quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Psicose

Psicose
Norman Bates (Anthony Perkins) é um rapaz solitário que toma conta de um decadente motel de beira de estrada ao lado de sua mãe, que mora numa velha casa nos fundos do Bates Motel. Para sua surpresa uma jovem e bonita garota chamada Marion (Janet Leigh) resolve se hospedar em seu sinistro estabelecimento. Isso basta para que o lado mais obscuro de Norman venha à tona. "Psicose" é seguramente o filme mais famoso do genial diretor Alfred Hitchcock. Temendo uma reação muito negativa diante do teor violento da estória o cineasta tomou uma decisão polêmica ao decidir filmar em preto e branco. Posteriormente em entrevista Hitchcock esclareceu que seria de muito mal gosto filmar a famosa cena do chuveiro em cores berrantes pois o vermelho sangue jorrando pelo ralo da banheira seria demais para o público daquela época. O roteiro foi baseado em uma novela de Robert Bloch, um escritor de terror e ficção muito popular na década de 60. Embora seja ficcional é impossível negar que o personagem de Norman Bates também foi inspirado em assassinos em série famosos nos EUA, como por exemplo, Ed Gein. Esse também vivia isolado da sociedade, era acometido por alucinações com pessoas falecidas e tinha uma verdadeira obsessão pela mãe morta, que era fanática religiosa e rotineiramente punia o filho como a mãe rígida de Norman Bates apresentada em "Psicose".

Além do suspense e do tema mórbido "Psicose" também se tornou um marco do cinema por causa de alguns detalhes que fizeram toda a diferença em relação aos demais filmes da época. O primeiro deles é sua excelente trilha sonora, assinada por Bernard Herrmann. O tema musical das cenas mais marcantes ainda hoje soa familiar aos ouvidos de qualquer cinéfilo, de associação imediata ao filme (basta ouvir para saber que se trata de "Psicose"). Além disso foi tão imitada ao longo dos anos que acabou virando marca registrada. Nove em cada dez filmes de terror atuais trazem em suas trilhas incidentais apenas variações do famoso tema do filme de Hitchcock. Outro aspecto a se louvar aqui é a brilhante interpretação de Anthony Perkins, tão brilhante aliás que marcou a carreira do ator para sempre o deixando praticamente prisioneiro de Norman Bates para o resto de sua vida. Por fim só nos resta aplaudir todo o domínio de cena e ambientação de Hitchcock. Não é por outro motivo que ele passou para a história como o "Mestre do Suspense". O cineasta nunca era óbvio em suas decisões, surpreendendo em cada cena, em cada tomada. A própria cena do chuveiro é uma aula de direção, abrilhantada com uma das mais inspiradas edições da história do cinema. Em suma "Psicose" é item obrigatório para quem gosta de cinema. Um clássico do suspense que segue soberbo, firme, como o melhor e mais influente já produzido até hoje.

Psicose (Psycho, Estados Unidos, 1960) Direção: Alfred Hitchcock / Roteiro: Joseph Stefano baseado na novela de Robert Bloch / Elenco: Anthony Perkins, Janet Leigh, Vera Miles / Sinopse: Norman Bates (Anthony Perkins) é um rapaz solitário que toma conta de um decadente motel de beira de estrada ao lado de sua mãe, que mora numa velha casa nos fundos do Bates Motel. Para sua surpresa uma jovem e bonita garota chamada Marion (Janet Leigh) resolve se hospedar em seu sinistro estabelecimento. Isso basta para que o lado mais obscuro de Norman venha à tona.

Pablo Aluísio. 

Nosferatu: O Vampiro da Noite

Nosferatu: O Vampiro da Noite
Essa é a releitura do clássico filme alemão Nosferatu, de Murnau, de 1922. Naquele ano, sem possibilidade de filmar a estória de Drácula por não ter os direitos autorais, o diretor alemão ousou filmar um roteiro que basicamente tinha o mesmo argumento de Drácula mas sem usar o famoso nome e sem estar diretamente ligado à obra de Bram Stoker. Pelo uso inovador de tomadas de cenas, iluminação e jogo de luz e sombras Nosferatu acabou virando um grande clássico do terror, cultuado até nos dias de hoje, mesmo sendo um filme mudo. Uma obra maldita que foi redescoberta e se tornou um ícone da história do cinema. No final dos anos 70 o diretor Werner Herzog resolveu trazer de volta à tona o mesmo espírito da produção original, tanto que aqui há poucos diálogos, tal como se fosse uma homenagem ao cinema mudo. Eu só penso que a decisão de filmar em cores prejudicou um pouco o resultado final, fiquei imaginando o filme e suas imagens em preto e branco, tenho certeza que o impacto teria sido maior. A produção não é muito rica, é verdade, nada comparado ao que se vê no cinema americano, mas Herzog conseguiu superar essa situação muito bem. Outra coisa que chama bem atenção nessa produção e a total ausência de efeitos especiais. Tudo é conseguido apenas com o uso de boa maquiagem e jogos de luzes e sombras, tal como no filme de Murnau. A trilha sonora incidental também é muito inspirada, ajudando na criação do clima sórdido do filme em si.

Por fim duas curiosidades que me chamaram bem a atenção. A primeira foi a caracterização de um Van Helsing que não acreditava em vampiros, envelhecido e sem muito poder de ação e uma Isabela Adjani com maquiagem forte mas branquíssima, como convém a sua personagem gótica; Uma atriz extremamente bonita em uma interpretação um pouco abaixo do esperado. Talvez sua interpretação tenha sido assim para lembrar ao espectador da exagerada forma de interpretar do cinema mudo. De uma forma em geral achei bastante válida a ideia que deu origem ao filme. O cinema europeu tem um ritmo próprio bem diferente do americano e por isso alguns espectadores atuais poderão a vir estranhar seu desenrolar mas é bastante válida a experiência de assistir algo assim. Por fim não poderia deixar de citar a caracterização muito inspirada do ator Klaus Kinski. Ele está ótimo, com maquiagem adequada, tudo soando bem estranho, horrível, monossilábico, como aliás convém ao personagem Nosferatu. No final das contas só de ver o Klaus fazendo esse papel já vale o filme inteiro.

Nosferatu - O Vampiro da Noite (Nosferatu, Alemanha, França, 1979) Direção: Werner Herzog / Roteiro: Werner Herzog baseado no livro Drácula de Bram Stoker / Elenco Klaus Kinski, Isabela Adjani, Bruno Ganz, Walter Ladengast / Sinopse: Baseado na famosa obra "Drácula" de autoria de Bram Stoker, "Nosferatu" mostra a estória da ida de Jonathan Harker (Bruno Ganz) até a propriedade do misterioso Conde Drácula (Klaus Kinski), um homem isolado do mundo. Ele acaba desenvolvendo uma forte obsessão pela jovem a bela Lucy (Isabelle Adjani), esposa de Jonathan. Refilmagem do clássico alemão Nosferatu, de Murnau, de 1922.

Pablo Aluísio.

O Castelo Assombrado

O Castelo Assombrado
Vincent Price era um homem muito culto, colecionador de artes, bon vivant, que ganhava a vida interpretando alguns dos personagens mais imaginativos da história do cinema, principalmente no gênero que o consagrou, o terror. Já Roger Corman era uma figuraça, diretor com muita imaginação para driblar a falta de orçamento de muitos de seus filmes. Sua sobrevivência em Hollywood lhe deu inspiração para escrever uma biografia muito bem humorada intitulada "Como eu fiz uma centena de filmes em Hollywood e nunca perdi um tostão!". Certo estava ele. Nesse "O Castelo Assombrado" encontramos todas as características que fizeram tanto a fama de Price como a de Corman.

O ator mais uma vez se utiliza de sua persona "nobre mas sinistro" que utilizou em um sem número de produções. Dentro de um cenário surpreendentemente bem feito, Price usa e abusa de seus famosos "olhares lânguidos", seja no papel de Ward seja no do Warlock ancestral Joseph. Para mudar de personalidade ele apenas precisa levantar as sobrancelhas e fitar o horizonte. Impagável. Outro destaque do filme é a trilha sonora (muito evocativa e bem colocada nas cenas de maior suspense). Por fim tem a beldade Debra Paget (que foi a namoradinha de Elvis Presley em Love Me Tender). Atriz de rara beleza ela aqui defende bem seu cachê embora não saia do convencional, em um papel tipicamente de "mocinha em perigo". Esse tipo de produção vai soar datada para muitos hoje em dia mas isso faz parte de seu charme. Aliás a nostalgia e o saudosismo envolvidos tornam "O Castelo Assombrado” ainda mais saboroso nos dias de hoje.

O Castelo Assombrado (The Haunted Palace, Estados Unidos, 1963) Direção: Roger Corman / Roteiro: Charles Beaumont baseado nas obras de Edgar Allan Poe e H. P. Lovecraft  / Elenco: Vincent Price, Debra Paget, Lon Chaney Jr,  Frank Maxwell,  Leo Gordon / Sinopse: Inspirado em Edgar Allan Poe e na obra “O Caso de Charles Dexter Ward” de H. P. Lovecraft o filme "O Castelo Assombrado" narra a estória de Joseph Curwen, um mestre em magias ocultas que acaba sendo queimado como bruxo no pequeno vilarejo onde mora. Um século depois um jovem casal decide visitar o castelo original de Joseph, que agora parece estar infestado por espíritos malignos do passado.

Pablo Aluísio.