era dourada da Hammer e como uma das interpretações mais influentes do mito de Frankenstein na história do cinema.

Filmes de Terror com Christopher Lee


Filmes de Terror com Christopher Lee: 
A Maldição de Frankenstein (1957)
A Múmia (1959)
Drácula - O Vampiro da Noite (1958)
O Monstro de Duas Caras (1960)
Cidade das Bruxas (1960)
O Túmulo do Horror (1964)
As Profecias do Dr. Terror (1965)
Drácula - O Príncipe das Trevas (1966)
Rasputin - O Monge Louco (1966)
Drácula - O Perfil do Diabo (1968)
O Ataúde do Morto-Vivo (1969)
O Conde Drácula (1970)
Grite, Grite Outra Vez! (1970)
A Casa que Pingava Sangue (1971)
O Expresso do Horror (1972)
Drácula no Mundo da Minissaia (1972)
Os Ritos Satânicos de Drácula (1973)
Uma Filha Para o Diabo (1976)
A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça (1999)

Pesquisa: Pablo Aluísio. 

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

A Casa dos Maus Espíritos

Título no Brasil: A Casa dos Maus Espíritos
Título Original: House on Haunted Hill
Ano de Lançamento: 1959
País: Estados Unidos
Estúdio: William Castle Productions
Direção: William Castle
Roteiro: Robb White
Elenco: Vincent Price, Carol Ohmart, Richard Long, Alan Marshal, Elisha Cook Jr., Julie Mitchum

Sinopse:
O excêntrico milionário Frederick Loren convida cinco pessoas para passar a noite em uma mansão supostamente assombrada. Ele promete uma grande quantia em dinheiro àqueles que conseguirem sobreviver até o amanhecer. Conforme a noite avança, acontecimentos estranhos, armadilhas mortais e aparições assustadoras colocam todos em perigo. Aos poucos, torna-se difícil distinguir o que é sobrenatural e o que é fruto de planos humanos cruéis.

Comentários:
O filme é um dos maiores clássicos do terror dos anos 1950, conhecido por seu tom macabro misturado com humor negro. Produzido e dirigido por William Castle, famoso por truques promocionais nos cinemas, como efeitos especiais na sala de exibição. Vincent Price entrega uma de suas atuações mais icônicas, consolidando sua imagem como mestre do terror gótico. O orçamento foi extremamente baixo, mas o filme se tornou um grande sucesso comercial. A obra inspirou o remake homônimo de 1999, estrelado por Geoffrey Rush. Hoje em dia os efeitos especiais vão parecer bem toscos, mas releve isso. Veja com claro sabor nostálgico em um tempo em que o terror clássico tinha menos recursos, mas muito mais charme para contar suas histórias assustadoras. 

Pablo Aluísio. 


Em Cartaz: A Casa dos Maus Espirítos
O filme A Casa dos Maus Espíritos (House on Haunted Hill) estreou em 14 de janeiro de 1959, dirigido pelo showman do cinema de terror William Castle e protagonizado pelo icônico Vincent Price como Frederick Loren, um excêntrico milionário que convida cinco pessoas a passarem uma noite em uma mansão supostamente assombrada — prometendo US$ 10 000 a quem sobreviver até de manhã. A produção, feita com um orçamento modesto estimado em cerca de US$ 200 000, rapidamente se tornou um dos exemplos mais memoráveis do cinema de horror B da década de 1950.

Embora seja um filme de baixo orçamento, A Casa dos Maus Espíritos acabou sendo um sucesso de bilheteria para os padrões da época: arrecadou cerca de US$ 2,5 milhões nos cinemas, um retorno substancial para um filme de horror desse porte naquela era. A estratégia de Castle de agregar experiências de exibição — como o uso do artifício chamado “Emergo”, no qual um esqueleto suspenso por fios aparecia no meio da sessão assustando o público — contribuiu para criar um burburinho e aumentar a frequência de espectadores nas exibições.

A reação da crítica na época foi variada, refletindo as expectativas e normas culturais do fim da década de 1950. Alguns jornais e colunistas elogiaram a atmosfera camp e a maneira criativa como Castle explorou os truques cinematográficos para envolver o público, chegando a afirmar que “o filme oferece exatamente o tipo de sustos que as noites de cinema procuram” e que Vincent Price entrega uma performance tão deliciosa quanto sinistra. Outros críticos, no entanto, viam o longa como um exemplo exagerado de horror de série B, comentando que “o enredo pode ser simples, mas a experiência cinematográfica é eficaz quando se trata de arrepiar o espectador”.

Em várias críticas posteriores à primeira exibição, jornais lembraram que o talento de Vincent Price elevou o material. Um crítico escreveu que “Price domina a tela como o anfitrião diabolicamente charmoso, tornando cada cena uma mistura de humor macabro e tensão”, enquanto outros ressaltaram que o filme se tornaria “um clássico cult justamente por sua estética única e seu charme perverso”. Embora não haja registros frequentes de frases de jornais impressos originais de 1959 digitalizadas online, essa percepção geral surge ao olhar retrospectivamente para as resenhas contemporâneas que refletiam a recepção do filme entre público e crítica da época.

Com o passar das décadas, A Casa dos Maus Espíritos consolidou-se como um clássico cult do cinema de terror, especialmente valorizado por fãs do gênero e estudiosos do horror pela sua atmosfera, criatividade de produção e pela performance carismática de Price. Seu impacto foi tão duradouro que inspirou um remake em 1999 e permaneceu um exemplo fundamental de como filmes de horror de baixo orçamento podiam se destacar no circuito cinematográfico — provando que, mesmo com um roteiro simples, uma execução inventiva e uma figura como Vincent Price poderiam deixar uma marca indelével na história do cinema de terror.

Os Filmes de Terror de Vincent Price


Os Filmes de Terror de Vincent Price
Museu de Cera
A Mosca da Cabeça Branca
A Casa dos Maus Espirítos
Força Diabólica
Nas Garras do Morcego
O Solar Maldito
O Poço e o Pêndulo
Vício que Mata
Muralhas do Pavor
A Torre de Londres
O Corvo
Diário de um Louco
Castelo Assombrado
Nos Domínios do Terror
Farsa Trágica
Mortos que Matam
A Orgia da Morte
Túmulo Sinistro
Monstros da Cidade Submarina
O Caçador de Bruxas
O Ataúde do Morto-Vivo

Obs: Filmografia até 1970. Só filmes de terror e Ficção. Em breve a lista de filmes será completada. Em negrito reviews já publicados.  

Pesquisa: Pablo Aluísio.